AREsp 2925075 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a Corte de origem fundamentadamente concluiu que o veredito absolutório contrariou as provas (art. 593, III, "d", CPP), a matéria implicaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ, e o recorrente não demonstrou o dissídio...
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- Parties
- Recorrente: FRANCISCO DE ASSIS DUARTE DO NASCIMENTO; Tribunal De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS; Interviniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Admissibilidade / Julgamento Do Agravo E Exame De Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Tribunal Do Júri, Veredito Absolutório, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Prequestionamento, Súmula 7/stj
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Parties
FRANCISCO DE ASSIS DUARTE DO NASCIMENTO
Recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS
Tribunal De Origem
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interviniente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Admissibilidade / Julgamento Do Agravo E Exame De Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se o veredito absolutório do Tribunal do Júri foi manifestamente contrário às provas dos autos (art. 593, III, "d", CPP)
- 2 Se o recurso especial foi devidamente instruído para demonstrar dissídio jurisprudencial
- 3 Se houve prequestionamento das matérias invocadas, incluindo súmulas do STF
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a Corte de origem fundamentadamente concluiu que o veredito absolutório contrariou as provas (art. 593, III, "d", CPP), a matéria implicaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ, e o recorrente não demonstrou o dissídio jurisprudencial nem prequestionou adequadamente as matérias apontadas; ademais, a demonstração do dissídio limitou-se à transcrição de ementa, sendo insuficiente, e não foram opostos embargos de declaração para sanar omissões.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por FRANCISCO DE ASSIS DUARTE DO NASCIMENTO, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, assim ementado (fls. 1.469-1.470): "PENAL E PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. DECISÃO ABSOLUTÓRIA DO TRIBUNAL DO JÚRI MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA ÀS PROVAS DOS AUTOS. ANULAÇÃO DO JULGAMENTO. RECURSO PROVIDO". Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta dissídio jurisprudencial e violação do art. 593, III, "d", do CPP. Aduz para tanto, em síntese, que o veredito absolutório não seria manifestamente contrário às provas dos autos, de maneira que o Tribunal local não poderia cassá-lo para submeter o réu a novo júri. Com contrarrazões (fls. 1.503-1.510), o recurso especial foi inadmitido na origem (fls. 1.516-1.519), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não conhecimento do recurso (fls. 1.577-1.580). É o relatório. Decido. O agravo impugna adequadamente os fundamentos da decisão agravada, devendo ser conhecido. Passo, portanto, ao exame do recurso especial propriamente dito. Este, todavia, não supera o juízo de admissibilidade. Sobre o tema em debate, a Corte de origem explicou motivadamente que o veredito absolutório contrariou, sim, as provas dos autos. É o que se colhe do acórdão recorrido (fl. 1.461): "Todavia, a análise detida dos elementos probatórios evidencia a existência de um conjunto robusto de provas que sustentam a versão acusatória. O Ministério Público apresentou, entre outros, depoimentos de corréus que demonstram a participação ativa do Recorrido na execução do crime. Em especial, destaca-se o depoimento de LUCIANO GOMES SANTOS ALMEIDA e DEUZIRAN DA SILVA SOUSA, os quais detalham a organização e atuação do grupo responsável pelo homicídio, atribuindo ao Recorrido o papel de executor. Também são relevantes os testemunhos colhidos em juízo, como os de LUCAS BASTOS DA SILVA e VITOR MANUEL SOUSA DA COSTA, que corroboram as atividades do grupo criminoso e confirmam a ligação entre seus membros. Além disso, laudos periciais, como o Exame Necroscópico e o Laudo Pericial do Local de Morte Violenta, são congruentes com a narrativa acusatória e reforçam a materialidade e autoria do delito. Embora a soberania dos veredictos do Tribunal do Júri seja princípio constitucional garantido, a legislação processual penal admite a anulação de decisão do Conselho de Sentença quando este se revela manifestamente contestado às provas dos autos, conforme previsto no artigo 593, inciso III, cláusula "d", do Código de Processo Penal". Assim, a inversão do julgado, no ponto, demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência inviável nesta instância especial, nos termos da Súmula 7/STJ. Isso porque compete ao Tribunal de apelação a tarefa de identificar se há ou não provas que se alinham ao veredito dos jurados e, havendo no acórdão o exame motivado dessa questão, a conclusão da instância ordinária não é passível de alteração na via especial. A propósito: "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO E LESÃO CORPORAL. ALEGADA NULIDADE NA SESSÃO DE JULGAMENTO PELO JÚRI. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. PEDIDO ABSOLUTÓRIO. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. EXCESSO NÃO VERIFICADO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. A Corte de origem constatou que não há contrariedade manifesta entre o veredito condenatório e as provas dos autos, tendo indicado provas que se alinham à versão acolhida pelo júri. Incidência da Súmula 7/STJ. .. 5. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 2.514.233/TO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 9/4/2024, DJe de 16/4/2024.) "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182/STJ. DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE FUNDADA NA SÚMULA N. 83/STJ. INDICAÇÃO DE PRECEDENTES CONTEMPORÂNEOS OU SUPERVENIENTES. AUSÊNCIA. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. TRIBUNAL DE JÚRI. CONTROLE JUDICIAL DE VEREDICTOS ABSOLUTÓRIOS PROFERIDOS PELO CONSELHO DE SENTENÇA EM RESPOSTA AFIRMATIVA AO QUESITO DA ABSOLVIÇÃO GENÉRICA. QUESITO DE CLEMÊNCIA POSSIBILIDADE. DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. SOBERANIA DOS VEREDICTOS. NÃO ABSOLUTA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 7. No caso, a Corte local demonstrou fundamentadamente que a decisão do Tribunal do Júri foi manifestamente contrária à prova dos autos. Nesse contexto, a desconstituição da conclusão adotada pelo Tribunal de origem, no intuito de abrigar a pretensão de restabelecimento do veredicto absolutório, fundado na alegação de que a decisão dos jurados não se revela manifestamente contrária à prova dos autos, demandaria necessariamente aprofundado revolvimento de fatos e provas, providência vedada em sede de recurso especial. Incidência da Súmula n. 7/STJ. 8. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.346.767/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 14/8/2023.) "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUNAL DO JÚRI. ABSOLVIÇÃO. NEGATIVA DE AUTORIA. TESE SUSTENTADA EM PLENÁRIO E ACOLHIDA PELO CONSELHO DE SENTENÇA. SOBERANIA DOS VEREDITOS. CONCLUSÃO EM SENTIDO DIVERSO. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 4. Não cabe ao Tribunal a quo, tampouco a esta Corte Superior, valorar as provas dos autos e decidir pela tese prevalente, sob pena de violação da competência constitucional conferida ao Conselho de Sentença. 5. Dessa forma, não é possível alterar as premissas fáticas estabelecidas pelas instâncias ordinárias, em razão do óbice da Súmula n. 7 do STJ. Precedentes. 6. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp n. 1.902.885/AP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 19/4/2023.) Já os argumentos defensivos sobre a existência de um suposto álibi, sobre a interpretação dos depoimentos de Vitor, Júlio e Meire e sobre contradições no relato de Luciano não foram examinados pelo acórdão recorrido, carecendo de prequestionamento. Tampouco foram opostos embargos de declaração para buscar o pronunciamento da Corte de origem sobre esses assuntos. Destarte, a incidência das Súmulas 282 e 356/STF impede o conhecimento do recurso especial no ponto. Ressalte-se que, consoante o entendimento desta Corte Superior, mesmo as matérias de ordem pública exigem prequestionamento. Nesse sentido: "PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. NECESSÁRIO DEMONSTRAR PREJUÍZO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. NULIDADE. IRRELEVÂNCIA. NECESSIDADE DE PREENCHIMENTO DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. I - A ausência de impugnação dos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial impõe o não conhecimento do agravo em recurso especial. II - In casu, parte agravante deixou de infirmar, de maneira adequada e suficiente, as razões apresentadas pelo eg. Tribunal de origem para negar trânsito ao recurso especial com relação à incidência das Súmulas 282, 356 e 284, todas do STF. III - "A alegação de que seriam matérias de ordem pública ou traduziriam nulidade absoluta não constitui fórmula mágica que obrigaria as Cortes a se manifestar acerca de temas que não foram oportunamente arguidos ou em relação aos quais o recurso não preenche os pressupostos de admissibilidade" (AgRg no AREsp n. 982.366/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 12/03/2018). Agravo regimental desprovido". (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.721.960/SC, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 20/10/2020, DJe de 12/11/2020.) Além disso, a demonstração do alegado dissídio se restringiu à mera transcrição da ementa de um acórdão (fls. 1.486-1.487), o que não se admite. É absolutamente indispensável o efetivo cotejo analítico entre os arestos impugnado e paradigma, com o exame da identidade ou similitude fática entre estes, nos moldes legais e regimentais, o que não foi feito neste caso. Nesse sentido: "Ademais, para a demonstração do dissídio, não basta a simples transcrição da ementa ou voto do acórdão paradigma; faz-se necessário o cotejo analítico entre o aresto recorrido e o divergente, com a demonstração da identidade das situações fáticas e a interpretação diversa emprestada ao mesmo dispositivo de legislação infraconstitucional. Precedentes." (AgRg no AREsp n. 1.622.044/DF, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 5/5/2020, DJe de 29/6/2020.) Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "a", do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA