HC 712607 - DECISAO
O habeas corpus foi indeferido liminarmente e o seguimento negado porque a impetração não trouxe peças processuais essenciais (notadamente o decreto de prisão preventiva), sendo impossível verificar a alegada ilegalidade prisional; além disso, aplica-se a Súmula 691 do STF quanto à inadmissibilidade de HC contra...
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- Parties
- Paciente: Paciente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 December 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Indeferimento Liminar E Negar Seguimento/decisão Monocrática
- Outcome
- Indefiro liminarmente o habeas corpus e nego seguimento ao writ.
- Legal Topics
- Tráfico De Entorpecentes (art. 33 Lei N. 11.343/2006), Prisão Preventiva, Habeas Corpus, Prova Pré Constituída, Revisão Da Custódia Cautelar (art. 316 Cpp)
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Parties
Paciente
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Indeferimento Liminar E Negar Seguimento/decisão Monocrática
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de habeas corpus contra indeferimento de liminar em writ originário (Súmula 691 STF)
- 2 Obrigação de revisão periódica da prisão preventiva pelo órgão que a decretou (art. 316, parágrafo único, CPP)
- 3 Necessidade de prova documental pré-constituída para exame do habeas corpus
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi indeferido liminarmente e o seguimento negado porque a impetração não trouxe peças processuais essenciais (notadamente o decreto de prisão preventiva), sendo impossível verificar a alegada ilegalidade prisional; além disso, aplica-se a Súmula 691 do STF quanto à inadmissibilidade de HC contra indeferimento de liminar em writ originário, razão pela qual não se conheceu do pedido liminar nem se examinou o mérito.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o habeas corpus e nego seguimento ao writ.
Orders
- Indefiro liminarmente o habeas corpus
- Negar seguimento ao habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em face de decisão que indeferiu o pedido liminar no writ na origem. Consta dos autos que "o Paciente foi denunciado como incurso no crime de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº. 11.343/06). Depois da regular instrução, foi prolatada sentença, na qual houve a imposição de pena privativa de liberdade consistente em 04 (quatro) anos, 10 (dez) meses e 10 (dez) dias de reclusão, em regime inicial semiaberto." (fl. 4). Na presente impetração a defesa sustenta, em síntese,que "deve-se reconhecer o direito de o paciente recorrer em liberdade, à vista que não é proporcional a sanção em concreto e a manutenção da prisão preventiva" (fl. 7). Requer, liminarmente e nomérito, a concessão da ordem para revogar a prisão preventiva dopaciente. Não havendo divergência da matéria no órgão colegiado, admissível seu exame in limine pelo relator, nos termos do art. 34, XVIII e XX, do RISTJ. Nos termos da Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal, não se admite a utilização de habeas corpus contra decisão que indeferiu a liminar em writ impetrado no Tribunal de origem, sob pena de indevida supressão de instância. Admite-se, entretanto, sua mitigação quando evidenciada a presença de decisão teratológica ou desprovida de fundamentação. Na espécie, contudo, não foijuntado aos autos a cópia do decreto de prisão preventiva. O rito do habeas corpus demanda prova documental pré-constituída do direito alegado pelo impetrante. Dessa forma, a ausência de peças essenciais ao deslinde da controvérsia, impede o exame sobre as alegações, razão pela qual deve ser negado seguimento ao presente writ, impetrado por profissional legalmente habilitado. A propósito, os seguintes precedentes: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. ARTS. 33, CAPUT E 35, CAPUT. C.C. O ART. 40, INCISO VI, TODOS DA LEI N. 11.343/2006, 12 DA LEI N. 10.826/2003 E 244-B DA LEI N. 8.069/1990. OBRIGAÇÃO DE REVISAR, A CADA 90 (NOVENTA) DIAS, A NECESSIDADE DA CUSTÓDIA CAUTELAR. TAREFA IMPOSTA APENAS AO JUIZ OU TRIBUNAL QUE DECRETAR A PRISÃO PREVENTIVA. FASE RECURSAL. INAPLICABILIDADE. PRISÃO PREVENTIVA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS À ANÁLISE DA CONTROVÉRSIA. ALEGAÇÃO DE EXCESSO DE PRAZO PARA O JULGAMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO. SUPERVENIENTE APRECIAÇÃO DA INSURGÊNCIA PELO TRIBUNAL ESTADUAL. HABEAS CORPUS PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA A ORDEM. 1. Consoante se infere da literalidade do art. 316, parágrafo único do Código de Processo Penal, a obrigação de revisar, no prazo assinalado, a necessidade da custódia cautelar é imposta apenas ao juiz ou tribunal que decretar a prisão preventiva. Assim, a lei atribui ao "órgão emissor da decisão" - em referência expressa à decisão que decreta a prisão preventiva - o dever de revisá-la, a cada 90 dias, de ofício. 2. No tocante à legalidade da manutenção da prisão preventiva na sentença condenatória, o Impetrante se insurge contra ato supostamente praticado por Juiz de Direito. Nesse contexto, está evidenciada a incompetência deste Superior Tribunal de Justiça para apreciar e julgar originariamente a causa, nos termos do que dispõe o art. 105, inciso I, alínea c , da Constituição da República, na medida em que o ato apontado como coator foi praticado por Juiz de Direito e não pelo Tribunal a quo. 3. Ademais, o Impetrante não juntou aos autos as cópias das peças processuais necessárias à compreensão da controvérsia, notadamente da referida decisão que decretou a prisão preventiva do Acusado - e que foi mantida pelo Magistrado singular na sentença condenatória -, de modo que não é possível analisar a suposta ilegalidade do decreto prisional, na medida em que o writ foi mal instruído. 4. Compete à Defesa narrar e instruir completa e adequadamente o habeas corpus (ou seu respectivo recurso). No caso, como a Defesa não se desincumbiu do ônus de formar adequadamente os autos, olvidando-se de que o habeas corpus pressupõe prova pré-constituída do direito alegado, não há como apreciar o mérito do writ. 5. Quanto ao excesso de prazo para julgamento da apelação, em consulta ao sistema de informações processuais do Tribunal de origem, constata-se que a apelação do Paciente (n. 53359-97.2019.8.09.0024) foi julgada em 22/04/2021, o que torna prejudicada a alegação de excesso de prazo na tramitação processual. 6. Habeas corpus parcialmente conhecido e, nessa extensão, denegada a ordem. (HC 600.284/GO, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 18/05/2021, DJe 01/06/2021) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. AUSÊNCIA DE PEÇAS ESSENCIAIS À COMPREENSÃO DA CONTROVÉRSIA. DEFICIÊNCIA NA INSTRUÇÃO QUE IMPOSSIBILITA A ANÁLISE DO PEDIDO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Ação constitucional de natureza mandamental, o habeas corpus tem como escopo precípuo afastar eventual ameaça ao direito de ir e vir e, dada sua natureza urgente, exige prova pré-constituída das alegações e não comporta dilação probatória. 2. Não instruída a impetração com cópia da decisão que decretou a prisão preventiva dos réus e de decisão que haja avaliado a necessidade de manutenção da segregação em face da pandemia da COVID-19, mostra-se inviável o exame do sustentado constrangimento ilegal. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC 583.705/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 16/06/2020, DJe 23/06/2020) Ante o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.