AREsp 3197867 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório documental e pericial, corretamente concluiu pela inexistência de cerceamento de defesa ao indeferir prova testemunhal; além disso, a matéria relativa ao ônus da prova e à configuração da...
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- Parties
- Agravante: KANINI ADMINISTRADORA DE BENS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade)
- Outcome
- Agravo conhecido e não provido (negado provimento ao recurso especial)
- Legal Topics
- Usucapião Extraordinária, Cerceamento De Defesa, Ônus Da Prova, Prova Testemunhal, Reexame De Fatos E Provas (súmula 7/stj), Honorários Advocatícios
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Parties
KANINI ADMINISTRADORA DE BENS LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Cerceamento de defesa pelo indeferimento de prova testemunhal
- 2 Distribuição do ônus da prova (art. 373 do CPC)
- 3 Requisitos da usucapião extraordinária (art. 1.238 do Código Civil)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório documental e pericial, corretamente concluiu pela inexistência de cerceamento de defesa ao indeferir prova testemunhal; além disso, a matéria relativa ao ônus da prova e à configuração da usucapião envolve análise fático-probatória que não pode ser reexaminada em recurso especial em face da Súmula 7/STJ; por fim, os elementos dos autos demonstraram o preenchimento dos requisitos do art. 1.238 do Código Civil.
Court Disposition
Agravo conhecido e não provido (negado provimento ao recurso especial)
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
- Majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo em recurso especial interposto por KANINI ADMINISTRADORA DE BENS LTDA contra decisão que inadmitiu o recurso especial, fundado nas alíneas a e c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, em desafio a acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, assim ementado (fl. 593, e-STJ): DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. ILEGITIMIDADE ATIVA. REQUISITOS LEGAIS DA POSSE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME: Ação de usucapião extraordinária ajuizada com fundamento no exercício de posse mansa, contínua e com animus domini sobre imóvel rural, cuja área foi posteriormente retificada antes da citação. A parte ré impugnou o pedido, alegando perda superveniente da posse pela autora e ausência de requisitos legais para aquisição por usucapião. Sentença julgou procedente o pedido e declarou o domínio em favor da autora, servindo a decisão como título para registro imobiliário. Inconformada, a parte ré interpôs apelação sustentando, preliminarmente, cerceamento de defesa por indeferimento de prova testemunhal. No mérito, alegou ilegitimidade ativa e ausência de posse contínua e do decurso do prazo aquisitivo legal. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO: Há duas questões em discussão: (i) saber se o indeferimento de prova testemunhal configurou cerceamento de defesa; e (ii) saber se a parte autora preenche os requisitos legais para a declaração de domínio por usucapião extraordinária. III. RAZÕES DE DECIDIR: 3.1. Não se caracteriza cerceamento de defesa quando o julgamento antecipado da lide é baseado na suficiência do conjunto probatório constante dos autos, especialmente quando o juízo entende desnecessária a produção de prova oral. 3.2. O indeferimento da prova testemunhal encontra respaldo no art. 355, I, do CPC, diante da existência de prova documental e pericial idônea à formação do convencimento judicial. 3.3. A parte apelante não delimitou de forma clara a área supostamente de sua posse exclusiva, não se desincumbindo do ônus probatório nos termos do art. 373, II, do CPC. 3.4. A alegação de ilegitimidade ativa não prospera, pois os elementos dos autos demonstram o exercício da posse pela autora por período superior a 15 anos, conforme exige o art. 1.238 do Código Civil. 3.5. A existência de indicativo de empresa diversa no local não descaracteriza, por si só, a continuidade da posse, na ausência de prova robusta de interrupção ou oposição eficaz. 3.6. Comprovado o animus domini e a exploração produtiva do imóvel por meio de reflorestamento antes da propositura da ação, resta configurado o requisito temporal exigido para a usucapião extraordinária. IV. DISPOSITIVO E TESE: Recurso desprovido. Tese de julgamento: "1. Não configura cerceamento de defesa o indeferimento de prova testemunhal quando o conjunto probatório é considerado suficiente para o julgamento do mérito." "2. A posse mansa, contínua e com animus domini, comprovada por meio de laudo técnico e documentos, é apta a ensejar a aquisição da propriedade por usucapião extraordinária, mesmo diante de alegações genéricas de ocupação por terceiro." Nas razões de recurso especial (fls. 599-612, e-STJ), a parte recorrente sustentou violação aos seguintes dispositivos: a) art. 355, I, do CPC, sob o argumento de cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide sem produção de prova testemunhal necessária; b) art. 373, I, do CPC, por inversão indevida do ônus da prova quanto aos requisitos da usucapião extraordinária; c) art. 1.238 do Código Civil, por interpretação errônea do requisito de posse sem oposição. Apontou, ainda, divergência jurisprudencial. Contrarrazões apresentadas às fls. 649-657, e-STJ. Em sede de juízo provisório de admissibilidade, o Tribunal local inadmitiu o recurso especial (fls. 660-662, e-STJ), o que ensejou o manejo do presente agravo (fls. 669-673, e-STJ), buscando destrancar o processamento daquela insurgência. Contraminuta apresentadas às fls. 675-677, e-STJ. É o relatório. Decido. O presente recurso não merece prosperar. 