AREsp 2832003 - DECISAO
O agravo não mereceu provimento porque o Tribunal de origem não se pronunciou sobre os dispositivos legais apontados como violados, nem foram opostos embargos declaratórios para manifestar prequestionamento, impondo a aplicação das Súmulas 282 e 356 do STF; ademais, para conhecimento pela alínea 'c' do art. 105 da...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial E Inadmissão Do Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Ação Revisional De Contrato, Juros Remuneratórios, Abusividade, Prequestionamento, Inadmissão De Recurso Especial, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial E Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 falta de prequestionamento sobre os dispositivos apontados
- 2 necessidade de indicação do dispositivo legal para conhecimento pela alínea 'c' do art. 105 da CF
- 3 aplicação de súmulas do STF e STJ para inadmissão
Ratio Decidendi
O agravo não mereceu provimento porque o Tribunal de origem não se pronunciou sobre os dispositivos legais apontados como violados, nem foram opostos embargos declaratórios para manifestar prequestionamento, impondo a aplicação das Súmulas 282 e 356 do STF; ademais, para conhecimento pela alínea 'c' do art. 105 da CF exigia-se a indicação do dispositivo legal supostamente interpretado divergentemente, o que não ocorreu, incidindo a Súmula 284 do STF; consequentemente, nega-se provimento ao agravo e majora-se os honorários advocatícios na forma do art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 20% do valor arbitrado, na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (e-STJ fls. 718/727). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 666): EMENTA - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO - PRELIMINARES DE INÉPCIA DA INICIAL E NULIDADE DA SENTENÇA (AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E CERCEAMENTO DE DEFESA) AFASTADAS - MÉRITO - EMPRÉSTIMO PESSOAL - JUROS REMUNERATÓRIOS - EXCESSOS VERIFICADOS EM RELAÇÃO À TAXA MÉDIA DE MERCADO PUBLICADA PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL - ABUSIVIDADE CONSTATADA - MORA DESCARACTERIZADA - RECURSO DESPROVIDO. I - O art. 319, incisos III e IV, CPC, estabelece normas a que se sujeitará a petição inicial, mormente o pedido com suas especificações. Embora o autor não tivesse feito indicação expressa da cláusula contratual que pretende ver revisada, sua intenção foi clara quanto a pretensão de limitação dos juros remuneratórios à taxa média de mercado. II - A sentença apreciou com exatidão as matérias postas sub judice, com fundamentos jurídicos pertinentes, de modo que não há nulidade na decisão. III - O juiz é o destinatário das provas, cabendo a ele indeferir aquelas que considere inúteis ou meramente protelatórias, quando o acervo probatório dos autos é suficiente para formar o seu convencimento a respeito da questão. Em consequência, mostrando-se desnecessária a realização de provas adicionais, sendo certo que os demais elementos probatórios são hábeis a garantir a correta e justa análise do mérito, inexiste cerceamento de defesa. IV - Havendo abusividade na aplicação dos juros remuneratórios, capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada (art. 51, § 1º, CDC), admite- se a revisão da taxa de juros, tal como determinado na sentença. V - O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) descaracteriza a mora. (STJ, REsp n. 1.061.530/RS). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 674/689), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação dos arts. 421 do CC e 927 do CPC, defendendo que o Tribunal de origem promoveu intervenção indevida no contrato e não observou a jurisprudência do STJ quanto à abusividade dos juros. Sustenta que "a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abusividade, devendo ser considerados fatores como os custos da captação dos recursos no local e época do contrato, o valor e o prazo do financiamento, fontes de renda e as garantias ofertadas, dentre outros" (e-STJ fls. 679/680). Aduz que "em respeito a decisão do RECURSO ESPECIAL nº 1.821.182 - RS (2019/0172529-1) não pode haver o simples julgamento de ação revisional pela Taxa Média informada pelo Banco Central, isso porque, é média e não limite. A ação revisional que se baseou tão somente nesse fundamento está desrespeitando a decisão do STJ" (e-STJ fl. 680). Argumenta que "o simples fato de uma taxa de juros corresponder a duas.. três.. quatro vezes a "taxa média" divulgada pelo Banco Central não significa que ela seja automaticamente abusiva, pois ainda necessária a consideração dos aspectos objetivos daquela operação de crédito (custos e riscos envolvidos)" (e-STJ fl. 683). Requer o provimento do recurso para "reconhecer a legitimidade das taxas de juros cobradas no contrato em discussão, reformando o acórdão que negou provimento ao recurso de apelação" (e-STJ fl. 689). Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 704/716). No agravo (e-STJ fls. 729/736), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Foi oferecida contraminuta (e-STJ fls. 740/752). É o relatório. Decido. Não houve pronunciamento do Tribunal a quo sobre os artigos apontados como descumpridos, nem a Corte local foi instada a fazê-lo por via de embargos declaratórios, circunstância que impede o conhecimento da i nsurgência por falta de prequestionamento. Assim, devem ser aplicadas as Súmulas n. 282 e 356 do STF. O conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional exige a indicação do dispositivo legal ao qual foi atribuída interpretação divergente, bem como a demonstração do dissídio, mediante o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Contudo, a parte não indicou o artigo de lei a que teria sido conferida a suposta interpretação dissonante. Incide, portanto, a Súmula n. 284/STF. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial . Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA