HC 991446 - DECISAO
Verificou-se que o acórdão impugnado apresentou fundamentação idônea para a fixação do regime semiaberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais, em conformidade com os §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal e a jurisprudência do STJ; ademais, não cabe habeas corpus substitutivo de recurso...
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- Parties
- Paciente: PEDRO HENRIQUE VENANCIO DE MENDONCA; Órgão Prolator Do Acórdão/ato Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida Em Habeas Corpus
- Outcome
- Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
- Legal Topics
- Violência Doméstica E Familiar Contra a Mulher, Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Habeas Corpus, Súmula 719 STF, Súmulas 440 E 269 Do STJ, Lei N. 11.340/2006
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Parties
PEDRO HENRIQUE VENANCIO DE MENDONCA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
Órgão Prolator Do Acórdão/ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida Em Habeas Corpus
Legal Issues
- 1 Cabe Habeas Corpus como substitutivo de recurso próprio ou apenas em caso de teratologia?
- 2 Havia fundamentação idônea para fixação do regime semiaberto diante da pena imposta e das circunstâncias judiciais?
- 3 Aplicação das regras do art. 33, §§ 2º e 3º do Código Penal quanto ao regime inicial de cumprimento de pena.
Ratio Decidendi
Verificou-se que o acórdão impugnado apresentou fundamentação idônea para a fixação do regime semiaberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais, em conformidade com os §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal e a jurisprudência do STJ; ademais, não cabe habeas corpus substitutivo de recurso próprio salvo teratologia, razão pela qual não houve ilegalidade flagrante e a ordem foi indeferida liminarmente.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o Habeas Corpus.
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de PEDRO HENRIQUE VENANCIO DE MENDONCA em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS assim ementado: PENAL E PROCESSO PENAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA MULHER. AMEAÇA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. DANOS MORAIS. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO PENAL. SENTENÇA MANTIDA. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 3 meses e 10 dias de detenção, no regime semiaberto, pela prática do crime previsto no artigo 147, caput, do Código Penal, na forma dos artigos 5º e 7º, da Lei n. 11.340/2006. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há fundamentação idônea para fixação de regime inicial de cumprimento da pena mais gravoso do que o cabível em razão da pena imposta, considerando o disposto no art. 33, § 2º, do CP, tendo em vista que as circunstâncias judiciais são favoráveis e a sanção penal não é superior a 4 anos, sendo considerada somente a existência de circunstâncias judicias negativas. Reforça que o não reincidente, condenado à pena igual ou inferir a 4 anos, como no caso dos autos, poderá iniciar o cumprimento de pena no regime aberto. Destaca, por fim, que o regime inicial de cumprimento da pena foi fixado em contrariedade ao enunciado da Súmula 719 do STF, havendo seu agravamento sem fundamentação idônea. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o aberto . É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: Adequado o regime prisional semiaberto para cumprimento de pena (art. 33, § 2º, alínea "c" c/c § 3º, todos do Código Penal), em face o quantum da pena aplicada e as circunstâncias judiciais desfavoráveis (fl. 25). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime aberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA