REsp 2167325 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem apresentou fundamentação adequada e suficiente (afastando violação ao art. 1.022 do CPC/2015); não houve prequestionamento dos dispositivos apontados (arts. 926, 927 e 1.040, II), atraindo a Súmula 211/STJ; e os dispositivos invocados não detêm...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Da Primeira Turma (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Violação Do Art. 1.022 Do Cpc/2015, Prequestionamento, Súmula 211/stj, Súmula 284/stf, Reajuste Pelos Índices Do RGPS, Tema 1224/stf, Arts. 926, 927 E 1.040, II, Do Cpc/2015
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Da Primeira Turma (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Existência ou não de violação do art. 1.022 do CPC/2015
- 2 Prequestionamento dos dispositivos apontados como ofendidos
- 3 Suficiência de comando normativo nos arts. 926, 927 e 1.040, II, do CPC/2015 para sustentar a tese recursal
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem apresentou fundamentação adequada e suficiente (afastando violação ao art. 1.022 do CPC/2015); não houve prequestionamento dos dispositivos apontados (arts. 926, 927 e 1.040, II), atraindo a Súmula 211/STJ; e os dispositivos invocados não detêm comando normativo apto a sustentar a tese recursal, aplicando‑se a Súmula 284/STF.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negado provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 14/04/2026 a 22/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS APONTADOS COMO OFENDIDOS. SÚMULA 211/STJ. FALTA DE COMANDO NORMATIVO APTO A SUSTENTAR A TESE DEFENDIDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Constatado que a Corte de origem empregou fundamentação adequada e suficiente para dirimir a controvérsia, é de se afastar a alegada violação do artigo 1.022 do CPC/2015. A aplicação do direito ao caso, ainda que por meio de solução jurídica diversa da requerida por um dos litigantes, não induz negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 3. A admissão do recurso especial pressupõe o prequestionamento das matérias insculpidas nos dispositivos legais reputados contrariados, ou seja, exige que as teses recursais tenham sido objeto de efetivo pronunciamento por parte do Tribunal de origem, o que não ocorreu no caso em tela. Ainda, há considerar que referidos dispositivos legais não possuem comando normativo para sustentar a tese recursal defendida. Assim, inafastável a incidência da Súmula 211 do STJ e da Súmula 284 do STF. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto contra decisão, assim ementada (fl. 603): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REAJUSTE PELOS ÍNDICES DO RGPS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. DISPOSITIVOS TIDOS POR OFENDIDOS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO SUFICIENTE A EMBASAR A PRETENSÃO RECURSAL. SÚMULA 284/STF. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO. O agravante reitera a ocorrência de violação ao artigo 1.022 do CPC/2015. Defende que quando se trata de "reajuste", não há cessação de seus efeitos, ou seja, os reajustes são absorvidos em cada ano subsequente, isto é uma consequência lógica e sequer precisa ser ratificada no julgamento do Tema 1.224/STF. Argumenta que "mesmo que ainda se supere a violação do art. 1.022 do CPC, há notória violação dos arts. 926, 927 e 1.040 inc. II do CPC, porque o Tribunal de Origem proferiu julgamento totalmente contrário a jurisprudência em sede de repercussão geral e também a jurisprudência deste Colendo STJ sobre o tema (..) (fl. 615). Sustenta que a matéria se encontra devidamente prequestionada, como também os dispositivos mencionados estão em consonância com a fundamentação do pedido de reforma do acórdão guerreado, não subsistindo o óbice das Súmulas 211/STJ e 284/STF. Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS APONTADOS COMO OFENDIDOS. SÚMULA 211/STJ. FALTA DE COMANDO NORMATIVO APTO A SUSTENTAR A TESE DEFENDIDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Constatado que a Corte de origem empregou fundamentação adequada e suficiente para dirimir a controvérsia, é de se afastar a alegada violação do artigo 1.022 do CPC/2015. A aplicação do direito ao caso, ainda que por meio de solução jurídica diversa da requerida por um dos litigantes, não induz negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 3. A admissão do recurso especial pressupõe o prequestionamento das matérias insculpidas nos dispositivos legais reputados contrariados, ou seja, exige que as teses recursais tenham sido objeto de efetivo pronunciamento por parte do Tribunal de origem, o que não ocorreu no caso em tela. Ainda, há considerar que referidos dispositivos legais não possuem comando normativo para sustentar a tese recursal defendida. Assim, inafastável a incidência da Súmula 211 do STJ e da Súmula 284 do STF. 4. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Dito isso, observa-se que o presente recurso não merece prosperar, tendo em vista que dos argumentos apresentados no agravo interno não se vislumbram razões para reformar a decisão agravada. Isso porque, tal como consignado na decisão monocrática, ora agravada, não há violação do artigo 1.022, I, do Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015) quando o órgão julgador, de forma clara e coerente, externa fundamentação adequada e suficiente à conclusão do acórdão recorrido. Nesse sentido, observa-se que a Corte regional manifestou-se, de forma clara, precisa e fundamentada, a respeito da inaplicabilidade, ao caso concreto, da tese firmada pelo STF no RE n. 1.372.723, consignando que (fl.547): "(..) o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente o RE nº 1.372.723 (Tema 1224: "É constitucional o reajuste de proventos e pensões concedidos a servidores públicos federais e seus dependentes não beneficiados pela garantia de paridade de revisão pelo mesmo índice de reajuste do regime geral de previdência social (RGPS), previsto em normativo do Ministério da Previdência Social, no período anterior à Lei 11.784/2008"), cujo acórdão foi publicado em 25/10/2023. O problema é que não houve manifestação acerca dos efeitos posteriores de tal reajuste. A tese é expressa ao período anterior, como negritado acima. Para mais, caberia dizer se esse reajuste se dá em cascata, e para tanto deve ser aplicado a todos (e, a rigor, afirmado isso a aplicabilidade deve ocorrer independentemente de ação judicial, com adequação administrativa). Portanto, no presente caso específico, o próprio Eg. STJ afirmou aplicável a súmula 85, ou seja, apenas as prestações posteriores ao quinquênio não são atingidas. E, por ora, a tese do Supremo abrange atrasados e beneficia apenas aqueles que, no tempo correto, vieram ao Judiciário (o que não é o caso da autora, que ajuizou a ação cerca de dez anos depois da edição da Lei nº 11.784/2008). Ademais, a sentença de procedência aparentemente apenas abrange verbas muito anteriores ao quinquênio anterior ao ajuizamento da ação (propositura em 31/07/2018), e a revisão ali determinada cessa em 2008. Não fica claro que o aumento determinado na sentença é prospectivo e em cascata. Ao contrário, nada há sobre incidência em valores vincendos. Apenas em valores até o período vencidos. Ou seja - salvo melhor juízo do Egrégio STJ -, seria uma impossibilidade afirmar a aplicação da súmula 85, que assinala que prescrevem as parcelas anteriores ao quinquênio e determinar exatamente, e apenas, o pagamento de parcelas muito anteriores ao quinquênio. É verdade que, quanto ao tema, há o impasse de saber se é possível a concessão do reajuste com efeito posterior ao do período postulado (2004 a 2008), isto é, com efeito prospectivo e em cascata, mas isso não foi determinado de modo claro na sentença e nem está na tese do Supremo. De qualquer modo, todo período posterior é afirmado improcedente (até porque nem consta da tese do STF e, pensa o subscritor, se é para suprir a falta de lei, isto deve ser feito de modo claro, aplicável a todos independentemente de ação judicial, pena de disfunção própria de países atrasados). Com efeito, verifica-se que o Tribunal a quo motivou adequadamente o julgado e solucionou a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Assim, a tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.689.834/RS, rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 10/9/2018; AgInt no AgInt no AREsp n. 1.653.798/GO, rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 3/3/2021; AgInt no AREsp n. 753.635/SP, rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 1/7/2020; AgInt no REsp n. 1.876.152/PR, rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 11/2/2021. Quanto aos demais artigos apontados como ofendid os (926, 927 e 1.040, II, do CPC/15), além de não terem sido objeto de enfrentamento pelo tribunal de origem - o que caracteriza ausência de prequestionamento e enseja a aplicação da Súmula 211/STJ -, pela simples leitura das razões de decidir contidas no trecho do acórdão supra transcrito, evidencia-se que referidos dispositivos não contêm comando normativo capaz de sustentar a tese deduzida e infirmar a validade dos fundamentos do acórdão recorrido. Aplica-se à hipótese a Súmula n. 284/STF. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LEGISLAÇÃO LOCAL. EXAME. INVIABILIDADE. DISPOSITIVO VIOLADO. INDICAÇÃO. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. 1. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal de origem se manifesta de forma clara, coerente e fundamentada sobre as teses relevantes para a solução do litígio. 2. A revisão das razões de decidir do acórdão recorrido, embasadas na análise da legislação local, encontra óbice na Súmula 280 do STF. 3. A ausência de particularização de dispositivo de lei federal violado enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. 4. Consoante o entendimento do STJ, "o comando normativo inserido no art. 926 do CPC/2015 (..) é demasiado genérico, não confere sustentação à tese desenvolvida e não infirma as conclusões do Tribunal estadual, o que caracteriza a deficiência da fundamentação recursal, atraindo o óbice da Súmula 284 do STF" (REsp n. 1.922.279/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 27/09/2022, DJe de 30/9/2022). 5. Agravo interno desprovido (AgInt no AREsp n. 2.423.499/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 26/8/2024) - grifei. Acrescente-se, ademais que "não cabe a esta Corte, nem mesmo a pretexto de ofensa ao art. 927 do CPC, emitir juízo a respeito dos limites do que foi julgado no precedente em repercussão geral do Supremo Tribunal Federal, colocando novas balizas em tema de ordem Constitucional" (AgInt no AREsp 1.528.999/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5.9.2019, DJe 16.9.2019). E, ainda, como já manifestou a Primeira Turma desta Corte:" O julgado que, devidamente fundamentado, não exerce juízo de retratação, por entender que o caso dos autos não se enquadra no tema firmado em julgamento de recurso repetitivo ou sob a sistemática da repercussão geral (distinção), não viola os arts. 926 e 927, III, do CPC/2015" (AgInt no REsp n. 1.780.039/PR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 20/11/2023, DJe de 22/11/2023). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.