CC 206354 - DECISAO
Nos termos do art. 28-A, §6.º, do Código de Processo Penal e da jurisprudência consolidada do STJ, a competência para executar as condições de acordo de não persecução penal é do juízo que homologou o acordo; este juízo, contudo, pode expedir carta precatória ao juízo do domicílio para fiscalização e acompanhamento,...
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- Parties
- Suscitante: JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÃO EM MEIO ABERTO DE JOAQUIM TÁVORA - PR; Suscitado: JUÍZO FEDERAL DA 5ª VARA DE LONDRINA - PR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 November 2024
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão
- Outcome
- Conflito conhecido para declarar competente o Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR.
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Competência Para Execução, Carta Precatória, Prestação De Serviços À Comunidade
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Parties
JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÃO EM MEIO ABERTO DE JOAQUIM TÁVORA - PR
Suscitante
JUÍZO FEDERAL DA 5ª VARA DE LONDRINA - PR
Suscitado
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão
Legal Issues
- 1 Competência para execução de acordo de não persecução penal (art. 28-A, §6.º, CPP)
- 2 Possibilidade de expedição de carta precatória ao juízo do domicílio para fiscalização e acompanhamento
- 3 Limites da delegação de atos decisórios via carta precatória
Ratio Decidendi
Nos termos do art. 28-A, §6.º, do Código de Processo Penal e da jurisprudência consolidada do STJ, a competência para executar as condições de acordo de não persecução penal é do juízo que homologou o acordo; este juízo, contudo, pode expedir carta precatória ao juízo do domicílio para fiscalização e acompanhamento, razão pela qual o conflito foi conhecido e declarada competente a Juízo Federal da 5ª Vara de Londrina - PR.
Court Disposition
Conflito conhecido para declarar competente o Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR.
Orders
- Reconhecer a competência do Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR para a execução do acordo de não persecução penal.
- Assegurar a possibilidade de expedição de carta precatória ao juízo destinatário, deprecando a fiscalização e o acompanhamento da execução.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de conflito negativo de competência envolvendo o JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÃO EM MEIO ABERTO DE JOAQUIM TÁVORA - PR (suscitante) e o JUÍZO FEDERAL DA 5ª VARA DE LONDRINA - PR (suscitado). Colhe-se dos autos que se trata de execução de acordo de não persecução penal homologado pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR. O Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR declinou a competência para a execução do acordo em razão de o domicilio do executado situar-se em lugar diverso do juízo da homologação. O Juízo de Direito da Vara de Execução em Meio Aberto de Joaquim Távora - PR suscitou o presente conflito, pontuando que o competente para a execução é o juízo que homologou o acordo, e que o juízo diverso apenas auxilia na fiscalização do cumprimento das condições. O Ministério Público Federal opinou pelo conhecimento do conflito a fim de declarar competente o Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR , ora suscitado. É o relatório. Conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, compete ao juízo da homologação executar as condições estabelecidas no acordo de não persecução penal, sendo-lhe, porém, facultada a expedição de carta precatória ao juízo do domicílio do compromissário, para fiscalização e acompanhamento da execução do ajuste. Nesse sentido: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. ART. 28-A, § 6.º, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. APLICAÇÃO DAS REGRAS ATINENTES À EXECUÇÃO PENAL. COMPETÊNCIA. CUMPRIMENTO. JUÍZO QUE HOMOLOGOU O ACORDO. CONFLITO CONHECIDO PARA DECLARAR COMPETENTE O JUÍZO SUSCITADO. 1. O art. 28-A, § 6.º, do Código de Processo Penal, ao determinar que o acordo de não persecução penal será executado no juízo da execução penal, implicitamente, estabeleceu que o cumprimento das condições impostas no referido acordo deverá observar, no que forem compatíveis, as regras pertinentes à execução das penas. 2. Segundo pacífica orientação desta Corte Superior, a competência para a execução das penas é do Juízo da condenação. No caso específico de execução de penas restritivas de direitos, em se tratando de condenado residente em jurisdição diversa do Juízo que o condenou, também é sedimentada a orientação de que a competência para a execução permanece com o Juízo da condenação, que deprecará ao Juízo da localidade em que reside o apenado tão-somente o acompanhamento e a fiscalização do cumprimento da reprimenda. 