AREsp 2523792 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido fundamentou e solucionou a controvérsia sem omissão, obscuridade, contradição ou erro material, e porque a questão relativa à aplicação da taxa SELIC foi apreciada sob enfoque eminentemente constitucional, cuja reanálise pela via especial implicaria...
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- Parties
- Agravante: Claro S/A; Agravado: Fundação Defesa do Consumidor - PROCONSP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado (negado Provimento Pela Segunda Turma)
- Outcome
- Agrav o interno não provido
- Legal Topics
- Violação Ao Art. 1.022 Do Cpc/2015, Competência Do Supremo Tribunal Federal, Recurso Especial, Correção Monetária (selic), Multas Administrativas
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Parties
Claro S/A
Agravante
Fundação Defesa do Consumidor - PROCONSP
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado (negado Provimento Pela Segunda Turma)
Legal Issues
- 1 Caracteriza-se omissão, obscuridade ou contradição do acórdão quanto ao art. 1.022 do CPC/2015?
- 2 É cabível reexame no STJ de questão predominantemente constitucional relativa à aplicação da taxa SELIC a multa administrativa imposta pelo PROCON?
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido fundamentou e solucionou a controvérsia sem omissão, obscuridade, contradição ou erro material, e porque a questão relativa à aplicação da taxa SELIC foi apreciada sob enfoque eminentemente constitucional, cuja reanálise pela via especial implicaria usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal.
Court Disposition
Agrav o interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter o acórdão recorrido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 14/05/2024 a 20/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO SOB ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não fica caracterizada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. 2. O acórdão recorrido apreciou a questão sob enfoque eminentemente constitucional. Assim, configura-se inadequada a via especial para reexaminar acórdão fundamentado em matéria de cunho constitucional, uma vez que sua análise é da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Trata-se de agravo interno (fls. 541/547) apresentado contra decisão monocrática sintetizada na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO SOB ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA PARTE, NEGAR-LHE PROVIMENTO. A agravante sustenta que o v. acórdão de origem padece de evidente negativa de prestação jurisdicional, uma vez que há ausência do enfrentamento de aspectos relevantes para a conclusão da causa. No mais, sustenta que: .. a Agravante demonstrou que a Lei Federal nº 10.522/2002 estabeleceu, em seu art. 37-A, que os créditos de fundações públicas federais, de qualquer natureza(tributários ou não tributários), terão correção e juros calculados nos termos da legislação aplicável aos tributos federais. .. O índice de correção de débitos tributários é matéria de direito financeiro, estando vinculada à competência concorrente prevista no art. 24, I, da CR/88. Interpretando a referida regra constitucional, o Supremo Tribunal decidiu definitivamente que falece competência aos Estados de estabelecerem indexadores superiores aos utilizados pela União Federal para correção de seus créditos fiscais(técnica da interpretação conforme a Constituição). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO SOB ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não fica caracterizada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. 2. O acórdão recorrido apreciou a questão sob enfoque eminentemente constitucional. Assim, configura-se inadequada a via especial para reexaminar acórdão fundamentado em matéria de cunho constitucional, uma vez que sua análise é da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): O recurso não merece prosperar. Depreende-se dos autos que o Tribunal de origem, de modo fundamentado, tratou das questões suscitadas, resolvendo de modo integral a controvérsia posta. Assim, não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não fica caracterizada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. O acórdão da Corte a quo entendeu que por tratar-se de multa administrativa imposta pelo PROCON, multa essa de natureza não tributária, inaplicável a taxa referencial do SELIC. Consignou o acórdão recorrido que:A Claro S/A opôs embargos de declaração contra a decisão que negou provimento a seu agravo de instrumento, mantendo o r. decisum que rejeitou exceção de pré-executividade por ela interposta em execução fiscal promovida pela Fundação Defesa do Consumidor - PROCONSP .. No mais, entendeu o decisum que, por tratar-se de multa administrativa imposta pelo PROCON, multa dessa natureza não tributária é inaplicável a taxa referencial do SELIC, tendo em vista o art. 3 da Emenda Constitucional 133/2021. .. E nesse quadro, a partir da vigência da supramencionada emenda constitucional, de 8 de dezembro de 2021, impõe-se a adoção da taxa do SELIC para a compensação da mora e remuneração do capital (fls. 274-281). Conforme assentado pela decisão agravada, a controvérsia foi dirimida pela Corte a quo sob enfoque eminentemente constitucional (EC 113 /2021, ADI nº 442/SP, ARE 1216078 e Arguição de Inconstitucionalidade 0170909-61.2012.8.26.0000), competindo ao Supremo Tribunal Federal eventual reforma do acórdão recorrido quanto ao ponto, sob pena de usurpação de competência inserta no art. 102 da CF/88. A propósito: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. GDASS. PONTUAÇÃO MÍNIMA. EXTENSÃO AOS INATIVOS. REGRA DA PARIDADE. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. O recurso especial possui fundamentos eminentemente constitucionais - consistentes em demonstrar a extensão aos inativos da pontuação mínima da Gratificação de Desempenho de Atividade da Seguridade Social - GDASS paga aos servidores ativos, em razão da regra da paridade -, o que afasta o exame da questão pelo STJ, sob pena de invadir a competência do STF. 2. O recurso especial possui fundamentação vinculada, não se constituindo em instrumento processual destinado a revisar acórdão com amparo em razões de natureza constitucional, tendo em vista a necessidade de interpretação de matéria de competência exclusiva da Suprema Corte. Precedentes. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.909.039/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 11/4/2022, DJe de 22/4/2022). Cumpre esclarecer que a decisão agravada contém fundamentação adequada e analisa a controvérsia levando em consideração as peculiaridades do caso concreto. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.