AREsp 2673220 - DECISAO
Conheceu-se do agravo em parte e, no mérito do recurso especial, concluiu-se pela inexistência de nulidade por omissão ou negativa de prestação jurisdicional (arts. 489 e 1.022 CPC), porquanto o acórdão recorrido fundamentou a impossibilidade de pagamento retroativo nas hipóteses discutidas à luz das Emendas...
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- Parties
- Agravante: UNIÃO; Agravado: SERVIDORES DO EX-TERRITÓRIO DE RONDÔNIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Em Parte E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo em parte e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Transposição Funcional De Servidores, Pagamento De Diferenças Remuneratórias (retroatividade), Emenda Constitucional Nº 60/2009, Emenda Constitucional Nº 79/2014, Marco Temporal Do Enquadramento, Regulamentação (mp 660/2014 E Lei 13.121/2015)
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Parties
UNIÃO
Agravante
SERVIDORES DO EX-TERRITÓRIO DE RONDÔNIA
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Em Parte E Negativa De Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada omissão e deficiência na fundamentação do acórdão (arts. 489 e 1.022 do CPC)
- 2 Possibilidade de pagamento retroativo de diferenças remuneratórias decorrentes da transposição
- 3 Competência do STJ para apreciar tese de cunho eminentemente constitucional
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em parte e, no mérito do recurso especial, concluiu-se pela inexistência de nulidade por omissão ou negativa de prestação jurisdicional (arts. 489 e 1.022 CPC), porquanto o acórdão recorrido fundamentou a impossibilidade de pagamento retroativo nas hipóteses discutidas à luz das Emendas Constitucionais nº 60/2009 e nº 79/2014 e da regulamentação subsequente; ademais, a matéria é de natureza eminentemente constitucional, não passível de reexame pelo STJ, motivo pelo qual o recurso especial foi negado provimento; majoraram-se honorários em 2% com base no art. 85, § 11, CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do agravo em parte e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em 2% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial interposto pela UNIÃO contra decisão que inadmitiu o recurso especial, com fundamento na ausência de afronta aos artigos 489 e 1.022 do CPC, na impossibilidade de análise, em sede de recurso especial, de violação à norma constitucional bem como pela incidência da Súmula 7/STJ. Alega a agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. O acórdão recorrido foi assim ementado: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. SERVIDORES DO EX-TERRITÓRIO DE RONDÔNIA. TRANSPOSIÇÃO FUNCIONAL PARA QUADRO EM EXTINÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. ART. 89 DO ADCT. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 60/2009. PAGAMENTO DE DIFERENÇAS REMUNERATÓRIAS. VEDAÇÃO DE PAGAMENTO ANTERIOR AO ATO DE ENQUADRAMENTO PREVISTA NA EMENDA CONSTITUCIONAL 79/2014. NOVA PARAMETRIZAÇÃO. OBSERVÂNCIA DAS DATAS DE 01/01/2014 E 01/03/2014 (ART. 2º DA LEI Nº 12.800/2003) PARA AS OPÇÕES FORMALIZADAS ANTES DA EC Nº 79/2014. PREVALÊNCIA DO DIREITO ADQUIRIDO. APELAÇÃO PROVIDA .. (fl. 305). Recurso especial fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, por meio do qual sustenta a recorrente a existência de afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC bem como ao art. 2º da Lei 12.800/2013 (fl. 370). Aduz, em síntese, a existência de omissão e deficiência na fundamentação do acórdão recorrido no que tange ao pagamento de valores retroativos decorrentes da transposição e que: É nesse momento, no qual a parte autora confirma seu interesse na transposição, que começam os efeitos financeiros, nos estritos termos da Lei e regulamento que tratam da transposição, conforme se infere do artigo 2º da Lei 12.800/13, transcrito adiante, vigente por ocasião da transposição. O acórdão recorrido, portanto, ignorou a vedação peremptória legal e constitucional à pretensão de pagamentos retroativos (fl. 372). Contrarrazões às fls. 377-387. Após a decisão de fl. 421, a parte recorrida foi intimada para manifestação sobre a proposta de acordo de fls. 419-420, a qual foi