3. Em se tratando de cumprimento das condições impostas em acordo de não persecução penal, a competência para a sua execução é do Juízo que o homologou, o qual poderá deprecar a fiscalização do cumprimento do ajuste e a prática de atos processuais para o atual domicílio do Apenado. 4. Conflito conhecido para declarar competente o JUÍZO FEDERAL DA 1.ª VARA CRIMINAL DE SÃO PAULO - SJ/SP, o Suscitado. (CC n. 192.158/MT, Terceira Seção, relatora Ministra Laurita Vaz, DJe de 18/11/2022, grifei.) Confira-se, também: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. ART. 28-A, § 6.º, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. APLICAÇÃO DAS REGRAS ATINENTES À EXECUÇÃO PENAL. COMPETÊNCIA. CUMPRIMENTO. JUÍZO QUE HOMOLOGOU O ACORDO. CONDIÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE. RESIDENTE EM LOCALIDADE DIVERSA. ESPECIFICAÇÃO DA ENTIDADE E ALTERAÇÕES POSTERIORES. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO. DELEGAÇÃO AO JUÍZO DEPRECADO. INVIABILIDADE. ATO DE NATUREZA DECISÓRIA. CONFLITO CONHECIDO PARA DECLARAR COMPETENTE O JUÍZO SUSCITANTE. 1. O art. 28-A, § 6.º, do Código de Processo Penal, ao determinar que o acordo de não persecução penal será executado no juízo da execução penal, implicitamente, estabeleceu que o cumprimento das condições impostas no referido acordo deverá observar, no que forem compatíveis, as regras pertinentes à execução das penas. 2. Segundo pacífica orientação desta Corte Superior, a competência para a execução das penas é do Juízo da condenação. No caso específico de execução de penas restritivas de direitos, em se tratando de condenado residente em jurisdição diversa do Juízo que o condenou, também é sedimentada a orientação de que a competência para a execução permanece com o Juízo da condenação, que deprecará ao Juízo da localidade em que reside o apenado tão-somente o acompanhamento e a fiscalização do cumprimento da reprimenda. 3. Em se tratando de cumprimento da condição de prestação de serviços à comunidade, imposta em acordo de não persecução penal, a competência para a sua execução é do Juízo que o homologou. 4. Nos termos do art. 149, incisos I e III, da Lei de Execução Penal, a competência para especificar a entidade em que será efetivada a prestação de serviços, bem assim as posteriores alterações, é do Juízo da Execução. No cumprimento de acordo de não persecução penal, o competente é o Juízo que o homologou e, por se tratar de competência jurisdicional, não pode ser delegada a outro Juízo. 5. No caso dos autos, o Juízo Suscitante deprecou ao Juízo Suscitado a designação do local em que seriam prestados os serviços, bem assim a apreciação de eventuais pedidos de alteração da entidade em que eles seriam prestados. A prática de tais atos, entretanto, ultrapassa a atividade de acompanhamento e fiscalização do cumprimento da prestação de serviços, pois demandam a prolação de atos jurisdicionais com cunho decisório acerca do cumprimento das condições impostas no acordo de não persecução, por parte do Juízo deprecado. 6. A carta precatória é tão-somente ato de comunicação e delegação do cumprimento da decisão judicial proferida pelo Juízo deprecante, ao Juízo com jurisdição no local onde deverá ser executada. Não se permite, em função do princípio do juízo natural, que seja delegada a própria atividade decisória ao Juízo deprecado. 7. Conflito conhecido para declarar competente o JUÍZO FEDERAL DA 1.ª VARA DE UMUARAMA - SJ/PR, o Suscitante, o qual deverá especificar a entidade em que haverá a prestação de serviços e decidir acerca de eventuais alterações, cabendo ao Juízo Suscitado o acompanhamento e fiscalização, por meio de carta precatória. (CC n. 191.598/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 26/10/2022, DJe de 4/11/2022.) Em igual sentido, as seguintes decisões monocráticas: CC n. 208.381, Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 24/09/2024; CC n. 205.525, Ministro Rogerio Schietti Cruz, DJe de 29/08/2024; e CC n. 204.245, Ministro Messod Azulay Neto, DJe de 29/08/2024. Ante o exposto, conheço do conflito para declarar competente o Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR, ora suscitado, sendo-lh e assegurada a possibilidade de expedição de carta precatória ao juízo destinatário, deprecando a fiscalização e o acompanhamento da execução. Publique-se. Intimem-se. Dê-se ciência aos Juízos suscitante e suscitado. EMENTA