AREsp 2421787 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido em razão de não haver prequestionamento sobre a tese do termo inicial dos juros (incidindo a Súmula 282/STF), e porque, quanto aos honorários, aplica-se a Súmula 111/STJ, consolidada pelo Tema 1.105/STJ, de modo que os honorários nas ações previdenciárias incidem apenas sobre as...
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- Parties
- Agravante: MOISÉS FILOMENO DE AQUINO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (07/05/2024 a 13/05/2024) Decisão Colegiada
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Termo Inicial Dos Juros Moratórios, Honorários Advocatícios Em Ações Previdenciárias, Prequestionamento, Aplicação De Súmulas E Temas Repetitivos (súmula 111/stj, Súmula 282/stf, Súmula 204/stj, Tema 1.105/stj)
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Parties
MOISÉS FILOMENO DE AQUINO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (07/05/2024 a 13/05/2024) Decisão Colegiada
Legal Issues
- 1 Termo inicial dos juros moratórios em ações previdenciárias
- 2 Base de cálculo dos honorários advocatícios (incidência sobre parcelas vencidas até a sentença vs. sobre o proveito econômico)
- 3 Requisito do prequestionamento para admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido em razão de não haver prequestionamento sobre a tese do termo inicial dos juros (incidindo a Súmula 282/STF), e porque, quanto aos honorários, aplica-se a Súmula 111/STJ, consolidada pelo Tema 1.105/STJ, de modo que os honorários nas ações previdenciárias incidem apenas sobre as parcelas vencidas até a data da sentença; por esses motivos, nega-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter o acórdão recorrido quanto ao termo inicial dos juros e à fixação dos honorários advocatícios
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 07/05/2024 a 13/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. TERMO INICIAL DOS JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. TEMA 204 STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULA 111/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Na hipótese dos autos, trata-se de Recurso Especial em que o obreiro questiona o termo inicial dos juros, bem como a base de cálculo dos honorários advocatícios fixados no acórdão que reconheceu o seu direito à aposentadoria por tempo de contribuição. 2. Em relação à pretensão de que os juros moratórios sejam computados desde o requerimento administrativo, trata-se de tese que não foi objeto de prequestionamento na origem, incidindo, in casu, o entendimento da Súmula 282/STF. 3.Nos termos do Tema 1.105/STJ, continua eficaz e aplicável o conteúdo da Súmula 111/STJ, que estabelece que os honorários advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença, mesmo após a vigência do CPC/2015. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MOISÉS FILOMENO DE AQUINO, contra decisão monocrática desta relatoria, ementada, in verbis (fls. 1.097-1104): PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. JUROS E CORREÇAO MONETARIA. TEMA 905. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SUMULA 282/STF. HONORÁRIOS. SUMULA 111/STJ. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS. DESCABIMENTO. ACÓRDÃO EMBASADO EM PREMISSAS FÁTICAS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO. No agravo interno, o agravante alega as seguintes teses a saber: a) aduz que suscitou, em relação ao benefício reconhecido em juízo, a incidência dos juros sobre as parcelas vencidas computados a partir do requerimento administrativo, mas que tal pretensão foi rejeitada pela decisão monocrática ora agravada ante a fundamentação de que não houve prequestionamento e que, ademais, trata-se de entendimento contrário ao fixado pelo STJ na Súmula 204/STJ. Insiste, entretanto, embora sem detalhamento das suas razões, que houve prequestionamento e que a Súmula 204/STJ é contrária aos termos do novo Código de Processo Civil. b) e quanto aos honorários advocatícios, ressalta que "o pedido da parte autora não recai em reexame de prova, tendo em vista a previsão do artigo 85, §4, II, do CPC, que prevê aos honorários a incidência quando da liquidação, reforçando a ideia de que a porcentagem da sucumbência seja fixada sobre o proveito econômico e não apenas até a sentença" (fl.1112). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. TERMO INICIAL DOS JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. TEMA 204 STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULA 111/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Na hipótese dos autos, trata-se de Recurso Especial em que o obreiro questiona o termo inicial dos juros, bem como a base de cálculo dos honorários advocatícios fixados no acórdão que reconheceu o seu direito à aposentadoria por tempo de contribuição. 2. Em relação à pretensão de que os juros moratórios sejam computados desde o requerimento administrativo, trata-se de tese que não foi objeto de prequestionamento na origem, incidindo, in casu, o entendimento da Súmula 282/STF. 3.Nos termos do Tema 1.105/STJ, continua eficaz e aplicável o conteúdo da Súmula 111/STJ, que estabelece que os honorários advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença, mesmo após a vigência do CPC/2015. 4. Agravo interno não provido. VOTO A pretensão não merece acolhida. Em relação ao termo inicial dos juros moratórios, verifico que, de fato, não houve prequestionamento sobre a tese suscitada. Com efeito, conforme se observa na decisão recorrida, o Tribunal tão somente decidiu em relação aos juros pela observância do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal. Confira-se, in verbis (fl. 689): Com relação à correção monetária e aos juros de mora, determino a observância dos critérios contemplados no Manual de Orientação de Procedimentos para os cálculos na Justiça Federal, de acordo com a Resolução nº 267/2013, de 02 de dezembro de 2013, do Conselho da Justiça Federal. E não cuidou o agravante de demonstrar como o referido manual é contrário aos seus interesses, nem cuidou de interpor embargos de declaração para ver a questão esclarecida na instância ordinária . Assim, os dispositivos tidos por violados, quais sejam, os arts. 395, 396 do Código Civil e 35 da Lei 8.212/91 e artigo 161 do Código Tributário Nacional, não foram objeto de prequestionamento. Efetivamente, para a configuração do questionamento prévio, não é necessário que haja menção expressa dos dispositivos infraconstitucionais tidos como violados. Todavia, é imprescindível que no aresto recorrido a questão tenha sido discutida e decidida fundamentadamente, sob pena de não preenchimento do requisito do prequestionamento, indispensável para o conhecimento do recurso. Nesse sentido, o seguinte julgado deste Tribunal Superior: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZATÓRIA. VIOLAÇÃO AO ART. 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CDC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SUPOSTAMENTE VIOLADO. SÚMULA 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. QUANTUM INDENIZATÓRIO. REVISÃO. DESCABIMENTO. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Agravo interno contra decisão da Presidência que não conheceu do agravo em recurso especial. Reconsideração. 2. Fica inviabilizado o conhecimento de tema trazido no recurso especial, mas não debatido e decidido nas instâncias ordinárias, tampouco suscitado nos embargos de declaração opostos, para sanar eventual omissão, porquanto ausente o indispensável prequestionamento. Aplicação, por analogia, das Súmulas 282 e 356 do STF. .. 7. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, em novo exame, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.958.702/MS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 13/6/2022, DJe de 29/6/2022.) Ademais, ainda que fosse superar tal óbice, a pretensão esbarra na Súmula 204/STJ, cuja redação é a seguinte: " Os juros de mora nas ações relativas a benefícios previdenciários incidem a partir da citação válida". No que diz respeito à pretensão de alterar o termo final dos honorários, o acórdão recorrido aplicou a Sumula 111/STJ que permanece hígida nesta e. Corte. Confira-se, in verbis (fl. 689): No tocante aos honorários advocatícios, os mesmos devem ser fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor das parcelas vencidas até a data da prolação da sentença, conforme entendimento desta Turma e em consonância com a Súmula 111 do E. Superior Tribunal de Justiça. E a pretensão do obreiro é para que os honorários sejam calculados considerando todo o proveito econômico da condenação, com base na interpretação que dá ao art. 85, §4º, II, do CPC/15. Cabe ressaltar, contudo, que o STJ reafirmou no Tema Repetitivo 1105 no sentido de que "Continua eficaz e aplicável o conteúdo da Súmula 111/STJ (com a redação modificada em 2006), mesmo após a vigência do CPC/2015, no que tange à fixação de honorários advocatícios". Confira-se: PREVIDENCIÁRIO. REPETITIVO. TEMA 1.105. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA 111/STJ. VERBETE QUE CONTINUA APLICÁVEL APÓS A VIGÊNCIA DO CPC/2015. CORTE LOCAL QUE DEIXA DE OBSERVAR SÚMULA EMANADA DO STJ. CARACTERIZAÇÃO DE OFENSA AO ART. 927, IV, DO CPC. 1. O Superior Tribunal de Justiça, por suas duas Turmas de Direito Público, mantém consolidado entendimento de que, mesmo após a vigência do Código de Processo Civil de 2015, a verba honorária, nas lides previdenciárias, deve ser fixada sobre as parcelas vencidas até a data da decisão concessiva do benefício, ou seja, em consonância com a diretriz expressa na Súmula 111/STJ (conforme redação modificada em 2006). Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.780.291/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5), Primeira Turma, julgado em 23/8/2021, DJe de 27/8/2021; AgInt no AREsp n. 1.939.304/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 24/8/2022; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.913.756/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 16/8/2021, DJe de 20/8/2021; AgInt no AREsp n. 1.744.398/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 14/6/2021, DJe de 17/6/2021; e AgInt no REsp 1.888.117/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 8/2/2021, DJe 17/2/2021. 2. Na espécie, ao recusar a aplicação do verbete em análise, sob o fundamento de sua revogação tácita pelo CPC/2015, a Corte de origem incorreu em frontal ofensa ao art. 927, IV, desse mesmo diploma processual, no que tal regramento impõe a juízes e tribunais a observância de enunciados sumulares do STJ e do STF. 3. Acórdão submetido ao regime dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e 256-I do RISTJ, com a fixação da seguinte TESE: "Continua eficaz e aplicável o conteúdo da Súmula 111/STJ (modificado em 2006), mesmo após a vigência do CPC/2015, no que tange à fixação de honorários advocatícios". 4. Resolução do caso concreto: hipótese em que a pretensão recursal do INSS converge com a tese acima, por isso que seu recurso especial resulta provido. (REsp n. 1.883.715/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 8/3/2023, DJe de 27/3/2023.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.