recusada por meio da petição de fls. 426-428. É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. O recurso não merece prosperar. Quanto à apontada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC, não há nulidade por omissão, tampouco negativa de prestação jurisdicional, no acórdão que decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. No caso, o Tribunal de origem dirimiu as questões pertinentes ao litígio de forma suficientemente ampla e fundamentada, consignando que: .. se por um lado a Emenda Constitucional nº 60/2009 vedou a possibilidade de pagamento retroativo de valores anteriores à própria opção do servidor, as normas regulamentadoras possibilitaram a fixação desse pagamento a partir de 01/01/2014 e 01/03/2014, obviamente para as hipóteses em que as respectivas opções antecedessem a essas datas. Conferindo nova regulação à matéria, a Emenda Constitucional nº 79/2014 fixou, em seu art. 4º, o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para que a União regulamentasse "o enquadramento de servidores estabelecido no art. 31 da Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, e no art. 89 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias", com a ressalva de que, no "caso de a União não regulamentar o enquadramento previsto no caput, o optante tem direito ao pagamento retroativo das diferenças remuneratórias desde a data do encerramento do prazo para a regulamentação referida neste artigo." (parágrafo único) Já o art. 9º da referida EC nº 79/2014 passou a consignar que essa vedação de pagamento retroativo alcançaria as parcelas anteriores ao enquadramento, ou seja, apenas a partir da promulgação da EC nº 79/2014 é que se definiu de forma concreta que o marco temporal da vedação à retroação dos efeitos financeiros seria a data do enquadramento do servidor, mantendo-se, entretanto, a ressalva de permitir essa retroação nas hipóteses em que a Administração não efetivasse a regulamentação da matéria no prazo estabelecido no seu art. 4º. Em seguida, sobreveio a MP nº 660/2014, convertida na Lei nº 13.121/2015, regulamentando a matéria dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias estabelecido pela EC nº 79/2014. Com isso, afastou-se a ressalva quanto à única possibilidade prevista na EC nº 79/2014 para o pagamento de parcelas anteriores ao enquadramento, para os servidores que efetuaram a opção na vigência da referida emenda constitucional. Com efeito, se é certo que a Emenda Constitucional nº 60/2009, desde o início, estipulou a vedação ao pagamento de diferenças remuneratórias em favor dos servidores transpostos, é igualmente correta a constatação de que a redação por ela conferida ao art. 89 do ADCT também previu que a transposição do servidor seria efetivada mediante sua opção pelo novo enquadramento funcional. Assim, conclui-se pela impossibilidade de pagamentos retroativos à data da opção e não necessariamente à da efetivação do enquadramento (fls. 302-303). Assim, inexiste violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. Ademais, o tema tratado no recurso especial passa pela análise de dispositivos dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, de modo que é incabível o recurso especial porque a tese recursal é eminentemente constitucional, ainda que se tenha indicado nas razões do recurso especial violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Esta Corte Superior firmou o entendimento de que: .. apesar de ter sido invocado dispositivo legal, o fundamento central da matéria objeto da controvérsia e as teses levantadas pelos recorrentes são de cunho eminentemente constitucional. Descabe, pois, ao STJ examinar a questão, porquanto reverter o julgado significa usurpar competência do STF" (REsp 1.655.968/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 2/5/2017). Nesse mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas: AREsp 2.578.760/RO, relator Ministro Teodoro Silva Santos, DJe de 29/5/2024; AREsp 2.606.052/RO, relator Ministro Sérgio Kukina, DJe de 21/6/2024; AREsp 2.574.422/RO, relatora Ministra Presidente do STJ, DJe de 24/5/2024. Isso posto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a e b, do RISTJ, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA