REsp 1896525 - ACORDAO
Rejeitar os embargos de declaração pois não há omissão no acórdão embargado: o acórdão examinou expressamente as alegações quanto à inaplicabilidade das súmulas invocadas e afastou-as; os embargos visam à rediscussão de matéria já decidida e implicariam reexame de prova e fato, vedado por súmula 7/STJ, tornando...
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- Parties
- Embargante: PRONTOCÁRDIO PRONTO ATENDIMENTO CARDIOLÓGICO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL); Autor Da Ação Monitória: ITALAB - LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS LTDA - ME
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2021
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Pelo Colegiado (terceira Turma)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Ação Monitória, Embargos De Declaração, Omissão, Rediscussão De Matéria, Aplicação De Súmulas, Preclusão, Reexame De Provas, Multa Processual
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Parties
PRONTOCÁRDIO PRONTO ATENDIMENTO CARDIOLÓGICO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL)
Embargante
ITALAB - LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS LTDA - ME
Autor Da Ação Monitória
Procedural Posture
Embargos De Declaração No Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Pelo Colegiado (terceira Turma)
Legal Issues
- 1 existência de omissão no acórdão
- 2 aplicabilidade das Súmulas 284/STF, 83/STJ e 7/STJ
- 3 preclusão da discussão sobre aptidão da prova escrita na ação monitória
Ratio Decidendi
Rejeitar os embargos de declaração pois não há omissão no acórdão embargado: o acórdão examinou expressamente as alegações quanto à inaplicabilidade das súmulas invocadas e afastou-as; os embargos visam à rediscussão de matéria já decidida e implicariam reexame de prova e fato, vedado por súmula 7/STJ, tornando indevida a acolhida dos embargos.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Embargos de declaração rejeitados.
- Não há, no caso, motivos bastantes para a aplicação da multa prevista no § 2º do art. 1.026 do CPC; advertência sobre reiteração de embargos infundados.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NORECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. ALEGADA OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. 1. Não há omissão no acórdão que examinou de forma expressa todas as razões veiculadas em agravo interno. 2. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da matéria já decidida no julgamento do recurso especial. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos por PRONTOCÁRDIO PRONTO ATENDIMENTO CARDIOLÓGICO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL) contra acórdão que negou provimento ao agravo interno interposto contra decisão que conheceu em parte e negou provimento ao recurso especial manejado no curso da ação monitória proposta por ITALAB - LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS LTDA - ME. A ementa do acórdão embargado foi ementada nos seguintes termos (e-STJ fls. 341-342): AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 1.022, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. QUESTÃO QUE FOI DEVIDAMENTE EXAMINADA NO ACÓRDÃO RECORRIDO. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 485, § 3º, DO CPC. SÚMULA 284/STF. RECURSO COM FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. QUESTÃO QUE NÃO CONFIGURA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. 1. Não há violação do art. 1.022, II, do CPC quando a matéria suscitada foi expressamente examinada no acórdão recorrido, ainda que o Tribunal de origem tenha adotado entendimento contrário à pretensão do recorrente. 2. Recurso especial que, por se fundar em premissa manifestamente equivocada, apresenta fundamentação deficiente. Aplicação da Súmula 284/STF. 3. A existência de título não configura pressuposto processual da ação monitória e não pode ser considerada matéria de ordem pública. 4. A aptidão da prova escrita para amparar a ação monitória está sujeita à preclusão e somente pode ser discutida na fase monitória do procedimento. Aplicação da Súmula 83/STJ. 5. O exame da existência e da suficiência da prova escrita apresentada não se mostra possível nesta instância especial, por demandar o reexame de matéria fático-probatória. Aplicação da Súmula 7/STJ. 6. A mera interposição do recurso cabível, por si só, não enseja a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC, que pressupõe intuito protelatório ou abusivo, o que não está configurado no presente caso. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. Em suas razões (e-STJ fls. 351-353), o embargante alega que houve omissão no acórdão embargado, uma vez que não se mostram aplicáveis as Súmulas 284/STF e 83/STJ, reiterando sua alegação que não há título monitório apto, já que a prova escrita deve ser dotada de certeza e de liquidez capazes de comprovar de plano o direito reclamado. Defende que o acórdão embargado incidiu em omissão também quanto à alegação de que o recurso especial não implica o reexame de provas e de fatos, mas apenas a correta aplicação do art. 485, § 3º, ao caso. Foi apresentada impugnação (e-STJ fls. 361-369). É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NORECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. ALEGADA OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. 1. Não há omissão no acórdão que examinou de forma expressa todas as razões veiculadas em agravo interno. 2. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da matéria já decidida no julgamento do recurso especial. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. VOTO Eminentes Colegas, devem ser rejeitados os presentes embargos de declaração. Não há qualquer omissão no acórdão, tendo os embargos o nítido intuito de rediscutir as questões já decididas por esta Colenda Terceira Turma. A embargante alega que teria havido omissão quanto às alegações, formuladas no agravo interno, no sentido da inaplicabilidade das Súmulas 284/STF, 83/STJ e 7/STJ. Porém, o acórdão embargado examinou de forma clara e inequívoca tais alegações, afastando-as expressamente. De fato, quanto à alegação de que não há "título monitório apto", afirmou-se que, verbis (e-STJ fls. 344): No que diz respeito ao art. 485, § 3º, do CPC, deve ser mantida a decisão agravada, que aplicou ao caso a Súmula 284/STF. Com efeito, a existência de título não constitui pressuposto de constituição e de desenvolvimento válido e regular da ação monitória, não havendo falar, portanto, em matéria de ordem pública. Sendo assim, o recurso especial partiu de premissa manifestamente equivocada, razão pela qual sua fundamentação se mostra deficiente, a ensejar a aplicação da Súmula 284/STF. Nas razões do agravo interno, o agravante busca justificar sua pretensão, afirmando que não é a existência de título, mas, sim, a existência de prova escrita hábil que configuraria, no caso, matéria de ordem pública. De todo modo, a aptidão da prova escrita para fundamentar a ação monitória também não configura matéria de ordem pública, estando evidentemente sujeita à preclusão, razão pela qual deve ser examinada apenas na fase monitória do procedimento, antes de determinada sua conversão. E quanto à necessidade de reexame de fatos e de provas, assim constou do acórdão embargado (e-STJ fls. 346-347): Ressalto, por fim, que não se mostra possível, nesta instância especial, o reexame da existência e da suficiência da prova escrita apresentada, em razão do óbice previsto na Súmula 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. INAPLICABILIDADE DOS DISPOSITIVOS SUPOSTAMENTE VIOLADOS. SÚMULA 284/STF. REVISÃO DA SUFICIÊNCIA PROBATÓRIA DA DOCUMENTAÇÃO ESCRITA. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É inadmissível o inconformismo por deficiência na fundamentação quando os dispositivos legais alegados por supostamente violados, nas razões do recurso, estão dissociadas do decidido no acórdão recorrido. Aplicação da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. A pretensão recursal de revisão da suficiência da prova escrita para a propositura da ação monitória, no caso dos autos, implica revisão das provas, providência proibida nesta instância, nos termos da Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1600034/RN, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 01/06/2020, DJe 15/06/2020) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. INEXISTÊNCIA. AÇÃO MONITÓRIA. LEGITIMIDADE DO ENDOSSATÁRIO. PRODUÇÃO DE PROVA. PRECLUSÃO. FUNDAMENTO NÃO ATACADO. SÚMULA Nº 283/STF. ORIGEM DA DÍVIDA. PROVA PELO CREDOR. DESNECESSIDADE. EXISTÊNCIA DE PROVA ESCRITA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Não viola o artigo 535 do Código de Processo Civil de 1973 nem importa negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adotou para a resolução da causa fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pelo recorrente, para decidir de modo integral a controvérsia posta. 2. O endossatário possui legitimidade para ajuizar ação monitória. 3. A ausência de impugnação dos fundamentos do aresto recorrido enseja a incidência, por analogia, da Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal. 4. Na cobrança de cheque prescrito por ação monitória, o credor não precisa provar a origem da dívida. Precedentes. 5. Rever as conclusões do acórdão recorrido acerca da existência de prova escrita de forma a possibilitar a cobrança via ação monitória, demandaria o reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado em recurso especial. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 544.624/GO, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 17/06/2016) Não há, assim, qualquer omissão. Cumpre ressaltar que os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da matéria já decidida. Nesse sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO INTERNO. CONTRATO DE SEGURO. PESSOA JURÍDICA. RELAÇÃO CONSUMERISTA. NÃO INCIDÊNCIA DO CDC. CLÁUSULAS LIMITATIVAS. VALIDADE. INEXISTÊNCIA DE DANO MORAL OU MATERIAL. REEXAME DE PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no recurso. 2. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp 1380546/GO, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 28/09/2020, DJe 01/10/2020) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE COBRANÇA. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADAS. ANÁLISE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INOBSERVÂNCIA. SÚMULA Nº 5 DO STJ. REJULGAMENTO DA CAUSA. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022, II, do NCPC (art. 535 do CPC/1973), não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 3. Os embargos de declaração não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado. 4. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige interpretação de cláusula contratual e reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir as Súmulas nºs 5 e 7, ambas do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1592737/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/09/2020, DJe 21/09/2020) Por fim, entendo que não há, ainda, motivos bastantes para a aplicação da multa a que alude o § 2º do art. 1.026 do CPC. Advirto o embargante, no entanto, de que a reiteração de embargos infundados será reputada conduta de intuito manifestamente protelatório. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.