AREsp 2657268 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as alegações recursais dependiam do reexame de matéria fático-probatória e de cláusulas contratuais (vedado pela Súmula 7 do STJ) e porque parte da fundamentação carecia de indicação precisa de dispositivos legais violados (vedado pela Súmula 284 do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CAMILA FRANCIELI DE PAULA GOMES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo (admissibilidade De Recurso Especial) / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (julgamento De Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro honorários advocatícios em 15% em desfavor da recorrente.
- Legal Topics
- Ação Monitória, Admissibilidade De Recurso Especial, Prova Escrita Sem Eficácia De Título Executivo (art. 700 Cpc), Reexame De Prova E Acervo Fático (súmula 7/stj), Fundamentação Insuficiente Do Recurso (súmula 284/stf), Honorários Advocatícios (art. 85 Cpc)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CAMILA FRANCIELI DE PAULA GOMES
Agravante
Procedural Posture
Agravo (admissibilidade De Recurso Especial) / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial (julgamento De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Existência e validade de prova escrita/aceite digital do contrato (art. 700 CPC)
- 2 Possibilidade de revisão dos valores/mensalidades cobradas
- 3 Admissibilidade do recurso especial frente à necessidade de reexame de provas (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as alegações recursais dependiam do reexame de matéria fático-probatória e de cláusulas contratuais (vedado pela Súmula 7 do STJ) e porque parte da fundamentação carecia de indicação precisa de dispositivos legais violados (vedado pela Súmula 284 do STF). Ademais, a recorrente não impugnou especificamente a validade do aceite digital que instruía a ação monitória (art. 700 CPC). Em razão da sucumbência recursal, majoraram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro honorários advocatícios em 15% em desfavor da recorrente.
Orders
- Conheço do agravo.
- Não conheço do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CAMILA FRANCIELI DE PAULA GOMES contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AÇÃO MONITÓRIA. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. APELO DA RÉ. A APELANTE NÃO IMPUGNOU, ESPECIFICAMENTE, A VALIDADE DO ACEITE DIGITAL DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS (EM 10/01/2017. ÀS 09:34:59. VIA IP 191.254.2.120), NOS TERMOS DA CLÁUSULA SEGUNDA, O QUE CONFERE LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM PARA A AÇÃO MONITÓRIA, APARELHADA COM PROVA ESCRITA, SEM EFICÁCIA DE TÍTULO EXECUTIVO (ART. 700 DO CPC/15). PRECEDENTE. PROVADA A CONTRATAÇÃO, A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO FOI DEMONSTRADA PELA GRADE CURRICULAR, BOLETIM E PROVAS. QUANTO AOS VALORES, NÃO SE COGITA DE REVISÃO DAS MENSALIDADES PELA MÉDIA DE MERCADO, PREVALECENDO O ACORDADO ENTRE AS PARTES, MANTIDO O AFASTAMENTO APENAS DOS HONORÁRIOS CONTRATUAIS. MAS QUE NÃO CONFIGURA EXCESSO DE COBRANÇA, AUSENTE MÁ-FÉ DA APELADA QUE JUSTIFIQUE A REPETIÇÃO DO INDÉBITO PELO DOBRO. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS RECURSAIS. ELEVAÇÃO EM 2% DA VERBA HONORÁRIA ADVOCATÍCIA DE SUCUMBÉNCIA. TOTALIZANDO 12% DA CONDENAÇÃO (ART. 85. §§ IO E 11, DO CPC/15), OBSERVADA A GRATUIDADE. APELAÇÃO DESPROVIDA. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 700 do CPC, no que concerne à ausência dos requisitos para propositura da ação monitória, tendo em vista que não existe prova escrita capaz de demonstrar a realização do contrato entre as partes, trazendo a seguinte argumentação: Nesse sentido, compulsando os autos, verifica-se que nos documentos que instruíram a petição inicial não existe qualquer documento assinado pela recorrente, ou seja, não existe "prova escrita" que a obrigue a efetuar qualquer pagamento, muito menos ainda, a informação sobre valores. Ademais, respeitosamente, o v. acórdão não analisou com profundidade que faltou a assinatura da recorrente nos documentos, assim, são totalmente controversas as alegações da recorrida, devendo o processo ter sua tramitação pelo rito comum. Inclusive, nos documentos juntados aos autos não existe qualquer valor em que a recorrente estaria obrigada a efetuar eventual pagamento. Portanto, se não existe qualquer "prova escrita" com a assinatura da recorrente, a presente cobrança deverá seguir o procedimento ordinário, extinguindo o presente feito. .. Portanto, sem a concordância e submissão da recorrente aos termos de eventual contrato eletrônico, não existe "prova escrita sem eficácia de titulo executivo", violando o art. 700 do CPC, devendo o feito ser extinto sem julgamento de mérito (fls. 173-174) Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente alega a revisão do montante cobrado pela recorrida, pois muito superior aos valores praticados no mercado, trazendo a seguinte argumentação: Conforme fls. 03, a recorrida apresenta os cálculos, apontando um valor principal de R$5.710,59, sendo corrigido o valor passou a ser de R$7.354,47, adicionado juros moratórios de 1% ao mês, o valor passou para R$11.680,65 e ainda foi adicionado a multa de 2%, ficando o valor em R$11.827,74, por fim, a recorrida ainda adiciona ao valor o percentual de 20% (R$2.365,55) referente a honorários advocatícios, ficando ao final o valor cobrado de R$14.193,29, entretanto, ainda que ilegal a cobrança, mesmo que não fosse, o que se admite apenas para debate, o valor cobrado estaria em evidente excesso, conforme tópico abaixo. Destarte, na remota hipótese de condenação, o que não se acredita, deverá ser utilizado o cálculo abaixo, como medida de justiça (fl. 176). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Com efeito, a apelante não impugnou, especificamente, a validade do aceite digital do contrato de prestação de serviços educacionais (em 10/01/2017, às 09:34:59, via IP 191.254.2.120 fls. 04), nos termos da cláusula segunda (fls. 84, 91 e 93), o que confere legitimidade passiva ad causam para a ação monitória, aparelhada com prova escrita, sem eficácia de título executivo (art. 700 do CPC/15). .. Ademais, provada a contratação, a prestação do serviço foi demonstrada pela grade curricular, boletim e provas (fls. 05/06 e 96/124) (fl. 164). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Na mesma linha: "Quanto às alegações de excesso de prazo, em conjunto com os pedidos de absolvição ou de redimensionamento da pena, com abrandamento de regime e substituição da pena por restritivas de direitos, a recorrente não indicou os dispositivos legais considerados violados, o que denota a deficiência da fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência do enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal." (AgRg nos EDcl no REsp n. 1.977.869/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 20/6/2022.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009; AgInt no AREsp n. 2.029.025/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 29/6/2022; AgRg no REsp n. 1.779.821/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 18/2/2021; AgRg no REsp n. 1.986.798/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Quanto aos valores, não se cogita de revisão das mensalidades pela média de mercado, prevalecendo o acordado entre as partes, mantido o afastamento apenas dos honorários contratuais, mas que não configura excesso de cobrança, ausente má-fé da apelada que justifique a repetição do indébito pelo dobro (fls. 164-165). Assim, incidem os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, uma vez que a pretensão recursal demanda reexame de cláusulas contratuais e reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Portanto, "a pretensão de alterar tal entendimento, considerando as circunstâncias do caso concreto, demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, o que é inviável em sede de recurso especial, conforme dispõem as Súmulas 5 e 7, ambas do STJ". (AgInt no AREsp 1.227.134/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 9/10/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.716.876/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 3/10/2019; AgInt no AREsp 1.165.518/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4/10/2019; AgInt no AREsp 481.971/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 25/9/2019; AgInt no REsp 1.815.585/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 23/9/2019; e AgInt no AREsp 1.480.197/MG, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 25/9/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA