REsp 2074603 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por óbice da Súmula 284/STF, em razão de deficiência de fundamentação: a recorrente mencionou dispositivos e atos normativos, mas não demonstrou de forma concreta e específica de que modo houve ofensa a lei federal, além de pretender discutir atos infralegais que não comportam...
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- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (origem: Mandado De Segurança) / Recurso Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Transação Tributária Excepcional, Inscrição Em Dívida Ativa, Mandado De Segurança, Súmula 284/stf, Atos Normativos Da PGFN
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial (origem: Mandado De Segurança) / Recurso Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Se o Poder Judiciário pode determinar a inscrição de débitos em dívida ativa para viabilizar adesão à transação excepcional
- 2 Aplicabilidade da Súmula 284/STF em razão de deficiência de fundamentação do recurso especial
- 3 Se o recurso especial é via adequada para controle de atos infralegais (portarias, resoluções, instruções)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por óbice da Súmula 284/STF, em razão de deficiência de fundamentação: a recorrente mencionou dispositivos e atos normativos, mas não demonstrou de forma concreta e específica de que modo houve ofensa a lei federal, além de pretender discutir atos infralegais que não comportam exame via recurso especial.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Sem fixação de honorários recursais.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (e-STJ fl. 148): Tributário e Processual Civil. Mandado de Segurança. Transação Excepcional. Direito à inscrição do débito em dívida ativa. Pedido de realização de novo parcelamento mais vantajoso. Ausência de prejuízo à Fazenda Nacional. Mora da Administração Fazendária não pode obstar o pleito de envio de créditos para a inscrição em dívida ativa. Concessão da segurança. Apelação e remessa necessária improvidas. 1. Cuida-se de apelação da Fazenda Nacional e de remessa necessária ante sentença que concedeu a segurança assegurando à impetrante a remessa dos seus débitos fiscais à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN , para fins de inscrição em dívida ativa, que atendam aos requisitos da Portaria PGFN nºv11.496/2021, possibilitando, dessa forma, a devida inscrição em dívida ativa da União e viabilizando aovcontribuinte a transação excepcional em comento. 2. A Fazenda Nacional requer, em síntese, a reforma da sentença que assegurou à apelada o direito à adesão à transação tributária firmada pela Lei nº 13.988/2020, visto que o particular não cumpriu com as condições legais para efetivação do acordo de transação excepcional. 3. O presente mandado de segurança busca a inscrição de dívida ativa da União dos débitos existentes na Receita Federal do Brasil para que tenha direito ao parcelamento mais vantajoso disciplinado na Lei nº 13.988/2020. 4. A Portaria ME nº 447/2018 define expressamente o prazo de 90 (noventa) dias para que os débitos exigíveis sejam enviados para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em dívida ativa. 5. Com efeito, observa-se a clareza da norma que disciplina a possibilidade da transação excepcional no que concerne à limitação de ser contemplado com o referido benefício, sendo possível aos débitos inscritos em dívida ativa da União conforme estabelece o artigo 8º da Portaria da PGFN nº 14.402/2020. 6. Registre-se, ainda, que o art. 3º, da Portaria PGFN nº 33/2018, define que, no caso de débito parcelado, o mencionado prazo tem início após a rescisão definitiva, portanto, uma empresa inadimplente tem o direito de regressar à dívida ativa, em face de uma transação mais vantajosa. 7. Desse modo, não há ilegalidade na postulação da impetrante da transação da Portaria PGFN nº 11.496/20221, com o objetivo de realizar parcelamentos mais benéficos, ademais, não se vislumbra a violação ao princípio da igualdade, no acolhimento do pleito da empresa executada, haja vista que a inclusão dos créditos em dívida ativa é medida punitiva aos contribuintes, inexistindo qualquer benefício exagerado aos postulantes. 8. Diante do acima exposto, não há mácula na douta sentença, visto que assegurou ao impetrante que seus débitos sejam inscritos em dívida ativa da União junto à Receita Federal do Brasil, para que possa ter acesso ao parcelamento mais benéfico possibilitada pela Lei nº 13.988/2020, regulamentado pela Portaria PGFN nº 11.496/2021. 9. Desprovimento da apelação e à remessa necessária. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 195/199). Sustenta a parte recorrente violação dos arts. 7º da Lei n. 13.988/2020, 111 e 171 do CTN e de atos normativos da PGFN, defendendo não ser "função do Poder Judiciário obrigar o Fisco a praticar ato vinculado de inscrição em dívida ativa de débitos, passando por cima da análise administrativa dos requisitos exigidos legalmente" (e-STJ fl. 224). Contrarrazões (e-STJ fls. 239/246). O recurso especial foi admitido na origem (e-STJ fl. 412). O Ministério Público Federal opina pelo conhecimento parcial do recurso especial e, nessa extensão, pelo seu desprovimento (e-STJ fls. 260/269). Passo a decidir. O Tribunal de origem negou provimento à apelação e à remessa oficial para manter a sentença que, em autos de mandado de segurança, assegurou à impetrante, ora recorrida, o direito de ver seus débitos inscritos em dívida ativa, a fim de viabilizar eventual transação tributária. O conhecimento do recurso especial encontra óbice na Súmula 284 do STF, pois verifica-se a existência de deficiência de fundamentação a impossibilitar o exame da controvérsia. Segundo pacífica orientação da jurisprudência do STJ, "nos recursos de fundamentação vinculada, como é o caso de recurso especial, a simples demonstração de insatisfação não possibilita o reexame da questão" (AgRg no REsp 1.478.870/PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 05/02/2015, DJe 12/02/2015). A parte recorrente, além de apontar o dispositivo de lei federal ofendido, deve, efetivamente, demonstrar de que modo teria ocorrido tal ofensa. Nesse sentido, cito os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. PRESCRIÇÃO TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA. ATOS INFRALEGAIS. EXAME. INVIABILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. DEFICIÊNCIA. .. 4. De acordo com a pacífica orientação da jurisprudência do STJ, "nos recursos de fundamentação vinculada, como é o caso de recurso especial, a simples demonstração de insatisfação não possibilita o reexame da questão" (AgRg no REsp 1.478.870/PR, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 05/02/2015, DJe 12/02/2015). 5. Hipótese em que a parte recorrente não desenvolveu argumentos que demonstram em que medida teria havido ofensa a cada um dos dispositivos de lei federal indicados, incidindo, por analogia, o óbice da Súmula 284 do STF. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.002.787/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 16/12/2024, DJEN de 3/2/2025.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CARÊNCIA DE APONTAMENTO DE DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VULNERADO PELO JULGAMENTO DA SEGUNDA INSTÂNCIA. SÚMULA 284/STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É sabido que, "nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o especial é recurso de fundamentação vinculada, não lhe sendo aplicável o brocardo iura novit curia e, portanto, ao relator, por esforço hermenêutico, não cabe extrair da argumentação qual dispositivo teria sido supostamente contrariado a fim de suprir deficiência da fundamentação recursal, cuja responsabilidade é inteiramente do recorrente" (AgInt no AREsp n. 2.025.474/MS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 10/10/2022, DJe de 17/10/2022). 2. A citação no recurso especial do artigo de lei federal malferido deve ser clara e precisa, o que não ocorreu no julgado em apreciação. Há referências a dispositivos legais na petição, contudo não fica claro qual foi desrespeitado no julgamento. Nesse cenário, é, de fato, hipótese de aplicação da Súmula 284/STF. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.692.483/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, julgado em 26/2/2025, DJEN de 6/3/2025.) No caso, a parte recorrente limitou-se a fazer menção a dispositivos da Lei n. 13.988/2020, especialmente ao seu art. 7º, aos arts. 111 e 171 do CTN e a atos normativos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Não desenvolveu argumentos tendentes a demonstrar, especificamente, na presente hipótese, eventualmente, em que medida teria havido ofensa a cada um dos dispositivos de lei federal apenas mencionados nas razões de recurso especial. Incide no caso, pois, por analogia, o óbice da Súmula 284 do STF. Além disso, c abe registrar que a via excepcional não se presta para análise de ofensa a resolução, portaria, regimento interno ou instrução normativa, atos administrativos que não se enquadram no conceito de lei federal. Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SOBRE O QUAL RECAI A CONTROVÉRSIA. SÚMULA 284/STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Incide o óbice da Súmula 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de decretos na peça recursal não supre a exigência constitucional. 2. O Superior Tribunal de Justiça entende não ser "possível, pela via do Recurso Especial, a análise de eventual ofensa a decreto regulamentar, resoluções, portarias ou instruções normativas, por não estarem tais atos administrativos compreendidos no conceito de lei federal, nos termos do art. 105, III, da Constituição Federal" (AgInt no REsp 1.832.794/RO, rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/11/2019). 3. Esta Corte Superior consolidou o entendimento no sentido de que sua missão é a de uniformizar a interpretação das leis federais, nos termos do art. 105 da Constituição Federal, não sendo sua atribuição constitucional apreciar normas infralegais, tais como resoluções, portarias, regimentos internos, regulamentos, que não se enquadram no conceito de lei federal.4. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no REsp n. 2.133.304/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 14/11/2024.) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO INTERNO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. PERT. PROGRAMA DE PARCELAMENTO. NECESSIDADE DE DESISTÊNCIA PRÉVIA AOS RECURSOS ADMINISTRATIVOS APENAS PREVISTA NA RESOLUÇÃO CGSN N. 138/2018. NORMA QUE NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO QUANTO A ESTA MATÉRIA. ACLARATÓRIOS ACOLHIDOS COM EFEITOS MODIFICATIVOS. 1. No caso dos autos, verifica-se que toda a argumentação do embargado, em seu Recurso Especial (fls. 1.642-1.651, e-STJ), de que a desistência aos recursos administrativos precisa ser prévia para se aderir ao parcelamento administrativo do débito, se fundamenta na Resolução CGSN n. 138 de 19 de abril de 2018, a qual traz a exigência da desistência prévia. 2. Contudo, o embargante, nas Contrarrazões ao Recurso Especial (fl. 1.668, e-STJ), já havia alegado que a norma apontada por violada (Resolução CGSN n. 138/2018) é ato infralegal e não se enquadra no conceito de lei federal. Dessa forma, verifica-se que houve omissão ao não se apreciar o fundamento do embargante apresentado nas Contrarrazões ao Recurso Especial, o que agora se supre. 3. Com efeito, o STJ possui entendimento de que o Recurso Especial não constitui via adequada para a análise, sequer reflexa, de eventual ofensa às resoluções, portarias ou instruções normativas, por não estarem tais atos normativos compreendidos na expressão "Lei Federal", constante da alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. Dessa forma, o Recurso Especial não merece conhecimento. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.931.901/SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 30/3/2022, AgInt no AREsp n. 1.818.479/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 15/12/2021, AgInt no REsp n. 1.728.134/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 2/9/2019 e AgInt no REsp n. 1.877.210/SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 5/5/2022. .. 6. Embargos de Declaração acolhidos, atribuindo-se-lhes excepcionalmente efeitos modificativos, para prover o Agravo Interno do embargante e conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação aos arts. 489 e 1.022, II do CPC/15, para, nessa extensão, negar-se-lhe provimento. (EDcl no AgInt nos EDcl no REsp n. 1.932.247/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de 24/1/2024.) Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Sem fixação de honorários recursais, porquanto se trata de recurso interposto em autos de mandado de segurança. Publique-se. Intimem-se. EMENTA