HC 604771 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental. Embora a jurisprudência admita que condenações anteriores transitadas em julgado possam ser utilizadas como maus antecedentes mesmo quando ultrapassado o prazo depurador de cinco anos do art. 64, I, do Código Penal, a valoração negativamente dos antecedentes deve observar proporcionalidade e razoabilidade (teoria do direito ao esquecimento). No caso concreto, a condenação cuja pena foi extinta em 11/03/2010 (quase dez anos antes do delito de 06/02/2019) não poderia ser utilizada para exasperar a pena-base do paciente, razão pela qual as penas-base foram fixadas no mínimo legal e mantida a ordem de habeas corpus concedida pela Relatora.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Paciente: Pedro Sabino Lopes Rodrigues
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgado Pela Sexta Turma Do Superior Tribunal De Justiça (acórdão Colegiado)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; mantida a decisão que concedeu a ordem de habeas corpus proferida pela Relatora.
- Legal Topics
- Tráfico Ilícito De Drogas, Posse Irregular De Arma De Fogo, Dosimetria, Maus Antecedentes, Direito Ao Esquecimento, Reincidência
Case Brief
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Agravante
Pedro Sabino Lopes Rodrigues
Paciente
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgado Pela Sexta Turma Do Superior Tribunal De Justiça (acórdão Colegiado)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de utilização de condenações anteriores transitadas em julgado como maus antecedentes apesar de ultrapassado o prazo depurador de cinco anos previsto no art. 64, I, do Código Penal
- 2 Aplicação do denominado 'direito ao esquecimento' na valoração dos antecedentes e observância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade
- 3 Compatibilidade da valoração dos antecedentes com a vedação de penas de caráter perpétuo (art. 5.º, XLVII, b, CR)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental. Embora a jurisprudência admita que condenações anteriores transitadas em julgado possam ser utilizadas como maus antecedentes mesmo quando ultrapassado o prazo depurador de cinco anos do art. 64, I, do Código Penal, a valoração negativamente dos antecedentes deve observar proporcionalidade e razoabilidade (teoria do direito ao esquecimento). No caso concreto, a condenação cuja pena foi extinta em 11/03/2010 (quase dez anos antes do delito de 06/02/2019) não poderia ser utilizada para exasperar a pena-base do paciente, razão pela qual as penas-base foram fixadas no mínimo legal e mantida a ordem de habeas corpus concedida pela Relatora.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; mantida a decisão que concedeu a ordem de habeas corpus proferida pela Relatora.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal.
- Manter a concessão da ordem de habeas corpus em favor do Paciente.
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