AREsp 2900878 - DECISAO
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: MANDADO DE SEGURANÇA...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
- Legal Topics
- Vigilância Sanitária, Competência Da ANVISA, Resolução ANVISA Nº 56/2009, Mandado De Segurança Preventivo, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmulas 283 E 284/stf
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Parties
MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 validade da Resolução nº 56/2009 da ANVISA
- 2 competência normativa da ANVISA nos termos da Lei n. 9.782/1999
- 3 prequestionamento como requisito de admissibilidade do Recurso Especial
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO Equipamentos de bronzeamento artificial. Pretensão da impetrante para que a autoridade coatora se abstenha de lacrar os equipamentos de bronzeamento artificial, com base na Resolução nº 56/2009 da ANVISA. Resolução que foi declarada nula na Ação Coletiva nº 0001067-62.2010.4.03.6100. Interposição de apelação junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, recebida sem efeito suspensivo. Apelação que ainda não foi julgada até o presente momento. Manutenção da sentença concessiva de segurança. Recurso voluntário e remessa necessária não providos (fl. 121). Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa aos arts. 7º, IV e XV, e 15, III, da Lei n. 9.782/1999, no que concerne à validade da Resolução n. 56 de 09/11/2009 da ANVISA, porquanto a agência reguladora possui competência legal para regulamentar a utilização de equipamentos que possam vir a causar risco à saúde, trazendo a seguinte argumentação: Não existe previsão legal de licenciamento sanitário para o exercício da atividade supracitada (atividade de bronzeamento artificial, com uso de equipamentos, baseados na emissão de radiação ultravioleta (UV), com finalidade estética), conforme definição do campo de atuação da Vigilância Sanitária preconizado na Portaria CVS 01/2020, que disciplina, no âmbito do Sistema Estadual de Vigilância Sanitária - SEVISA, o licenciamento dos estabelecimentos compatibilizando as atividades econômicas que estão sujeitas ao licenciamento pelos serviços de vigilância sanitária. Portanto, não existe enquadramento legal previsto para licenciar a atividade para a qual existe normativa de proibição do exercício, evidenciado pela definição de que somente serão licenciados estabelecimentos que prestam serviços de bronzeamento artificial sem uso de câmara de bronzeamento, motivo pelo qual não há possibilidade de enquadramento da atividade de bronzeamento artificial com uso de equipamentos, baseados na emissão de radiação ultravioleta (UV), com finalidade estética, em na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), sujeito a licenciamento sanitário. Por consequência, compete ao Órgão de Vigilância Sanitária Municipal, no âmbito de suas atribuições legais, como Órgão fiscalizatório executor de legislações regulamentadas pela ANVISA cumprir as normas editadas por esta, conforme preconizam Artigos 18, 19, 20 e 21 da RDC nº 207/2018. Contudo, a verdade é que existe regramento legal apto a dar subsídio à mencionada Resolução da ANVISA. Portanto, a Lei nº 9.782/99, preconiza que: .. Portanto, não há de se falar em violação ao princípio da legalidade, pois a Lei 9.782/99 assegura à ANVISA estabelecer normas e padrões sobre limites contaminantes. Logo, o conteúdo a RDC nº 56/2009 está apenas disciplinando e estabelecendo permissivos legais assegurados pelo diploma normativo que a criou. A ANVISA, por sua vez, por ter conhecimento dos perigos que açoitam esse mercado livre e de pouco conhecimento dos efeitos maléficos à saúde humana, iniludivelmente, não parece extrapolar os poderes e limites disciplinados pela Lei nº 9.782/99. Assim, não caberia ao Poder Judiciário que, não tendo elementos suficientes e estatísticas razoáveis acerca do tema, assegurar o direito de empresas explorarem atividade econômica com vistas à exposição de pessoas saudáveis aos inquestionáveis risco do câncer de pele. Por conseguinte, a autarquia ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária possui atribuição, legalmente conferida para proteger a saúde da população mediante normatização, controle e fiscalização de produtos, substâncias e serviços de interesse para a saúde, podendo assim, restringir ou mesmo proibir o uso de determinados equipamentos que coloquem em risco o bem que objetiva proteger (saúde). A missão precípua da Vigilância Sanitária é a prevenção de agravos à saúde, a ação reguladora de garantia de qualidade de produtos e serviços, que inclui a aprovação de normas e suas atualizações, bem como a fiscalização de suas aplicações. Também, há sérias dificuldades de se determinar um nível de exposição seguro ao uso de equipamento para bronzeamento artificial estético. Ao contrário do alegado pela requerente, a Resolução da ANVISA está amparada em um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) e especialistas apontaram que o risco de desenvolver câncer de pele chegava a 75% (setenta e cinco) quando a câmara de bronzeamento era usada com frequência até os 35 anos de idade. Destarte, verifica-se que a Resolução n. 56/2009 da ANVISA é legal, na medida em que lhe foi conferido pelo legislador amplo poder de fiscalização e controle no que diz respeito às questões relativas à saúde pública (Lei n. 9782/99 e decreto 3029/1999). Além disso, não cabe ao Judiciário, e nem teria competência para tanto, aferir a veracidade/validade das pesquisas científicas, sob pena de indevida ingerência do Poder Judiciário, em afronta ao Princípio da Separação dos Poderes. A Resolução n. 56 de 09 de novembro de 2009, foi editada pela ANVISA, conforme autoriza o disposto o disposto nos artigos 7º. inciso XV, e 15, inciso III, da Lei no. 9782/1999. .. Assim, considerando que cabe à Vigilância Sanitária a prevenção de agravos à Saúde, bem como que cabe à Vigilância Sanitária, a fiscalização para a proteção e cumprimento da Resolução acima mencionada, a verdade é que não há qualquer arbitrariedade do exercício pelo órgão municipal. Vale dizer que a fiscalização realizada pelo Município, em virtude da Resolução 56/09, advém do Poder de Polícia, ou seja, através deste mecanismo, o Estado detém a atividade dos particulares que se revelar nociva ou inconveniente ao bem-estar, ao desenvolvimento e à segurança nacional. Assim, a Administração pode condicionar o exercício de direitos individuais, pode delimitar a execução de atividades e, ainda, condicionar o uso de bens que afetem a coletividade em geral, ou contrariem a ordem jurídica estabelecida ou se oponham aos objetivos permanentes da nação. Dessa forma, a decisão proferida pelo Egrégio Tribunal de Justiça violou flagrantemente o artigo 7º, inciso IV, inciso XV, e 15, inciso III, todos da Lei nº 9.782/99, visto que a RDC 56 de 09 de novembro de 2009, foi editada pela ANVISA, conforme autorização dos referidos dispositivos legais, não podendo, assim, deixar de ser aplicados sob pena de ofensa à lei federal, como é o caso dos autos (fls. 136- 140). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente, no que cinge à validade da resolução da ANVISA por força das normas previstas na Lei de Vigilância Sanitária. Nesse sentido: " .. o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4.5.2018. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: No que tange ao mérito, tem-se que a Resolução nº 56/2009, proferida pela Diretoria Colegiada da Anvisa (RDC), proibia "em todo território nacional o uso dos equipamentos para bronzeamento artificial, com finalidade estética, baseada na emissão da radiação ultravioleta (UV)". Todavia, referida resolução foi declarada nula em Ação Coletiva nº 0001067-62.2010.4.03.61.00, a qual tramitou na 24ª Vara Federal de São Paulo, assim restando sentenciada: .. Em que pese ter sido interposto recurso de apelação em face da sentença proferida nos autos de Ação Coletiva, tal recurso não foi recebido em seu efeito suspensivo, e também não há notícias, até o presente momento, do julgamento da referida apelação. Portanto, tendo em vista que a eficácia da Resolução nº 56/2009 da Anvisa se encontra suspensa, mostrou-se correta a concessão da segurança em primeiro grau, visando a proteção do direito líquido e certo da impetrante em exercer suas atividades relacionadas aos serviços de bronzeamento artificial, enquanto perdurarem os efeitos da decisão proferida nos autos de Ação Coletiva nº 0001067-62.2010.4.03.6100 (fls. 124- 126). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula n. 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"". (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de19.12.2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.572.038/RS, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp 1.157.074/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 5.8.2020; AgInt no REsp 1.389.204/MG, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no REsp 1.842.047/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26.6.2020; e AgRg nos EAREsp 447.251/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 20.5.2016. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA