REsp 2229426 - DECISAO
Em ação regressiva ajuizada pelo INSS por acidente de trabalho decorrente de negligência do empregador, tratando‑se de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, os juros de mora devem fluir desde o evento danoso (Súmula 54/STJ); manteve‑se a constitucionalidade do art. 120 da Lei 8.213/1991 e o...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Ré: Moaraflex Transporte e Comércio de Materiais de Reciclagem Ltda. - ME; Segurada: Terezinha Rodrigues Ferreira Locatelli
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (ação Regressiva Acidentária) / Julgado (provimento Ao Inss; Recurso Da Empresa Desprovido)
- Outcome
- recurso especial do INSS provido; recurso da empresa desprovido
- Legal Topics
- Ação Regressiva Acidentária, Responsabilidade Civil Subjetiva, Prescrição, Juros De Mora, Honorários Advocatícios, Correção Monetária, Constitucionalidade Do Art. 120 Da Lei 8.213/1991, Prova Testemunhal
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Moaraflex Transporte e Comércio de Materiais de Reciclagem Ltda. - ME
Ré
Terezinha Rodrigues Ferreira Locatelli
Segurada
Procedural Posture
Recurso Especial (ação Regressiva Acidentária) / Julgado (provimento Ao Inss; Recurso Da Empresa Desprovido)
Legal Issues
- 1 validade da oitiva da segurada como testemunha
- 2 prazo prescricional aplicável à ação regressiva acidentária
- 3 constitucionalidade do art. 120 da Lei 8.213/1991
Ratio Decidendi
Em ação regressiva ajuizada pelo INSS por acidente de trabalho decorrente de negligência do empregador, tratando‑se de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, os juros de mora devem fluir desde o evento danoso (Súmula 54/STJ); manteve‑se a constitucionalidade do art. 120 da Lei 8.213/1991 e o reconhecimento de negligência da empresa com nexo causal; os honorários devem incidir sobre a condenação incluindo 12 parcelas vincendas; a correção monetária deve observar o INPC.
Court Disposition
recurso especial do INSS provido; recurso da empresa desprovido
Orders
- Determinar que os juros de mora de 1% ao mês incidam desde o evento danoso para parcelas vincendas e para parcelas vencidas (termo inicial: data do evento danoso), em conformidade com a Súmula 54/STJ.
- Incluir 12 parcelas vincendas na base de cálculo dos honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 9º, do CPC.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial, interposto pelo INSS, com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, contra acórdão do TRF4, assim ementado: AÇÃO REGRESSIVA ACIDENTÁRIA. ACIDENTE DE TRABALHO. NEGLIGÊNCIA QUANTO ÀS NORMAS DE SEGURANÇA E HIGIENE DO TRABALHO. RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA DO EMPREGADOR. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 120 DA LEI 8.213/1991. JUROS DE MORA E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RECURSO DO INSS PROVIDO E RECURSO DA EMPRESA RÉ DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Ação regressiva acidentária proposta pelo INSS contra Moaraflex Transporte e Comércio de Materiais de Reciclagem Ltda. - ME, visando ao ressarcimento dos valores pagos a título de auxílio-doença e auxílio-acidente à segurada Terezinha Rodrigues Ferreira Locatelli, em razão de acidente de trabalho ocorrido em 30/05/2017. Sentença de procedência para condenar a ré ao ressarcimento das despesas previdenciárias e ao pagamento de honorários advocatícios. 2. Apelações de ambas as partes: a empresa sustenta suspeição de testemunha, prescrição, inconstitucionalidade da ação regressiva, inexistência de culpa e, subsidiariamente, culpa exclusiva da vítima; o INSS pleiteia a alteração da base de cálculo dos honorários e a modificação dos critérios de incidência dos juros de mora. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. Há cinco questões em discussão: (i) definir se é válida a oitiva da segurada acidentada como testemunha; (ii) estabelecer o prazo prescricional aplicável à ação regressiva acidentária; (iii) analisar a constitucionalidade do art. 120 da Lei 8.213/1991; (iv) verificar a existência de negligência da empresa ré quanto às normas de segurança do trabalho, configurando responsabilidade civil subjetiva; (v) determinar os critérios de cálculo dos honorários advocatícios e a incidência dos juros de mora sobre os valores devidos. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. A oitiva da segurada acidentada como testemunha é válida, pois não se configuram hipóteses de impedimento ou suspeição previstas no art. 447 do CPC, especialmente considerando o trânsito em julgado da ação trabalhista anteriormente ajuizada. 5. O prazo prescricional aplicável é o quinquenal, previsto no Decreto nº 20.910/1932, contados a partir do primeiro pagamento do benefício previdenciário, não se aplicando o prazo trienal do art. 206, § 3º, V, do CC. 6. O art. 120 da Lei 8.213/1991 é constitucional, conforme decisão da Corte Especial do TRF4, pois visa à responsabilização do empregador negligente, sem violar os princípios constitucionais da seguridade social e da livre iniciativa. 7. Restou comprovada a negligência da empresa ré quanto às normas de segurança do trabalho, evidenciada pela ausência de barreiras físicas adequadas, falhas na sinalização de riscos e inobservância das normas da NR-12, configurando violação do dever de cuidado e nexo causal com o acidente que resultou em lesão à segurada. 8. A culpa exclusiva ou concorrente da vítima foi afastada, considerando que a trabalhadora recebeu treinamento para sua função e o acidente ocorreu em contexto de falha na gestão de segurança da empresa, não havendo rompimento do nexo causal. 9. Os honorários advocatícios devem incidir sobre o valor da condenação, incluindo as parcelas vencidas e 12 vincendas, conforme o art. 85, § 9º, do CPC. 10. Os juros de mora incidem à taxa de 1% ao mês, sendo aplicados, para as parcelas vencidas, a partir da citação, nos termos da Súmula 204 do STJ, e, para as parcelas vincendas, desde o respectivo pagamento pelo INSS, conforme a Súmula 54 do STJ. 11. A correção monetária deve ser calculada com base no INPC, conforme orientação do STJ no Tema 905. IV. DISPOSITIVO E TESE 12. Recurso da empresa ré desprovido. 13. Recurso do INSS provido para determinar a incidência de juros de mora de 1% ao mês desde o evento danoso para parcelas vincendas e desde a citação para parcelas vencidas, bem como para incluir 12 parcelas vincendas na base de cálculo dos honorários advocatícios. 14. Reformada de ofício a sentença para fixar o INPC como índice de correção monetária. Tese de julgamento: ""1. O art. 120 da Lei 8.213/1991 é constitucional e autoriza a ação regressiva acidentária contra o empregador negligente. 2. O prazo prescricional para ações regressivas acidentárias propostas pelo INSS é de cinco anos, nos termos do Decreto nº 20.910/1932. 3. O recolhimento da contribuição ao SAT não afasta a responsabilidade civil do empregador por acidente de trabalho decorrente de negligência às normas de segurança e higiene do trabalho. 4. A negligência do empregador em adotar medidas adequadas de segurança configura responsabilidade civil subjetiva, sendo desnecessária a prova de dolo. 5. Os honorários advocatícios em ações regressivas devem incidir sobre o valor da condenação, somadas as parcelas vencidas e 12 vincendas. 6. Os juros de mora incidem, para parcelas vencidas, a partir da citação, e, para parcelas vincendas, desde o pagamento do benefício pelo INSS, à taxa de 1% ao mês. 7. A correção monetária deve ser calculada com base no INPC, por se tratar de valores de natureza previdenciária."" Dispositivos relevantes citados: CF/1988, arts. 7º, XXVIII, e 201, § 10; Lei 8.213/1991, arts. 19, § 1º, e 120; CC, arts. 186, 927 e 934; CPC, arts. 85, §§ 3º e 9º, e 447; Decreto nº 20.910/1932. Jurisprudência relevante citada: TRF4, AC 5001181-27.2019.4.04.7116, Rel. Des. Vânia Hack de Almeida, j. 14/02/2023; TRF4, AC 5003586-47.2016.4.04.7114, Rel. Des. Vivian Josete Pantaleão Caminha, j. 17/10/2019; STJ, Súmulas 54 e 204; STF, Tema 810; STJ, Tema 905. Na origem, trata-se de ação regressiva ajuizada pelo INSS, em face de Moaraflex Transporte e Comércio de Materiais de Reciclagem Ltda, na qual pretende o ressarcimento dos valores despendidos e a despender a título de benefícios previdenciários, concedidos em decorrência do acidente de trabalho, o qual envolveu a empregada Terezinha Rodrigues Ferreira Locatelli, ocorrido em 30/05/2017. Nas razões do Especial, o INSS alega violação aos 398 do CC. Sustenta que "o acórdão do Tribunal a quo, embora tenha reconhecido que a pretensão envolve responsabilidade civil extracontratual do empregador, que foi condenado a indenizar por ato ilícito, e a incidência da Súmula nº 54, consolidada pelo STJ ao caso, decidiu, para as parcelas vencidas, que o termo inicial do juros de mora é a citação, fundamentado no caráter civil da pretensão ao ressarcimento e na natureza securitária da Previdência Social, aplicando a Súmula nº 204 do STJ. O entendimento dessa Súmula, porém, é inaplicável ao caso, porque os casos que deram origem a tal entendimento referem-se às hipótese em que há condenação da Autarquia, divergindo do presente caso, em que a Autarquia busca regressivamente ser ressarcida do dano que sofreu, em razão de ilícito praticado pela parte ré." Sem contrarrazões, o REsp foi admitido. É o relatório. Decido. Com razão o INSS recorrente. Este STJ, ao apreciar a matéria (termo inicial dos juros de mora), já assentou, para casos como este, em que se tem ação regressiva, relativa à responsabilidade extracontratual por ato ilícito, que a esse consectário (juros) se aplica a Súmula 54 do STJ, que assim dispõe: Súmula 54/STJ: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. ACIDENTE DO TRABALHO. AÇÃO REGRESSIVA DO INSS. ART. 120 DA LEI N. 8.213/1991. RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. NEGLIGÊNCIA DA EMPREGADORA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO - PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DO INSS. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DO EVENTO DANOSO. SÚMULA N. 54/STJ. I - Na origem, cuida-se de ação regressiva ajuizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS em desfavor da empresa Masisa do Brasil Ltda. objetivando o ressarcimento das despesas causadas à Previdência Social com o pagamento de benefícios acidentários. II - Impõe-se o afastamento de alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando a questão apontada como omitida pelo recorrente foi examinada de modo fundamentado no acórdão recorrido, caracterizando o intuito revisional dos embargos de declaração. III - A jurisprudência do STJ é no sentido de que a contribuição ao SAT não exime o empregador da sua responsabilização por culpa em acidente de trabalho, conforme art. 120 da Lei n. 8.213/1991. Precedentes: AgInt no REsp n. 1.677.388/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 7/6/2018, DJe 20/6/2018; e REsp n. 1.666.241/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 27/6/2017, DJe 30/6/2017. IV - Havendo o Tribunal de origem, em vasta decisão e com fundamento nos fatos e provas dos autos, concluído que o acidente que vitimou os segurados decorreu de negligência da empresa quanto ao cumprimento das normas de segurança do trabalho em relação a risco específico da atividade industrial, de explosão e incêndio, a inversão do julgado demandaria o reexame de fatos e provas dos autos, o que é vedado na instância especial ante o óbice do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. V - De acordo com a jurisprudência do STJ, entende-se que, por se tratar de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, nas ações regressivas ajuizadas pelo INSS, os juros de mora deverão fluir a partir do evento danoso, nos termos do enunciado n. 54 da Súmula do STJ: "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual". Precedentes: REsp n. 1.673.513/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28/11/2017, DJe 1º/12/2017; AgInt no REsp n.1.373.984/DF, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 9.8.2017; e AgInt no AREsp n. 410.097/PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe 10.2.2017. VI - Recurso especial da empresa parcialmente conhecido e improvido; Recurso especial do INSS provido para fixar o evento danoso como termo inicial dos juros de mora (REsp 1745544/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe 18/12/2018). Especificamente sobre as parcelas vencidas, esta Casa também já decidiu que o termo inicial de juros se conta, assim como para as vincendas, a partir do evento danoso. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. AÇÃO REGRESSIVA. ARTIGO 120 DA LEI 8.213/1991. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. ARTIGOS 37-A DA LEI 10.522/2002 E 61 DA LEI 9.430/1996. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DO EVENTO DANOSO. SÚMULA 54 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, PROVIDO. 1. O Tribunal de origem não se manifestou sobre os artigos 37-A da Lei 10.522/2002 e 61 da Lei 9.430/1996, bem como sobre a respectiva tese de que após dezembro de 2008 a aplicação da taxa Selic é obrigatória para a atualização dos créditos das autarquias e fundações públicas. Portanto, desatendido, no ponto, o requisito do prequestionamento, nos termos da Súmula 211/STJ. 2. A ação regressiva intentada pelo INSS visa ressarcir os cofres públicos dos gastos com o pagamento de benefícios previdenciários oriundos de acidente de trabalho, causado pela negligência do empregador quanto à observância das normas de segurança e higiene do trabalho. Trata-se, em verdade, de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, porquanto, o empregador, por culpa ou dolo, deixa de observar as normas de segurança do trabalho, conduta determinante para a ocorrência do acidente. 3. Tratando-se de responsabilidade extracontratual por ato ilícito, os juros de mora deverão fluir a partir do evento danoso, nos termos da Súmula 54 do STJ, in verbis: "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual". Precedente: REsp 1393428/SC, Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, julgado em 21/11/2013, D Je 06/12/2013. 4. Portanto, com relação às parcelas vencidas, os juros de mora deverão incidir a partir do evento danoso, nos termos da Súmula 54/STJ. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 1673513/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28/11/2017, DJe 01/12/2017) O acórdão recorrido merece, pois, reforma nesse ponto. Do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, determinando que o termo inicial da aplicação de juros, para as parcelas vencidas, seja contado a partir do evento danoso e não da citação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. ACIDENTE DO TRABALHO. AÇÃO REGRESSIVA. INDENIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL. TERMO INICIAL DOS JUROS: DATA DO EVENTO DANOSO, NOS TERMOS DA SÚMULA 54/STJ. PRECEDENTES. RESP PROVIDO.