HC 1066627 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a impetração funciona como substitutivo de recurso próprio, as alegações de nulidade e de desclassificação não foram apreciadas pelo Tribunal de origem (o que impediria o exame nesta Corte por supressão de instância) e há preclusão temporal e temática por pretender revisão de...
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- Parties
- Paciente: ROBERTO DOS SANTOS; Apelante: Parquet estadual
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 March 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Tráfico Ilícito De Drogas (art. 33, Lei N. 11.343/06), Posse Para Uso (art. 28, Nulidade De Busca Pessoal, Derivação Probatória, Preclusão Temporal E Temática, Supressão De Instância
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Parties
ROBERTO DOS SANTOS
Paciente
Parquet estadual
Apelante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Legalidade da busca pessoal e nulidade das provas por derivação
- 2 Suficiência da prova para condenação por tráfico (art. 33, Lei 11.343/06)
- 3 Eventual desclassificação para posse de droga para uso (art. 28, Lei 11.343/06)
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a impetração funciona como substitutivo de recurso próprio, as alegações de nulidade e de desclassificação não foram apreciadas pelo Tribunal de origem (o que impediria o exame nesta Corte por supressão de instância) e há preclusão temporal e temática por pretender revisão de decisão proferida há mais de cinco anos, nos termos da jurisprudência citada e do art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Não conheço do habeas corpus
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em benefício de ROBERTO DOS SANTOS, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO no julgamento da Apelação Criminal n. 0027005-95.2010.8.26.0050. Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 7 anos de reclusão, no regime inicial fechado, além do pagamento de 700 dias-multa, pela prática do crime tipificado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06. O Tribunal de origem deu provimento à apelação interposta pelo Parquet estadual, para condenar o paciente à pena de 7 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e 700 dias-multa, pela prática do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06 (fls. 345 e 353). É esta a ementa do julgado: "TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. Recurso ministerial voltado contra a sentença absolutória. Reversão do julgado. Conjunto probatório suficiente para lastrear a condenação. Parecer da PGJ nesse sentido. Penas-base fixadas acima dos mínimos, pelas circunstâncias judiciais desabonadoras. Majoração pela reincidência. Imposição de regime fechado. Provimento." No presente writ, a defesa sustenta a nulidade das provas em razão de busca pessoal desprovida de fundada suspeita, o que viola os arts. 240, § 2º, e 244 do Código de Processo Penal - CPP e contamina a cadeia probatória por derivação. Afirma a insuficiência probatória para a condenação, destacando a ausência de elementos concretos de mercancia diante da pequena quantidade de droga apreendida e da inexistência de instrumentos típicos do tráfico, impondo absolvição nos termos do art. 386, II e V, do CPP. Argui, subsidiariamente, a necessidade de desclassificação da conduta para a do art. 28 da Lei n. 11.343/06, considerando a apreensão de apenas 6,5 g de cocaína e a inexistência de indícios de comercialização. Requer, em liminar e no mérito, a concessão da ordem para reconhecer a ilegalidade da abordagem pessoal e das provas dela derivadas, com a consequente absolvição do paciente; subsidiariamente, a desclassificação da conduta do art. 33 para o art. 28 da Lei n. 11.343/06. Não houve pedido de medida liminar. Informações prestadas às fls. 444/516 e 519/522. Parecer ministerial de fls. 524/527 pelo não conhecimento da impetração. É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração sequer deveria ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do próprio Superior Tribunal de Justiça. Todavia, considerando as alegações expostas na inicial, razoável o processamento do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal que justifique a concessão da ordem de ofício. As alegações ora trazidas no mandamus - quer relativa à ocorrência de nulidade da busca pessoal, quer à desclassificação para a conduta prevista no art. 28 da Lei 11.343/2006 - não foram apreciadas pelo Tribunal de origem, o que impede esta Corte Superior de Justiça analisar os pedidos, sob pena de incidir em indevida supressão de instância. Outrossim, verificada a preclusão temporal e temática, na medida em que se pretende rediscutir decisão proferida há mais de cinco anos. Consoante orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal de Justiça, "A legações de flagrante ilegalidade não afastam a preclusão quando o pleito tem caracte rísticas revisionais" (AgRg no HC n. 969.664/MS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 9/4/2025, DJEN de 14/4/2025). Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA