REsp 2196401 - DECISAO
Tratando-se de ação regressiva do INSS por responsabilidade civil extracontratual do empregador, os juros de mora devem fluir desde o evento danoso (desembolso do benefício), nos termos da Súmula 54/STJ; quanto à aplicação da taxa Selic para atualização, a matéria não foi prequestionada, o que impede seu...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Recorrido: Masisa do Brasil Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (ação Regressiva) / Decisão De Mérito Parcialmente Provido
- Outcome
- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.
- Legal Topics
- Ação Regressiva, Acidente De Trabalho, Juros De Mora, Atualização Monetária, Responsabilidade Civil Extracontratual, Contribuição Ao SAT, Prequestionamento, Súmula 54/stj, Súmula 282/stf, Súmula 204/stj, Súmula 7/stj
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Masisa do Brasil Ltda.
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial (ação Regressiva) / Decisão De Mérito Parcialmente Provido
Legal Issues
- 1 Aplicação da taxa Selic para atualização dos créditos reclamados
- 2 Termo inicial dos juros moratórios em ação regressiva (evento danoso vs citação)
- 3 Efeito da contribuição ao SAT sobre a responsabilidade civil do empregador
Ratio Decidendi
Tratando-se de ação regressiva do INSS por responsabilidade civil extracontratual do empregador, os juros de mora devem fluir desde o evento danoso (desembolso do benefício), nos termos da Súmula 54/STJ; quanto à aplicação da taxa Selic para atualização, a matéria não foi prequestionada, o que impede seu conhecimento no recurso especial; ainda, a contribuição ao SAT não afasta a responsabilidade civil do empregador prevista no art. 120 da Lei 8.213/1991.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.
Orders
- Conheço em parte do recurso especial e, nesta parte, dou-lhe provimento.
- Determinar que, quanto às parcelas vencidas, os juros de mora incidam a partir do evento danoso (Súmula 54/STJ).
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, assim ementado (fl. 1004): ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. PROCEDIMENTO COMUM. AÇÃO REGRESSIVA. INSS. ACIDENTE DE TRABALHO. NORMAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO. NEGLIGÊNCIA DO EMPREGADOR. AFASTADA CULPA EXCLUSIVA OU CONCORRENTE DA VÍTIMA. CONTRIBUIÇÃO AO SAT. SELIC. ART. 120 DA LEI 8.213/91. 1. Afastada culpa exclusiva ou concorrente da vítima, que realizava atividade que não se inseria nas suas atribuições normais (almoxarife), bem como ausente programa de desmobilização que contemplasse ações de saúde e segurança no trabalho. 2. O custeio pela empresa do chamado seguro de acidente de trabalho (SAT) não afasta a sua responsabilidade civil nos casos de negligência no cumprimento das normas de segurança e higiene do trabalho. 3. Inaplicável a taxa SELIC, pois o crédito não possui natureza tributária. 4. Apelações desprovidas. O recorrente sustenta as seguintes ofensas: i) art. 37-A da Lei nº 10.522/2002 e art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, ao argumento de que a taxa SELIC deveria ser aplicada como critério único de atualização dos valores devidos, por ser o indexador utilizado para débitos fiscais e tributários (fls. 1041-1045); ii) art. 398 do Código Civil, ao argumento de que os juros de mora deveriam incidir a partir do ato ilícito, correspondente ao desembolso de cada prestação pelo INSS, para parcelas vencidas e vincendas (fls. 1045-1046). Com contrarrazões (fls. 1069-1073). Juízo positivo de admissibilidade às fls. 1076. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. O recurso especial tem origem em ação regressiva acidentária promovida pelo INSS, visando ao ressarcimento dos valores relativos ao benefício previdenciário concedido em decorrência de acidente de trabalho, alegando negligência da empresa ré no cumprimento das normas de segurança e saúde do trabalho. No que diz respeito aos artigos artigos 37-A da Lei nº 10.522/2002 e art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, verifica-se que não houve juízo de valor por parte da Corte de origem, tampouco oposição de embargos declaratórios para tal fim , o que acarreta o não conhecimento do recurso especial pela falta de cumprimento ao requisito do prequestionamento. Aplica-se ao caso a Súmula n. 282/STF. Quanto ao termo inicial dos juros moratórios, o acórdão recorrido decidiu que, em ações regressivas previdenciárias, os juros moratórios são devidos à taxa de 1% ao mês e incidem desde o evento danoso (Súmula 54 do STJ), entendido como o pagamento do benefício pelo INSS, quando se tratar das parcelas vincendas. Quanto às parcelas vencidas, os juros de mora são computados a partir da citação, considerando a natureza civil da pretensão de ressarcimento, conforme a Súmula nº 204 do Superior Tribunal de Justiça. Ocorre que a esta Corte, em casos análogo ao dos autos, já se manifestou no sentido de que, tratando-se de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, os juros de mora deverão fluir a partir do evento danoso, para as parcelas vencidas e vincendas, nos termos da Súmula 54 do STJ. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. AÇÃO REGRESSIVA. ARTIGO 120 DA LEI 8.213/1991. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. ARTIGOS 37-A DA LEI 10.522/2002 E 61 DA LEI 9.430/1996. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DO EVENTO DANOSO. SÚMULA 54 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, PROVIDO. 1. O Tribunal de origem não se manifestou sobre os artigos 37-A da Lei 10.522/2002 e 61 da Lei 9.430/1996, bem como sobre a respectiva tese de que após dezembro de 2008 a aplicação da taxa Selic é obrigatória para a atualização dos créditos das autarquias e fundações públicas. Portanto, desatendido, no ponto, o requisito do prequestionamento, nos termos da Súmula 211/STJ. 2. A ação regressiva intentada pelo INSS visa ressarcir os cofres públicos dos gastos com o pagamento de benefícios previdenciários oriundos de acidente de trabalho, causado pela negligência do empregador quanto à observância das normas de segurança e higiene do trabalho. Trata-se, em verdade, de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, porquanto, o empregador, por culpa ou dolo, deixa de observar as normas de segurança do trabalho, conduta determinante para a ocorrência do acidente. 3. Tratando-se de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, os juros de mora deverão fluir a partir do evento danoso, nos termos da Súmula 54 do STJ, in verbis: "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual". Precedente: REsp 1393428/SC, Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, julgado em 21/11/2013, DJe 06/12/2013. 4. Portanto, com relação às parcelas vencidas, os juros de mora deverão incidir a partir do evento danoso, nos termos da Súmula 54/STJ. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp n. 1.673.513/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28/11/2017, DJe de 1/12/2017.) PREVIDENCIÁRIO. ACIDENTE DO TRABALHO. AÇÃO REGRESSIVA DO INSS. ART. 120 DA LEI N. 8.213/1991. RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. NEGLIGÊNCIA DA EMPREGADORA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO - PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DO INSS. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DO EVENTO DANOSO. SÚMULA N. 54/STJ. I - Na origem, cuida-se de ação regressiva ajuizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS em desfavor da empresa Masisa do Brasil Ltda. objetivando o ressarcimento das despesas causadas à Previdência Social com o pagamento de benefícios acidentários. II - Impõe-se o afastamento de alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando a questão apontada como omitida pelo recorrente foi examinada de modo fundamentado no acórdão recorrido, caracterizando o intuito revisional dos embargos de declaração. III - A jurisprudência do STJ é no sentido de que a contribuição ao SAT não exime o empregador da sua responsabilização por culpa em acidente de trabalho, conforme art. 120 da Lei n. 8.213/1991. Precedentes: AgInt no REsp n. 1.677.388/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 7/6/2018, DJe 20/6/2018; e REsp n. 1.666.241/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 27/6/2017, DJe 30/6/2017. IV - Havendo o Tribunal de origem, em vasta decisão e com fundamento nos fatos e provas dos autos, concluído que o acidente que vitimou os segurados decorreu de negligência da empresa quanto ao cumprimento das normas de segurança do trabalho em