AREsp 1966290 - DECISAO
O STJ conheceu do agravo e não conheceu do recurso especial porque a apreciação da pretensão recursal exigiria o reexame do quadro fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ) e porque a ação trabalhista mencionada discute aspectos formais do PDC, não demonstrando prejudicialidade suficiente que imponha suspensão...
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- Parties
- Agravante/recorrente: GABRIELA BRAUN DA SILVA; Recorrida/autora Na Ação De Origem: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Ação De Cobrança, Processo Administrativo Disciplinar (pdc), Prejudicialidade Entre Ações, Súmula 7 Do STJ (reexame De Prova), Suspensão Do Processo (art. 313, V, "a", Cpc)
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Parties
GABRIELA BRAUN DA SILVA
Agravante/recorrente
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Recorrida/autora Na Ação De Origem
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 existência de prejudicialidade e necessidade de suspensão do feito em razão de ação trabalhista que discute nulidade do processo administrativo-disciplinar
- 2 dependência do reconhecimento da dívida em face do resultado de outra demanda
- 3 cabimento de recurso especial quando o acolhimento da pretensão exigir reexame do acervo fático-probatório
Ratio Decidendi
O STJ conheceu do agravo e não conheceu do recurso especial porque a apreciação da pretensão recursal exigiria o reexame do quadro fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ) e porque a ação trabalhista mencionada discute aspectos formais do PDC, não demonstrando prejudicialidade suficiente que imponha suspensão da ação de cobrança.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Majoram-se os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem (art. 85, § 11, CPC)
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por GABRIELA BRAUN DA SILVA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim resumido: DIREITO ADMINISTRATIVO E CIVIL AÇÃO DE COBRANÇA MOVIDA PELA CEF CONTRA EX-EMPREGADA DÍVIDA APURADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO-DISCIPLINAR QUE APUROU A PRÁTICA DE ATO FRAUDULENTO E CULMINOU COM A DEMISSÃO DA FUNCIONÁRIA RECLAMATÓRIA TRABALHISTA EM CURSO AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 313, V, "a", do CPC, no que concerne à necessidade de suspensão do feito pela dependência de outra ação perante a Justiça do Trabalho, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Com a devida vênia , Exa s., mas os MM. Juízos ordinários fizeram uma análise míope da questão de fundo dos presentes autos. Isso por que, como expressamente reconhecido no r. decisum, o montante alegadamente devido (R$ 131.049,24) pela ora demandada / recorrente decorre ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE das conclusões da Comissão de Apuração extraídas do Processo Disciplinar e Civil PDC nº RS.0428.2018.C.000253 (fl. 409). Ocorre , Exa s., que conforme se infere dos autos, o sobredito PDC é objeto de OUTRA AÇÃO JUDICIAL, o processo nº 0020902- 68.2019.5.04.0002, que tramita perante a JUSTIÇA DO TRABALHO. Sendo seu objeto central, justamente, a DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO PROCESSO DISCIPLINAR E CIVIL (PDC) nº RS.0428.2018.C.000253, por ofensa a o DEVIDO PROCESSO LEGAL (AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO), que, de forma arbitrária, concluiu que a ora demandada / recorrente, teria causado à Caixa Econômica Federal, ora de mandante/ recorrida, o presente prejuízo material (R 131.049,24) que está sendo cobrado por meio da presente ação de cobrança. Portanto, os alegados questionamentos acerca da nulidade do PDC, da materialidade e autoria , tidos por inexistentes nos presentes autos pelos MM. Juízo s ordinários, estão sendo, ou serão ainda, questionados NOS FOROS DEVIDAMENTE COMPETENTES (fl. 410). Portanto , com a devida vênia das equivocadas conclusões externa das na fundamentação do r. decisum, ora vergastado, NADA HÁ DE INCONTROVERSO ACERCA DA EXISTÊNCIA DA DÍVIDA!! Muito pelo contrário, já que, até então, a ora recorrente SEQUER OS RECONHECE COMO DEVIDOS! Pois, conforme já destacado, sua análise inicialmente deverá se dar nos autos ação judicial nº 0020902- 68.2019.5.04.0002, que tramita perante a JUSTIÇA DO TRABALHO. E, s.m.j., exclusivamente por força daquela ação judicial, restará CONFIRMADA OU ANULADA (TOTAL OU PARCIALMENTE) A DÍVIDA objeto desta ação de cobrança (fl. 411). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: De fato, na demanda trabalhista a apelante limita-se a questionar os aspectos formais do processo administrativo-disciplinar, não discorrendo sobre a materialidade e a autoria do ilícito praticado. Assim, se nos processos apuram-se diferentes consequências jurídicas, não há que se falar em prejudicialidade entre ambos, a autorizar a suspensão do feito com base no artigo 313, inciso V, alínea "a", do Código de Processo Civil. Ademais, ainda que não tenha passado em julgado a decisão da justiça laboral, tal não é necessário ante a independência das instâncias e, a rigor, parece improvável que a sentença seja reformada, na medida em que não se verificou qualquer vulneração ao postulado do devido processo legal no procedimento administrativo que culminou com a imputação de ato fraudulento à recorrente, do qual resultou prejuízo de R$ 131.049,24 à CEF, valor atualizado até abril de 2020 (fl. 398). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.