CC 213962 - DECISAO
Conheceu-se do conflito e, aplicando os princípios legais e a jurisprudência consolidada sobre execução de acordos de não persecução penal (art. 28-A, §6º do CPP; regras da LEP; possibilidade de carta precatória e não alteração de competência pelo SEEU), declarou-se competente o Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do...
Source-derived case information.
- Parties
- Suscitante: Juízo da 9ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro - SJ/RJ; Suscitado: Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR; Manifestante: Ministério Público Federal; Executado: Aryel Wolf Gang Ramos de Andrade
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2025
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Conhecimento E Declaração De Competência
- Outcome
- Conflito conhecido para declarar a competência o Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR, suscitado
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Competência Para Execução, Carta Precatória, Sistema Eletrônico De Execução Unificado (seeu), Lei De Execuções Penais, Art. 28 a Do CPP
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Juízo da 9ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro - SJ/RJ
Suscitante
Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR
Suscitado
Ministério Público Federal
Manifestante
Aryel Wolf Gang Ramos de Andrade
Executado
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Conhecimento E Declaração De Competência
Legal Issues
- 1 Qual juízo é competente para processar a execução de acordo de não persecução penal quando o executado possui domicílio diverso do juízo de homologação?
- 2 Se o SEEU altera a competência para execução penal ou substitui a necessidade de carta precatória?
Ratio Decidendi
Conheceu-se do conflito e, aplicando os princípios legais e a jurisprudência consolidada sobre execução de acordos de não persecução penal (art. 28-A, §6º do CPP; regras da LEP; possibilidade de carta precatória e não alteração de competência pelo SEEU), declarou-se competente o Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR, suscitado.
Court Disposition
Conflito conhecido para declarar a competência o Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR, suscitado
Orders
- Comunique-se.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito negativo de competência entre o Juízo da 9ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro - SJ/RJ, suscitante, e o Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR, suscitado. Os autos tratam da definição da competência para processar a execução de acordão de não persecução penal firmando entre o Ministério Público Federal e Aryel Wolf Gang Ramos de Andrade, nos autos da Ação Penal n. 5009037-88.2022.4.04.7002, perante o Juízo da 3ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR (e-STJ, fls. 18-19). O Juízo suscitante afirma que o Juízo que homologou o acordo de não persecução penal é o competente para processar sua execução, sendo possível a sua fiscalização recair sobre outro Juízo por meio do sistema SEEU. Por sua vez, o Juízo suscitado sustenta que a referida execução deve tramitar no Juízo do novo domicílio do executado. Aponta, ainda, a burocracia da expedição de cartas precatórias para o acompanhamento da execução. Nesta instância, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento do conflito, para declarar competente o Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR, suscitado. É o relatório. Decido. Cumpre registrar, inicialmente, que este conflito negativo de competência deve ser conhecido, porquanto se trata de incidente estabelecido entre juízes vinculados a tribunais diversos, nos termos do art. 105, inciso I, alínea d, da Constituição da República, razão pela qual passo ao seu exame. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça estabelece que, na hipótese de cumprimento das condições impostas em acordo de não persecução penal, a competência para sua execução cabe ao Juízo que homologou o referido acordo. No entanto, esse juízo poderá expedir carta precatória para a fiscalização do cumprimento do acordo e a realização de atos processuais na comarca de domicílio do apenado. A esse respeito: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO DE ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. EXECUTADO COM DOMICILIO EM LOCAL DIVERSO DO JUÍZO DA HOMOLOGAÇÃO. EXECUÇÃO DAS CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NO ANPP. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA HOMOLOGAÇÃO. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que "a competência para executar as condições estabelecidas em ANPP é do Juízo da execução, nos termos do art. 28-A, §6º do Código de Processo Penal c/c art. 65 da Lei de Execuções Penais. Eventual mudança de domicílio do executado não possui o condão de alterar o juízo competente para a fiscalização das condições firmadas" (CC n. 180.371/SC, relator Ministro João Otavio de Noronha, DJe de 13.09.2021). 2. Hipótese em que o acordo de não persecução penal foi homologado pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina-PR e a parte beneficiária possui domicílio em localidade diversa. 3. A mudança de domicílio do executado para local distinto do Juízo das Execuções Penais não implica deslocamento da competência, sendo possível a expedição de carta precatória ao juízo do domicílio do executado/beneficiário para o acompanhamento do cumprimento das condições do acordo, consoante o disposto no art. 66, V, g, da Lei de Execuções Penais, mantida a competência do Juízo da execução penal. Precedentes. 4. Conflito conhecido para declarar competente o juízo que homologou o ANPP, Juízo da 5ª Vara Federal de Londrina - PR, ora suscitado. (CC n. 208.902/PR, relator Ministro Og Fernandes, Terceira Seção, julgado em 13/11/2024, DJe de 19/11/2024.) CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. ART. 28-A, § 6.º, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. APLICAÇÃO DAS REGRAS ATINENTES À EXECUÇÃO PENAL. COMPETÊNCIA. CUMPRIMENTO. JUÍZO QUE HOMOLOGOU O ACORDO. CONFLITO CONHECIDO PARA DECLARAR COMPETENTE O JUÍZO SUSCITADO. 1. O art. 28-A, § 6.º, do Código de Processo Penal, ao determinar que o acordo de não persecução penal será executado no juízo da execução penal, implicitamente, estabeleceu que o cumprimento das condições impostas no referido acordo deverá observar, no que forem compatíveis, as regras pertinentes à execução das penas. 2. Segundo pacífica orientação desta Corte Superior, a competência para a execução das penas é do Juízo da condenação. No caso específico de execução de penas restritivas de direitos, em se tratando de condenado residente em jurisdição diversa do Juízo que o condenou, também é sedimentada a orientação de que a competência para a execução permanece com o Juízo da condenação, que deprecará ao Juízo da localidade em que reside o apenado tão-somente o acompanhamento e a fiscalização do cumprimento da reprimenda. 3. Em se tratando de cumprimento das condições impostas em acordo de não persecução penal, a competência para a sua execução é do Juízo que o homologou, o qual poderá deprecar a fiscalização do cumprimento do ajuste e a prática de atos processuais para o atual domicílio do Apenado. 4. Conflito conhecido para declarar competente o JUÍZO FEDERAL DA 1.ª VARA CRIMINAL DE SÃO PAULO - SJ/SP, o Suscitado. (CC n. 192.158/MT, relatora Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 9/11/2022, DJe de 18/11/2022.) Convém esclarecer, ainda, que, embora o Sistema Eletrônico de Execuções Unificado (SEEU), instituído pela Resolução CNJ n. 280/2019, tenha aprimorado o acesso aos autos e otimizado a prestação jurisdicional, ele não altera a competência para a execução da pena, que continua sendo determinada pela Lei n. 7.210/1984. Ademais, ainda que o art. 5º da referida resolução tenha estabelecido a identificação única da pessoa com processo de execução penal em curso, essa medida não inviabiliza a expedição de cartas precatórias. O SEEU permite o envio de cartas precatórias eletrônicas para diversas finalidades, sem que isso configure duplicidade na execução. De mais a mais, os juízos que ainda não aderiram ao SEEU podem continuar expedindo cartas precatórias por meio de tramitação padrão e ordinária, sem que tal prática implique duplicidade na execução das penas. Portanto, cabe aos magistrados que utilizam essa ferramenta adotar procedimentos que maximizem seus benefícios, sem, contudo, desrespeitar as diretrizes estabelecidas pela legislação vigente. Confiram-se os seguintes julgados: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO PENAL. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. EXECUTADO COM DOMICILIO EM LOCAL DIVERSO DO JUÍZO DA EXECUÇÃO. REMESSA DO FEITO EXECUTIVO PELO SISTEMA SEEU AO JUÍZO DO DOMICÍLIO DO APENADO. MANUTENÇÃO DA COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO PENAL. POSSIBILIDADE DE EXPEDIÇÃO DE CARTA PRECATÓRIA PARA O ACOMPANHAMENTO DO CUMPRIMENTO DA PENA. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que "a competência para a execução penal cabe ao Juízo da condenação, sendo deprecada ao Juízo do domicílio do apenado somente a supervisão e acompanhamento do cumprimento da pena determinada, inexistindo deslocamento de competência" (CC n. 113.112/SC, relator Ministro Gilson Dipp, Terceira Seção, julgado em 9/11/2011, DJe de 17/11/2011.) 2. Caso em que o juízo da execução, tendo em vista a implantação do Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), determinou a remessa dos autos da própria execução ao juízo do domicílio do executado. 3. A implantação do Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU) proporciona facilidade de acesso aos autos e otimiza a prestação jurisdicional, contudo não altera a competência para a execução da pena fixada pela Lei de Execução Penal. Precedentes. 4. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo da 1ª Vara de Umuarama - PR/ SJPR (suscitado), podendo ser deprecados o acompanhamento e a fiscalização das penalidades impostas, sem deslocamento da competência. (CC n. 205.069/RJ, relator Ministro Og Fernandes, Terceira Seção, julgado em 27/11/2024, DJEN de 2/12/2024.) CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO PENAL. PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE SUBSTITUÍDA POR RESTRITIVAS DE DIREITOS. CARTA PRECATÓRIA EXPEDIDA PELO JUÍZO SUSCITANTE. RECUSA DO JUÍZO SUSCITADO QUE AVOCA A EXECUÇÃO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA CONDENAÇÃO. ART. 65 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEP. SISTEMA ELETRÔNICO DE EXECUÇÃO UNIFICADA (SEEU) IMPLEMENTADO PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ. DECISÃO LIMINAR NA ADIn 6259/2019 NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. EFICÁCIA DOS ARTS. 2º, 3º, 9º, 12 e 13 DA RESOLUÇÃO CNJ 280/2019 SUSPENSA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO SUSCITANTE. .. 3. O novo Sistema Eletrônico de Execuções Unificado - SEEU tem proporcionado facilidade de acesso aos autos e otimizado a prestação jurisdicional, contudo, não tem o condão de alterar a competência para a execução da pena que é fixada na Lei n. 7.210/84. "Cabe aos Juízes envolvidos no uso desse novo instrumento lançar mão de procedimentos que extraíam os benefícios da nova ferramenta, sem, contudo, desrespeitar as diretrizes estabelecidas na legislação, sob pena de que a tecnologia prevaleça em detrimento da vontade do legislador" (CC 170.280, DJe 11/2/2020 e CC 170.458, DJe 4/5/2020, ambos de relatoria do Ministro Sebastião Reis Júnior. .. 5. Conflito de competência conhecido para declarar que a execução da pena compete ao Juízo Federal da 9ª Vara Criminal do Rio de Janeiro - SJ/RJ, o suscitante, e que incumbe ao Juízo Federal da 1ª de São Bernardo do Campo - SJ/SP, o suscitado, o cumprimento da carta precatória para acompanhamento e fiscalização da execução das penas restritivas de direitos e da pena de multa. (CC n. 172.445/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, julgado em 24/6/2020, DJe de 29/6/2020.) Nesse sentido, há as seguintes decisões monocráticas: CC n. 210.214, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJEN de 17/12/2024; CC n. 208.313, Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 22/11/2024; CC n. 206.890, Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), DJe de 02/09/2024. Ante o exposto, conheço do conflito para declarar a competência o Juízo da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu - SJ/PR, suscitado Comunique-se. Publique-se. Cientifique-se o Ministério Público Federal e, oportunamente, encaminhem-se os autos ao Juízo competente. EMENTA