1. Acerca da aventada violação arts. 355, I, do CPC, a parte defende que houve cerceamento de defesa. No ponto, o Tribunal estadual consignou o seguinte (e-STJ, fls. 590): A Apelante pretendeu, preliminarmente, a anulação da sentença sob a alegação de cerceamento de defesa, por indeferimento de prova testemunhal e ausência de delimitação da área parcialmente impugnada. No mérito, defendeu a ilegitimidade ativa da autora, em razão da alegada perda superveniente da posse, bem como a improcedência da ação de usucapião extraordinária por ausência de posse contínua e do requisito temporal exigido em lei. Pois bem. No que tange à preliminar de cerceamento de defesa, não se verifica afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa. A produção de prova oral, embora requerida, foi reputada desnecessária pelo juízo a quo diante da suficiência da prova documental constante nos autos, mormente o laudo pericial e os documentos que demonstram o exercício da posse pela autora. A opção pelo julgamento antecipado da lide encontra respaldo no art. 355, I, do Código de Processo Civil, sobretudo quando o conjunto probatório é reputado completo e suficiente à formação do convencimento do magistrado. Ademais, ainda que a Apelante sustente impugnação apenas parcial da área usucapienda, não logrou delimitar de forma clara e precisa a extensão da porção que lhe seria objeto de posse exclusiva, ônus que lhe incumbia nos termos do art. 373, II, do CPC. Da leitura do trecho acima transcrito, observa-se que o Colegiado estadual, soberano no exame do conjunto fático-probatório dos autos, concluiu que não houve cerceamento de defesa, porquanto não havia necessidade de de produção de prova testemunhal. Sobre o tema, cumpre ressaltar que os princípios da livre admissibilidade da prova e da persuasão racional, nos termos dos arts. 370 e 371 do atual Código de Processo Civil, autorizam o julgador a determinar as provas que entende necessárias à solução da controvérsia, como ocorreu no presente caso. Com efeito, não configura o aludido cerceamento quando o Julgador, entendendo substancialmente instruído o feito, motiva a sua decisão na existência de elementos suficientes para formação da sua convicção. No caso, o indeferimento da prova testemunhal inseriu-se no âmbito do livre convencimento motivado do julgador. Corroboram este entendimento os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL C/C REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. REALIZAÇÃO DE NOVA PERÍCIA INDEFERIDA. NECESSIDADE DA DILIGÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. Segundo entendimento desta Corte, cabe ao juiz, como destinatário final das provas, avaliar e deferir a produção probatória que considerar necessária à formação do seu convencimento, advindo daí a possibilidade de indeferimento das diligências inúteis ou meramente protelatórias sem que implique em cerceamento de defesa. 2. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 3. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. (AgInt no AREsp 949.561/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 05/12/2017, DJe 12/12/2017) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS PATRIMONIAIS E MORAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NOVA PERÍCIA. LIVRE CONVENCIMENTO. PROPRIEDADE DO IMÓVEL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. HONORÁRIOS. CAUSA COM CONDENAÇÃO. OBSERVÂNCIA DOS LIMITES LEGAIS. CPC/1973. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DECISÃO MANTIDA. 1. "O Juiz é o destinatário final das provas, a quem cabe avaliar sua efetiva conveniência e necessidade, advindo daí a possibilidade de indeferimento das diligências inúteis ou meramente protelatórias, em consonância com o disposto na parte final do art. 130 do CPC/73" (AgRg no AREsp n. 501.483/DF, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 20/4/2020, DJe 27/4/2020). (..) 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 820.427/MA, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 08/06/2020, DJe 15/06/2020) Cumpre acrescentar que, conforme entendimento firmado por esta Corte Superior, não caracteriza cerceamento de defesa o mero julgamento antecipado da lide nos casos em que o Tribunal de origem entende adequadamente instruído o feito e conclui pela desnecessidade de se produzir de outras provas por se tratar de matéria já provada documentalmente. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. APLICAÇÃO DO CDI COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DA DECISÃO AGRAVADA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO DEMONSTRADO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. PACTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE FIRMADO EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Não configura cerceamento de defesa o julgamento da causa, com o julgamento antecipado da lide, quando o Tribunal de origem entender substancialmente instruído o feito, declarando a prescindibilidade de produção probatória, por se tratar de matéria eminentemente de direito ou de fato já provado documentalmente. (..) 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1113310/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 19/03/2019, DJe 29/03/2019) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165 E 458 DO CPC/73. NÃO CONFIGURADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO RECORRIDA EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. SÚMULA Nº 568 DO STJ. REEXAME QUANTO A SUFICIÊNCIA DAS PROVAS APRESENTADAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO NCPC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO, COM IMPOSIÇÃO DE MULTA. (..) 2. Não configura cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide, devidamente fundamentado, sem a produção das provas tidas por desnecessárias pelo juízo, uma vez que cabe ao magistrado dirigir a instrução e deferir a produção probatória que considerar necessária à formação do seu convencimento. (..) 5. Agravo interno não provido, com imposição de multa (AgInt no REsp 1653868/SE, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/03/2019, DJe 20/03/2019) Dessa forma, verifica-se que a Corte de origem decidiu de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o que atrai a incidência do enunciado da Súmula n. 83 do STJ, aplicável aos recursos especiais interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. Ademais, tendo o Tribunal concluído pela desnecessidade de produção de outras provas além das que já constavam nos autos, reanalisar a suficiência das provas que instruem os autos demandaria revolvimento fático-probatório, providência incompatível com o apelo especial, conforme Súmula 7/STJ. Corroboram essa conclusão os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO REDIBITÓRIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. REEXAME DE FATOS. SÚMULA Nº 7/STJ. HONORÁRIOS RECURSAIS. CONDENAÇÃO. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO NA ORIGEM. (..) 4. A modificação do entendimento adotado pelo tribunal de origem quanto à necessidade ou não de se produzir outras provas, além daquelas já produzidas, demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, providência vedada em recurso especial, haja vista o óbice da Súmula nº 7/STJ. (..) 6. Agravo interno parcialmente provido. (AgInt no AREsp 1222525/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 28/08/2018, DJe 05/09/2018) 2. É pacífico neste Tribunal Superior que não há que se rediscutir a distribuição do ônus da prova em sede de recurso especial. Isso porque "a Jurisprudência do STJ entende que não há como aferir eventual ofensa ao art. 333 do CPC/1973 (art. 373 do CPC/2015) sem que se verifique o conjunto probatório dos presentes autos. A pretensão de simples reexame de provas, além de escapar da função constitucional deste Tribunal, encontra óbice na Súmula 7 do STJ, cuja incidência é induvidosa no caso sob exame" (REsp 1665411/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 05/09/2017, DJe 13/09/2017). Nesse sentido: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ACIDENTE FERROVIÁRIO. MORTE. ART. 1.022 DO NCPC. INOCORRÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284 DO STF. INAPLICABILIDADE. ART. 343 DO NCPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ QUANTO A INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO E A ALEGADA CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA, QUE NÃO FOI RECONHECIDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE NÃO PROVIDO. (..) 3. Nos termos do art. 373, I e II, do NCPC, incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito alegado, ao passo que cabe ao réu o ônus de demonstrar a ocorrência de algum fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4. Não é possível reverter a conclusão do Tribunal estadual, para acolher a pretensão recursal, a respeito do ônus probatório, pois essa providência demandaria o revolvimento dos fatos da causa. Incidência da Súmula nº 7 do STJ. (..) 8. Agravo interno parcialmente provido. (AgInt no AREsp 1644649/RJ, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/08/2020, DJe 27/08/2020) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE ADIMPLEMENTO CONTRATUAL - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO AGRAVO. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDANTE. 1. A ausência de indicação do dispositivo de lei violado ou de interpretação controvertida caracteriza deficiência da fundamentação recursal. Incidência, por analogia, da Súmula 284 do STF. 2. Conforme entendimento desta Corte, não há como aferir eventual ofensa ao art. 373 do CPC/15, sem incursão no conjunto probatório dos presentes autos. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. Rever as conclusões a que chegou a Corte de origem quanto à ausência dos documentos aptos a comprovar a relação jurídica entre as partes, bem como fato constitutivo de direito, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula 7 desta Corte. 4. Nos termos da jurisprudência deste STJ, ausente a comprovação documental do negócio jurídico alegado pelo autor, não ha falar em extinção sem julgamento de mérito, mas sim em improcedência da ação, uma vez que, no procedimento ordinário, vocacionado à ampla produção de provas, é possível alcançar-se o mérito da questão em face de outros elementos probatórios produzidos nos autos. Precedentes. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1560693/PR, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 29/06/2020, DJe 03/08/2020) 3. Por fim, a alegada ofensa ao art. 1.238 do Código Civil também não merece ser acolhida. No caso, a Corte local consignou o seguinte (e-STJ, fl. 591): Quanto à alegação de ilegitimidade ativa superveniente da parte autora, também não merece prosperar. O fundamento da usucapião extraordinária exige a demonstração de posse mansa, contínua e com animus domini por período igual ou superior a 15 (quinze) anos, independentemente de título ou boa-fé, conforme dispõe o art. 1.238 do Código Civil. Os elementos constantes nos autos, inclusive o laudo técnico juntado, evidenciam que a autora exerceu posse sobre a integralidade do imóvel pelo período legalmente exigido, não se desincumbindo a parte ré do encargo de demonstrar interrupção ou oposição eficaz ao exercício da posse. A eventual existência de placa indicativa de empresa diversa (BERNECK) em parte do imóvel não é elemento hábil, por si só, a infirmar a presença dos requisitos da usucapião, especialmente diante da ausência de prova robusta quanto à descontinuidade da posse pela autora até a data da propositura da ação. No tocante ao requisito temporal, a sentença julgou com acerto ao reconhecer a presença do animus domini e o transcurso do prazo legal, amparando-se em elementos técnicos que atestam a exploração produtiva e a utilização da área pela autora desde antes do ajuizamento da demanda, inclusive por meio de reflorestamento, nos moldes do art. 1.238, parágrafo único, do Código Civil. Não demonstrada violação ao devido processo legal, tampouco infirmados os fundamentos fáticos e jurídicos da sentença, impõe-se a manutenção do decisum por seus próprios e jurídicos fundamentos. Verifica-se, portanto, que o Colegiado de origem formou suas conclusões pela ausência de preenchimento dos requisitos necessários à configuração da usucapião com base no substrato fático-probatório dos autos. Modificar esse entendimento exigiria, necessariamente, a reanálise das circunstâncias fático-probatórias, o que é vedado em âmbito de recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/ STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS PARA CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO PLEITEADO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. PREQUESTIONAMENTO DOS ARTIGOS DE LEI TIDOS POR VULNERADOS NÃO EFETUADO. SÚMULA 211. PREQUESTIONAMENTO FICTO. CONDIÇÕES NÃO SATISFEITAS. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. COTEJO ANALÍTICO NÃO EFETUADO. NÃO PREENCHIMENTO DAS EXIGÊNCIAS PARA RECONHECIMENTO DA USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (..) 6. A alteração do entendimento adotado pela Corte de origem - acerca da ausência dos requisitos para configuração da usucapião pretendida pelo recorrente - demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada no âmbito do recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 7. Razões recursais insuficientes para a revisão do julgado. 8. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1308251/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/08/2019, DJe 20/08/2019) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REIVINDICATÓRIA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. USUCAPIÃO. MATÉRIA QUE DEMANDA REEXAME DE PROVAS. SUMULA 7 DO STJ. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM O ENTENDIMENTO FIRMADO NO STJ. SÚMULA 83 DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 3. As conclusões da Corte Estadual sobre a não caracterização da usucapião, não podem ser revistas por esta Corte Superior, pois demandaria, necessariamente, reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, em razão do óbice da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1542609/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 09/03/2021, DJe 06/04/2021) 4. Do exposto, com fundamento no art. 932 do Código de Processo Civil c/c Súmula 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA