AREsp 2498432 - DECISAO
O recapeamento/pavimentação de vias urbanas não se enquadra como 'ação social' nos termos do art. 26 da Lei 10.522/2002 e dos arts. 25 da Lei Complementar n.101/2000; por esse fundamento e em conformidade com a jurisprudência dominante do STJ, o recurso especial deve ser conhecido em parte e provido para reconhecer...
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- Parties
- Agravante: FAZENDA NACIONAL; Recorrido: Município
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecido; Recurso Especial Conhecido Em Parte E Provido Nessa Extensão
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, provido
- Legal Topics
- Transferências Voluntárias De Recursos, Convênios, Ações Sociais, Suspensão De Restrições Cadastrais (siafi/cauc), Recurso Especial, Súmulas Do STJ
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Agravante
Município
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecido; Recurso Especial Conhecido Em Parte E Provido Nessa Extensão
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do acórdão nos termos do art. 1.022 do CPC
- 2 Admissibilidade do recurso especial e competência para discutir matéria constitucional (art. 105, III, a, CF)
- 3 Se obras de pavimentação/recapeamento configuram 'ações sociais' para fins do art. 26 da Lei 10.522/2002 e arts. 25 da LC 101/2000
Ratio Decidendi
O recapeamento/pavimentação de vias urbanas não se enquadra como 'ação social' nos termos do art. 26 da Lei 10.522/2002 e dos arts. 25 da Lei Complementar n.101/2000; por esse fundamento e em conformidade com a jurisprudência dominante do STJ, o recurso especial deve ser conhecido em parte e provido para reconhecer a impossibilidade da celebração de convênio para transferência voluntária de recursos da União ao Município para a finalidade em tela.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, provido
Orders
- Conheço do agravo
- Conheço parcialmente do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo manejado pela FAZENDA NACIONAL contra decisão que negou admissibilidade ao recurso especial sob os seguintes fundamentos: (i) ausência de falta de prestação jurisdicional; (ii) não demonstração da violação ao art. 105, III, "a", da Constituição Federação, visto que não teria sido apontada claramente a violação a lei federal, tendo a recorrendo sugerido inclusivo que teria ocorrido violação constitucional; (iii) impossibilidade de análise de controvérsia constitucional em sede de recurso especial; (iv) julgado recorrido de acordo com a jurisprudência do STJ no AgInt no ARESP 948.690 e no AgInt no REsp 1.694.323; (v) impossibilidade de revolvimento de matéria fático-probatória em sede de recurso especial em razão do óbice das Súmulas n. 5 e 7 do STJ; (vi) acórdão recorrido conforme o entendimento do STF em casos que tais; (vii) matéria submetida à sistemática da repercussão geral no Tema 327 do STF. Em relação aos termas de ordem constitucional, sobretudo quanto à repercussão geral, Tema 327 do STF, houve oposição de agravo interno na origem. A agravante insurge-se contra a decisão agravada reiterando a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC, eis que o acórdão recorrido, a despeito da oposição de embargos de declaração, teria incorrido em omissão quanto ao art. 25 da LC n. 101/2000, quando ao objeto do convênio em tela que pretende a realização de obras de pavimentação e recapeamento asfáltico na cidade. Aduz, outrossim, que nas razões do recurso especial não há alegação de violação a dispositivo da Constituição Federal, tratando o recurso apelas de matéria infraconstitucional, relativamente à ofensa aos arts. 26, § 2º da Lei 10. 522 e art. 25, § 1º, IV, "a", e § 3º, e art. 51, § 2º da Lei Complementar nº 101/2000. Alega, também, que não há pacificação da jurisprudência do STJ sobre o tema de fundo, sendo inaplicável o óbice da Súmula n. 83 do STJ. Cita precedentes do STJ que são favoráveis à pretensão fazendária, v.g.: AgRg no REsp 1.439.326; REsp 1.527.308; AgRg no REsp. 1.490.020/PE, AgRg no REsp.1.439.326/PE; REsp. 1.372.942/AL; AgRg no REsp n. 1.457.430/SE. Por fim, ressalta a inaplicabilidade das Súmulas n. 5 e 7 do STJ quando a pretensão não demanda reexame de provas, mas apenas aplicação da lei e da jurisprudência que, no caso em tela, seria no sentido de que o repasse para fins de recapeamento de vias urbanas não se enquadra no conceito de ação social para fins de aplicação da exceção prevista no art. 26 da Lei nº 10.522/2002. Requer o conhecimento do agravo para que seja provido o recurso especial. Contrarrazões às fls. 268-281 e-STJ. É o relatório. Passo a decidir. A agravante impugnou adequadamente os fundamentos da decisão agravada, razão pela qual conheço do agravo e passo ao exame do recurso especial. Primeiramente, afasto a alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre a matéria posta em debate, na medida necessária para o deslinde da controvérsia. Confira-se (fls. 171 e-STJ): ADMINISTRATIVO. CONVÊNIO FIRMADO ENTRE MUNICÍPIO E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA DE RECURSOS FEDERAIS DESTINADOS A AÇÕESDE CARÁTER SOCIAL. CONCEITO AMPLO. SENTENÇA CONFIRMADA. I - A jurisprudência consolidada deste egrégio Tribunal é no sentido de que são permitidas transferências e formalização de convênios voltados para ações sociais, ainda que haja registros de inadimplência do ente beneficiário, no intuito de preservar o interesse público e não penalizar toda a população. II - Ademais, não se pode dar uma interpretação restritiva ao termo "ações sociais" presente na Lei Complementar 101 e na Lei nº 10.522/02, devendo abranger ações destinadas à educação, saúde, assistência social, saneamento, urbanização, infraestrutura e melhoria das condições de vida da população. III - Na espécie, não resta a menor dúvida quanto à natureza social das obras de infraestrutura urbana que constituem objeto do contrato de repasse firmado entre a União e o Município Goiânia/GO consubstanciadas na pavimentação de bairros daquela cidade, uma vez que resultará em melhorias na qualidade de vida dos munícipes. IV - Apelação e remessa oficial desprovidas. Sentença confirmada. Não há que se falar, portanto, em negativa de prestação jurisdicional, visto que tal somente se configura quando, na apreciação de recurso, o órgão julgador insiste em omitir pronunciamento sobre questão que deveria ser decidida, e não foi. De comum sabença, cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso (c.f. AgRg no AREsp 107.884/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, DJe 16/05/2013), não estando obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pela parte quando já encontrou fundamento suficiente para decidir a controvérsia (c.f. EDcl no AgRg no AREsp 195.246/BA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 04/02/2014). Relembre-se, conjuntamente, que a motivação contrária ao interesse da parte não se traduz em maltrato ao artigo 1.022 do CPC/2015. Registro, outrossim, a impossibilidade de exame de ofensa a dispositivos da Constituição Federal em sede de recurso especial, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal no âmbito do recurso extraordinário. Quanto ao mérito, a recorrente alega que houve ofensa ao art. 26, § 2º, da Lei 10.522/2002, 25, § 1º, IV, "a", e § 3º, e art. 51, § 2º, da LC n. 101/2000. Alega que o convênio em tela objetiva a realização de obras de pavimentação e recapeamento asfáltico, hipótese não abarcada na exceção legal para transferências voluntárias ao município. Aduz que as exceções previstas no ordenamento jurídico aptas a afastarem as sanções por descumprimento de normas financeiras devem ser interpretadas de forma restritiva, teleológica e sistemática. Assiste razão à recorrente. Com efeito, no caso específico de recapeamento asfáltico de vias urbanas/pavimentação, como é o caso dos autos, conforme consta do acórdão recorrido (o que, inclusive, afasta os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ) esta Corte já se manifestou no sentido de entender que tal finalidade não se enquadra entre as exceções legalmente previstas nos arts. 25, caput, § § 1º e 3º, da Lei Complementar nº 101/2000, e 26 da Lei nº 10.522/2002, para fins de suspensão das restrições e pendências do CAUC/FIAFI a fim de viabilizar a transferência de recursos via convênio, sendo certo que as exceções não podem ser ampliadas a ponto de abarcar situações que o legislador não previu. Nesse sentido: AgRg no REsp 1457430/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 03/12/2015, DJe 15/12/2015; REsp 1.372.942/AL, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 11.4.2014; REsp 1.527.308/CE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 5/8/2015; AgRg no REsp 1.457.430/SE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 15/12/2015; e REsp nº 1.845.224/GO, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/5/2020. A propósito: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSOESPECIAL. AÇÃO MOVIDA POR MUNICÍPIO QUE OBJETIVA A LIBERAÇÃO DEVERBA FEDERAL PARA PAVIMENTAÇÃO DE VIAS URBANAS. INSCRIÇÃO NOSIAFI/CAUC. SITUAÇÃO QUE NÃO SE COADUNA COM O CONCEITO DE AÇÃOSOCIAL PREVISTO NO ART. 26 DA LEI 10.522/2002. ACÓRDÃO RECORRIDO EMCONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NESTA CORTESUPERIOR. INCIDÊNCIA SÚMULA 83 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DO MUNICÍPIO A QUESE NEGA PROVIMENTO. 1. A Lei Complementar 101/2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, prevê em seu art.25 a proibição de repasse de verbas para aqueles entes que se encontrem em situação irregular 2. Por sua vez, o art. 26 da Lei 10.522/2002 dispõe que fica suspensa a restrição para transferência de recursos federais a Estados, Distrito Federal e Municípios destinados à execução de ações sociais ou ações em faixa de fronteira, em decorrência de inadimplementos objetos de registros no CADIN e no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal- SIAFI. 3. E não é outro o entendimento desta Corte Superior, segundo o qual a inscrição de Município junto ao SIAFI ou CAUC deve ter seus efeitos suspensos somente quando os repasses visarem execução de ações sociais ou em faixa de fronteira. 4. Ressalte-se, entretanto, que a interpretação da expressão ações sociais não pode estender-se a ponto de abarcar situações que o legislador não previu. Seu conceito, para o fim da Lei 10.522/2002 (CADIN), deve decorrer de interpretação restritiva, teleológica e sistemática. 5. In casu, trata-se de liberação de verbas federais para a execução de serviços de pavimentação de vias públicas (direito relacionado à infraestrutura urbana e aos serviços sociais previstos no art. 2o. da Lei10.257/2001 - Estatuto das Cidades), que não se enquadra no conceito de ação social previsto no art. 26 da Lei 10.522/2002. Precedentes: AgRg noREsp. 1.490.020/PE, AgRg no REsp.1.439.326/PE, REsp. 1.372.942/AL. 6. Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE PROPRIÁ/SE a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1457430/SE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 03/12/2015, DJe 15/12/2015) (Grifei) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. REPASSE DE VERBA PELA UNIÃO. RESTRIÇÃO CADASTRAL NO SIAFI. SUSPENSÃO DOS EFEITOS APENAS QUANTO AOS REPASSES QUE VISEM À EXECUÇÃO DE AÇÕES SOCIAIS OU EM FAIXA DE FRONTEIRA. ART. 26 DA LEI 10.522/2002. ABRANGÊNCIA DO TERMO "AÇÕES SOCIAIS". NÃO INCLUSÃO DE OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO. 1. Cuida-se de inconformismo com acórdão do Tribunal de origem que reconheceu a pretensão do município recorrido, considerando que "a implantação do Corredor Goiás, denominado BRT Norte Sul no Município de Goiânia - GO, que tem o propósito de melhorar a qualidade e a segurança do serviço de transporte coletivo oferecido aos munícipes, reveste-se de natureza social e integra às exceções dos arts. 25, § 3º, da Lei de Responsabilidade Fiscal e 26 da Lei 10.522/2002". 2. Trata-se, na origem, de Ação Ordinária proposta pelo município recorrido com o objetivo de tornar sem efeito a inscrição de seu nome em cadastros restritivos para o fim de receber recursos do Programa de Aceleração do Crescimento destinados ao Programa de Mobilidade Urbana Grandes Cidades, do Ministério das Cidades, a fim de implantar o corredor norte-sul. 3. Argumenta, a União, em apertada síntese, que "o objeto do contrato em tela tem como objetivo a pavimentação de vias do município, tratando-se, portanto, de desenvolvimento urbano, não se subsumindo na exceção legal (ação social)". 4. A suspensão da restrição para a transferência de recursos federais aos Estados, Distrito Federal e Municípios trata de norma de direito financeiro e é exceção à regra, estando limitada às situações previstas no próprio artigo 26 da Lei 10.522/2002 (execuções de ações sociais ou ações em faixa de fronteira). A interpretação da expressão "ações sociais" não pode ser abrangente a ponto de abarcar situações que o legislador não previu. Sendo assim, o conceito da expressão "ações sociais", para o fim da Lei 10.522/2002, deve ser resultado de interpretação restritiva, teleológica e sistemática, mormente diante do fato de que qualquer ação governamental em prol da sociedade pode ser passível de enquadramento no conceito de ação social. 5. O termo "ação social" presente na mencionada lei diz respeito às ações que objetivam o atendimento dos direitos sociais assegurados aos cidadãos, cuja realização é obrigatória por parte do Poder Público, como aquelas mencionadas na Constituição Federal, nos artigos 6º, 193, 194, 196, 201, 203, 205, 215 e 217 (alimentação, moradia, segurança, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados, ordem social, seguridade social, saúde, previdência social, assistência social, educação, cultura e desporto). 6. O direito à infraestrutura urbana e aos serviços públicos, os quais abarcam a pavimentação e a drenagem de vias públicas, compõem o rol de prerrogativas que dão significado à garantia das cidades sustentáveis, conforme previsão do art. 2º da Lei 10.257/2001 - Estatuto das Cidades. Apesar disso, conforme a fundamentação supra, a pavimentação e drenagem de vias públicas não pode ser enquadrada no conceito de ação social previsto no art. 26 da Lei 10.522/2002. Nesse sentido: REsp 1.372.942/AL, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 11.4.2014; REsp 1.527.308/CE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 5/8/2015; AgRg no REsp 1.457.430/SE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 15/12/2015; . 7. Recurso Especial provido. (REsp n. 1.845.224/GO, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/5/2020) (Grifei) Portanto, tendo o acórdão recorrido manifestado entendimento frontalmente contrário à jurisprudência desta Corte, o recurso especial merece provimento para reconhecer a impossibilidade da celebração de convênio para transferência voluntária de recursos da União para o Município para a finalidade em tela. Consoante a Súmula n. 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III e V, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, II, c, do RISTJ, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento, nos termos da fundamentação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E FINANCEIRO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPASSE DE VERBA PELA UNIÃO. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS. RESTRIÇÃO CADASTRAL NO SIAFI. SUSPENSÃO DOS EFEITOS QUANTO AOS REPASSES QUE VISEM À EXECUÇÃO DE AÇÕES SOCIAIS OU EM FAIXA DE FRONTEIRA. ART. 26 DA LEI 10.522/2002. ABRANGÊNCIA DO TERMO "AÇÕES SOCIAIS". NÃO INCLUSÃO DE OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO/RECAPEAMENTO DE VIAS PÚBLICAS. PRECEDENTES. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO.