AREsp 2887256 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por aplicação, por analogia, da Súmula nº 283/STF, diante da existência de fundamentos suficientes no acórdão recorrido não impugnados pelo recorrente; determinou-se ainda a majoração dos honorários sucumbenciais para 15% nos termos do art.85, §11, do CPC.
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- Parties
- Agravante: DIOMAR PEDRO TEIDER; Corréu: Auto Posto Andrade & Andrade Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Ação Monitória, Nulidade Da Citação, Ineficácia Da Sentença, Litisconsórcio Passivo Facultativo, Súmula 283/stf, Honorários Sucumbenciais
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Parties
DIOMAR PEDRO TEIDER
Agravante
Auto Posto Andrade & Andrade Ltda.
Corréu
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 nulidade da citação de litisconsorte passivo facultativo
- 2 ineficácia da sentença em face de litisconsorte não citado (art.115 CPC)
- 3 incidência da Súmula nº 283/STF por analogia
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por aplicação, por analogia, da Súmula nº 283/STF, diante da existência de fundamentos suficientes no acórdão recorrido não impugnados pelo recorrente; determinou-se ainda a majoração dos honorários sucumbenciais para 15% nos termos do art.85, §11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
- Majorar os honorários sucumbenciais para 15% em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/08/2025 a 18/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. CITAÇÃO. NULIDADE. INEFICÁCIA DA SENTENÇA QUANTO A LITISCONSORTE. IMPUGNAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 283/STF. 1. A teor da Súmula nº 283/STF, aplicada por analogia, não se admite recurso especial quando a decisão recorrida se assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. 2. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto por DIOMAR PEDRO TEIDER contra a decisão que inadmitiu o recurso especial. O apelo extremo, fundamentado no art. 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina assim ementado: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. CONTRATOS BANCÁRIOS. NULIDADE DA CITAÇÃO DE LITISCONSORTE PASSIVO FACULTATIVO. INEFICÁCIA DA SENTENÇA. FIADOR EX-SÓCIO. OBRIGAÇÃO MANTIDA APÓS A RETIRADA DA SOCIEDADE. 1. Reconhecida a nulidade da citação de litisconsorte passivo facultativo, impõe-se não a anulação da sentença, mas a declaração de sua ineficácia perante o corréu que não foi regularmente citado, nos termos do art. 115 do CPC. 2. A responsabilidade do fiador pelo pagamento da dívida, contraída pela sociedade da qual era integrante, não está vinculada à condição de sócio, na esteira de precedentes deste Tribunal. 3. Os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza não são exigidos para o ajuizamento da ação monitória, pois basta que o credor ingresse com a ação e comprove o fato constitutivo de seu direito buscando, por essa via, a formação do título para instruir futura execução. Na hipótese de obrigação de pagar quantia, é necessário, no entanto, que a parte autora junte aos autos memória de cálculo do valor que entende devido (art. 700, § 2º, do CPC), incluindo os períodos da normalidade contratual e do inadimplemento" (e-STJ fl. 433). No recurso especial, o recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 115, I e 239 do Código de Processo Civil -, pois o processo deve ser considerado nulo e não apenas declarada a ineficácia da citação. Sem as contrarrazões (e-STJ fl. 486), o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. CITAÇÃO. NULIDADE. INEFICÁCIA DA SENTENÇA QUANTO A LITISCONSORTE. IMPUGNAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. SÚMULA Nº 283/STF. 1. A teor da Súmula nº 283/STF, aplicada por analogia, não se admite recurso especial quando a decisão recorrida se assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. 2. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial. VOTO Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. A alegada ofensa aos arts. 115, I, e 239 do Código de Processo Civil foi afastada pelo Tribunal de origem sob os seguintes fundamentos: "(..) Ressalte-se que o Código de Processo Civil prevê que a pessoa jurídica será representada em juízo por quem os respectivos atos constitutivos designarem ou, não havendo essa designação, por seus diretores (artigo 75, inciso VIII). Embora a conclusão imediata seja a nulidade do processo, o caso apresenta uma peculiaridade. Tendo em vista a existência de solidariedade passiva, o credor pode exigir a dívida toda de apenas um dos devedores, a teor do artigo 275 do Código Civil: Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. Deste modo, trata-se de litisconsórcio passivo facultativo, impondo-se não o reconhecimento da nulidade da sentença, mas sim a declaração de sua ineficácia em face da empresa Auto Posto Andrade & Andrade Ltda., que não foi regularmente citada, nos termos do CPC: Art. 115. A sentença de mérito, quando proferida sem a integração do contraditório, será: I - nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a todos que deveriam ter integrado o processo; II - ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram citados. Portanto, procede apenas em parte a insurgência do apelante" (e-STJ fl. 428 - grifou-se). Tais fundamentos, entretanto, não foram objeto de impugnação pelo recorrente, atraindo a incidência, por analogia, da Súmula nº 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Confira-se: "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RESCISÃO DO CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. ENVIO DA NOTIFICAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTOS NÃO IMPUGNADOS. SÚMULA Nº 283 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A ausência de combate aos fundamentos do acórdão recorrido, suficientes por si só, para a manutenção do decidido acarreta a incidência da Súmula n.º 283 do STF. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido" (AgInt no AREsp 2.157.654/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023 - grifou-se). Registra-se ser pacífico o entendimento deste Tribunal Superior de que a Súmula nº 283/STF aplica-se aos recursos especiais interpostos com fulcro tanto na alínea "a" do permissivo constitucional (violação de lei federal) quanto na alínea ""c"" (divergência jurisprudencial). A propósito: "RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RETIFICAÇÃO DE REGISTRO IMOBILIÁRIO. CASAMENTO REALIZADO NO ESTRANGEIRO. ACRÉSCIMO DO SOBRENOME DO MARIDO. IMPOSSIBILIDADE. TRASLADO DEVE TRANSCREVER A CERTIDÃO ORIGINÁRIA. 1. Entendimento do Tribunal a quo que não destoa da jurisprudência desta Corte Superior, orientado no sentido de que o registro civil brasileiro se limita a reproduzir o casamento formalizado no exterior, de modo que a retificação do nome deve ser promovida diretamente no assento de origem, observando-se as regras daquele país, podendo ser postulado posteriormente a sua averbação perante a repartição competente do Brasil (REsp n. 1.872.147, relatora Ministra Nancy Andrighy, DJE de 2/6/2020). 2. Não tendo o Brasil jurisdição sobre registro civil estrangeiro, no caso os Estados Unidos da América, cuja retificação deverá ser buscada em processo próprio naquele país, razão por que deve ser mantido o acórdão recorrido ante a aplicação, na hipótese, da Súmula 283/STF. 3. Pretensão de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pela incidência da Súmula STF n. 283. Assim, quando remanesce incólume fundamento capaz por si só de manter o acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento da inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Recurso especial improvido" (REsp 1.966.656/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Terceira Turma, julgado em 28/4/2025, DJEN de 5/5/2025 - grifou-se). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, os quais devem ser majorados para o patamar de 15% (quinze por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. É o voto.