HC 1005347 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus foi utilizado como substitutivo de recurso próprio sem demonstrar teratologia ou flagrante ilegalidade; o Juízo de origem certificou a inexistência de comunicação entre jurados; a defesa não arguiu a nulidade no momento oportuno, havendo preclusão; não...
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- Parties
- Agravante/paciente: DAVI MONTEIRO DE CARVALHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada (negado Provimento)
- Outcome
- Agravo regimental negado provimento
- Legal Topics
- Tribunal Do Júri, Incomunicabilidade De Jurados, Nulidade Processual, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Preclusão, Reexame Probatório
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Parties
DAVI MONTEIRO DE CARVALHO
Agravante/paciente
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Decisão Colegiada (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 nulidade por suposta quebra da incomunicabilidade entre testemunha e jurados
- 3 preclusão por não arguição imediata da nulidade
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o habeas corpus foi utilizado como substitutivo de recurso próprio sem demonstrar teratologia ou flagrante ilegalidade; o Juízo de origem certificou a inexistência de comunicação entre jurados; a defesa não arguiu a nulidade no momento oportuno, havendo preclusão; não foi comprovado prejuízo efetivo decorrente da alegada quebra da incomunicabilidade; e seria necessário revolvimento probatório, vedado na via eleita.
Court Disposition
Agravo regimental negado provimento
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão agravada pelos seus próprios e jurídicos fundamentos
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/08/2025 a 27/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DO JULGAMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI. INCOMUNICABILIDADE ENTRE TESTEMUNHA E OS JURADOS. NÃO OCORRÊNCIA. REVOLVIMENTO PROBATÓRIO. 1. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe habeas corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (relator Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25/8/2020). 2. Inexistência de flagrante ilegalidade que autorize a concessão da ordem de ofício, pois, nos processos de competência do Tribunal do Júri, as nulidades do julgamento em plenário devem ser arguidas logo após sua ocorrência, sob pena de preclusão, consoante determina o art. 571, V e VIII, do Código de Processo Penal, sendo indispensável que a irresignação da parte esteja consignada na ata de julgamento. 3. Além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se formou no sentido de que não se reconhece nulidade, ainda que absoluta, sem prova do efetivo prejuízo. 4. Agravo improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por DAVI MONTEIRO DE CARVALHO contra a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 14 anos e 2 meses de reclusão em regime inicial fechado, pela prática do crime de homicídio qualificado, nos termos do art. 121, § 2º, IV, do Código Penal, em julgamento realizado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Peixe/TO, após 30 anos de espera. Nas razões do agravo, a defesa repisa os fundamentos expendidos na petição inicial, sustentando que houve nulidade absoluta no julgamento devido à quebra da incomunicabilidade entre a testemunha, filha da vítima, e os jurados, comprometendo a imparcialidade do Conselho de Sentença. Sustenta que a testemunha de acusação, Iraci Alves de Barros, dirigiu-se diretamente aos jurados durante seu depoimento, influenciando emocionalmente o julgamento, o que violou os princípios da imparcialidade e da incomunicabilidade, conforme previsto nos arts. 466, § 1º, do Código de Processo Penal e 8º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Requer, ao final, a reconsideração da decisão ou a submissão do pleito ao colegiado, para declarar a nulidade do julgamento realizado e a designação de nova sessão de julgamento perante o Tribunal do Júri, com observância das garantias constitucionais e legais do acusado. É o relatório. EMENTA DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DO JULGAMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI. INCOMUNICABILIDADE ENTRE TESTEMUNHA E OS JURADOS. NÃO OCORRÊNCIA. REVOLVIMENTO PROBATÓRIO. 1. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe habeas corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (relator Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25/8/2020). 2. Inexistência de flagrante ilegalidade que autorize a concessão da ordem de ofício, pois, nos processos de competência do Tribunal do Júri, as nulidades do julgamento em plenário devem ser arguidas logo após sua ocorrência, sob pena de preclusão, consoante determina o art. 571, V e VIII, do Código de Processo Penal, sendo indispensável que a irresignação da parte esteja consignada na ata de julgamento. 3. Além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se formou no sentido de que não se reconhece nulidade, ainda que absoluta, sem prova do efetivo prejuízo. 4. Agravo improvido. VOTO Conforme consignado na decisão agravada, o presente habeas corpus foi impetrado em substituição a recurso próprio, providência que não vem sendo admitida por esta Corte Superior. A esse respeito, a Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe habeas corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (relator Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25/8/2020). Não há, no caso, teratologia ou manifesta ilegalidade para justificar a concessão da ordem de ofício. Conforme consignado na decisão agravada, em relação à alegação de nulidade da sessão do Tribunal do Júri, é importante salientar que o Tribunal de origem assentou a inexistência de quebrada incomunicabilidade do conselho de sentença, atestada pelos oficiais de justiça presentes no ato. É o que se infere do seguinte excerto (fl. 52): No presente caso, consta nos autos a certidão de incomunicabilidade, da qual se extrai que: .. CERTIFICAMOS E DAMOS FÉ, nós, Oficiais de justiça abaixo assinados, que não houve comunicação por qualquer maneira dos sete jurados que compunham o Conselho de Sentença durante o julgamento do réu DAVI MONTEIRO DE CARVALHO, entre si e nem com pessoas estranhas ao mesmo Conselho, desde o sorteio até a decisão da causa, bem como os incomunicáveis permanecera, em salas separadas, as testemunhas de acusação e as de defesa. Peixe, Estado do Tocantins, na sala das sessões do Tribunal do Júri, aos 6 de junho de 2024." (evento 279-RELJURI, autos originários). Negritei. Nada obstante, o Tribunal de origem ainda fez constar no acórdão que a defesa não logrou comprovar o comprometimento da imparcialidade dos jurados, além de sua inércia diante da suposta ilegalidade, pois não requereu oportunamente a dissolução do conselho de sentença na própria sessão em que teria ocorrido a nulidade, tendo se operado a preclusão. Conforme posicionamento jurisprudencial desta Corte Superior, em homenagem ao art. 563 do CPP, não se declara a nulidade do ato processual se a irregularidade: a) não foi suscitada em prazo oportuno; e b) não vier acompanhada da prova do efetivo prejuízo para a parte. Relativamente aos processos de competência do Tribunal do Júri, as nulidades do julgamento em plenário devem ser arguidas logo após sua ocorrência, sob pena de preclusão, consoante determina o art. 571, V e VIII, do Código de Processo Penal, sendo indispensável que a irresignação da parte esteja consignada na ata de julgamento. Além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se formou no sentido de que não se reconhece nulidade, ainda que absoluta, sem prova do efetivo prejuízo. Nessa esteira de entendimento é o precedente: PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRIBUNAL DO JÚRI. CRIME DE HOMICÍDIO TENTADO. NULIDADE. QUEBRA DA INCOMINICABILIDADE DE JURADOS. PRECLUSÃO. PREJUÍZO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que, nos termos do artigo 571, inciso VIII, do CPP, as nulidades do julgamento em plenário, incluindo a quebra da incomunicabilidade dos jurados, devem ser arguidas logo após a sua ocorrência, sob pena de preclusão. 2. Na hipótese em apreço, da leitura do acórdão recorrido, extrai-se que não houve qualquer alegação de quebra da incomunicabilidade dos jurados durante o julgamento, o que revela a preclusão do exame do tema. Por outro lado, ficou consignada a inexistência de qualquer registro de que teria havido a alegada quebra de incomunicabilidade, não podendo se afirmar a tentativa de influenciar os demais jurados, tal qual afirmado pela defesa. Assim, para se entender de forma diversa, seria necessário o revolvimento fático-probatório, providência inviável na via eleita. 3. Por fim, no moderno sistema processual penal, eventual alegação de nulidade, ainda que absoluta, deve vir acompanhada da demonstração do efetivo prejuízo. De fato, não se proclama uma nulidade sem que se tenha verificado prejuízo concreto à parte, sob pena de a forma superar a essência. Vigora, portanto, o princípio pas de nulitté sans grief, a teor do que dispõe o art. 563 do Código de Processo Penal. Destaco, p or oportuno, que "a condenação, por si só, não é geradora de prejuízo, cabendo ao agente demonstrar que, caso não tivesse ocorrido a nulidade, acarretaria a absolvição criminal ou a desclassificação da conduta, hipótese não ocorrida nos autos". (AgRg no AREsp n. 2.192.337/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado: 8/8/2023, DJe de 15/8/2023.) 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 978.362/PI, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 12/3/2025, DJEN de 19/3/2025.) Acrescente-se, por fim, que a revisão das premissas fáticas consideradas pelas instâncias antecedentes demandaria reexame probatório incompatível com a estreita via cognitiva do habeas corpus. Nesse contexto, dessume-se das razões recursais que a parte agravante não trouxe elementos suficientes para infirmar a decisão agravada, que, de fato, apresentou a solução que melhor espelha a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Desse modo, nenhum reparo merece o decisório ora recorrido, que deve ser mantido pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.