relação a risco específico da atividade industrial, de explosão e incêndio, a inversão do julgado demandaria o reexame de fatos e provas dos autos, o que é vedado na instância especial ante o óbice do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. V - De acordo com a jurisprudência do STJ, entende-se que, por se tratar de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, nas ações regressivas ajuizadas pelo INSS, os juros de mora deverão fluir a partir do evento danoso, nos termos do enunciado n. 54 da Súmula do STJ: "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual". Precedentes: REsp n. 1.673.513/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28/11/2017, DJe 1º/12/2017; AgInt no REsp n. 1.373.984/DF, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 9.8.2017; e AgInt no AREsp n. 410.097/PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe 10.2.2017. VI - Recurso especial da empresa parcialmente conhecido e improvido; Recurso especial do INSS provido para fixar o evento danoso como termo inicial dos juros de mora. (REsp n. 1.745.544/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 13/12/2018, DJe de 18/12/2018.) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. ACIDENTE DE TRABALHO. AÇÃO REGRESSIVA DO INSS CONTRA O EMPREGADOR. RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 54/STJ. 1. Cuida-se in casu, em essência, de responsabilidade civil extracontratual do empregador, que foi condenado a indenizar o ora recorrente por ato ilícito, diante da existência de culpa, na modalidade de negligência. Afasta-se, por consequência, a Súmula 204/STJ, que trata dos juros de mora em ações relativas a benefícios previdenciários. Aplica-se, por analogia, a Súmula 54/STJ, devendo os juros moratórios fluir a partir da data do desembolso da indenização. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial provido. (REsp n. 1.690.287/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3/10/2017, DJe de 26/11/2018.) ADMINISTRATIVO E CIVIL. ACIDENTE DE TRABALHO. AÇÃO REGRESSIVA. RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR. CULPA IN VIGILANDO. ALTERAÇÃO DO JULGADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. JUROS MORATÓRIOS. RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL. TERMO A QUO. SÚMULA 54/STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem, por meio da análise das circunstâncias e peculiaridades fáticas do caso, consignou: "no caso dos autos, o conjunto probatório indica, sim, que o Município réu não respeitou os padrões exigidos pelas normas de segurança do trabalho, contribuindo diretamente para a ocorrência do acidente em questão" (fls. 397-398, e-STJ). Assim, é inviável analisar a tese defendida no Recurso Especial, a qual busca afastar as premissas fáticas estabelecidas pelo acórdão recorrido, em razão da incidência do enunciado da Súmula 7 do STJ. 2. No julgamento do REsp 1.393.428/SC, a Segunda Turma do STJ teve oportunidade de se manifestar sobre o tema, concluindo que, quando o empregador é condenado a indenizar o INSS por ato ilícito, diante da existência de culpa, na modalidade de negligência, o caso é de responsabilidade civil extracontratual. 3. Em caso de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, os juros de mora deverão incidir a partir do evento danoso, nos termos da Súmula 54/STJ: "os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual". 4. Recurso Especial do INSS provido, e Agravo do Município de Turvo/SC conhecido para não conhecer de seu Recurso Especial. (REsp n. 1.734.219/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2018, DJe de 23/11/2018.) Portanto, o recurso merece prosperar com relação às parcelas vencidas, para que os juros de mora incidam a partir do evento danoso, nos termos da Súmula 54/STJ. Ante o exposto, conheço em parte do recurso especial e, nesta parte, dou-lhe provimento, nos termos da fundamentação supra. Publique-se. Intimem-se. EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REGRESSIVA DO INSS. ACIDENTE DE TRABALHO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS POR VIOLADOS. SÚMULA N. 282/STF. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DO EVENTO DANOSO. SÚMULA 54 DO STJ. ACÓRDÃO CONTRÁRIO A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, PROVIDO.