REsp 2071781 - DECISAO
Negou-se seguimento ao recurso extraordinário porque a alegada afronta a dispositivos constitucionais dependeria da análise de normas infraconstitucionais (aplicação do Tema 660 do STF), e porque, conforme o entendimento consolidado no REsp 1.296.673/MG e na Súmula 507/STJ, a acumulação do auxílio-acidente com...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento Ao Recurso Extraordinário (art. 1.030, I, A, Cpc)
- Outcome
- negado seguimento ao recurso extraordinário
- Legal Topics
- Acumulação De Benefícios, Acumulação De Auxílio Acidente Com Aposentadoria, Súmula 507/stj, Repercussão Geral, Tema 660 Do STF, Tema 599 Do STF, Negativa De Seguimento
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento Ao Recurso Extraordinário (art. 1.030, I, A, Cpc)
Legal Issues
- 1 Se é possível a acumulação de auxílio-acidente concedido em 05/06/1992 com aposentadoria com termo inicial em 01/12/2008
- 2 Aplicabilidade da Súmula 507/STJ e do entendimento do REsp 1.296.673/MG
- 3 Se o recurso deve ser sobrestado em razão do Tema 599 do STF
Ratio Decidendi
Negou-se seguimento ao recurso extraordinário porque a alegada afronta a dispositivos constitucionais dependeria da análise de normas infraconstitucionais (aplicação do Tema 660 do STF), e porque, conforme o entendimento consolidado no REsp 1.296.673/MG e na Súmula 507/STJ, a acumulação do auxílio-acidente com aposentadoria é possível somente se ambos os fatos geradores forem anteriores a 11/11/1997, o que não ocorre no caso (aposentadoria com termo inicial em 01/12/2008).
Court Disposition
negado seguimento ao recurso extraordinário
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça, assim ementado (fl. 313): AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. ACUMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS. AUXÍLIO-ACIDENTE CONCEDIDO ANTES DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 1.596-14/97, CONVERTIDA NA LEI N. 9.528/97, E APOSENTADORIA CONCEDIDA APÓS A VIGÊNCIA DA REFERIDA MEDIDA PROVISÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE ACUMULAÇÃO. RECURSO ESPECIAL 1.296.673/MG, JULGADO SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. SÚMULA N. 507 DO STJ. PLEITO DE SOBRESTAMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp n. 1.296.673/MG, sob o rito dos recursos repetitivos, firmou o entendimento no sentido de que a acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a eclosão da lesão incapacitante, ensejadora do direito ao auxílio- acidente, e a concessão da aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, data de edição da Medida Provisória n. 1.596-14/97, posteriormente convertida na Lei n. 9.528/1997. 2. Tal entendimento foi consolidado na Súmula n. 507 do STJ: a "acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a lesão incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, observado o critério do art. 23 da Lei n. 8.213/1991 para definição do momento da lesão nos casos de doença profissional ou do trabalho". 3. No caso, o auxílio-acidente foi concedido ao agravante em 05/06/1992, sendo que a aposentadoria por tempo de contribuição tem termo inicial em 01/12/2008, ou seja, após a edição da Medida Provisória n. 1.596- 14/97, posteriormente convertida na Lei n. 9.528/1997, de modo que tais benefícios não são acumuláveis. 4. Não procede o pleito de sobrestamento do recurso especial sob a alegação de que foi reconhecida a repercussão geral da matéria pela Suprema Corte. Isso porque o tema de repercussão geral a que se refere o agravante (RE 687.813/RS - Tema n. 599) diz respeito à cumulação do auxílio- suplementar (que posteriormente foi incorporado ao auxílio-acidente) com o benefício de aposentadoria por invalidez, o que não se amolda ao caso em exame. 5. Agravo interno desprovido. A parte recorrente alega a ocorrência de violação do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal e aduz haver repercussão geral da matéria. Sustenta seu direito de perceber cumulativamente a aposentadoria por tempo de contribuição, concedida em 1/12/2008, com o auxílio-acidente, concedido em 5/6/1992. Afirma que a autarquia, ao suspender o pagamento do auxílio-acidente não observou o princípio do tempus regit actum e não respeitou "o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada (segurança jurídica), já que a lei da época (Lei n. 6.367/76, alterada pela Lei 8.213/1991), permitia a concessão do benefício de forma vitalícia, desde que a moléstia tivesse eclodido antes do advento da Lei n. 9.528/1997" (fl. 327). Argumenta, ainda, que não deve ser aplicada a Súmula 507/STJ no caso dos autos e que o processo deve ficar sobrestado até o julgamento final de mérito do Tema 599 no STF, que possui repercussão geral reconhecida. Requer, ao final, a admissão do recurso e a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Sem contrarrazões (fl. 383). É o relatório. 2. O STF já definiu que a alegação de afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. No Tema n. 660 do STF, a Suprema Corte fixou a seguinte tese: A questão da ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e dos limites à coisa julgada, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE n. 584.608, rel. a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/03/2009. (ARE n. 748.371-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em 6/6/2013, DJe de 1º/8/2013.) Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. No caso dos autos, o exame da alegada ofensa ao art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal dependeria da análise de dispositivos da legislação infraconstitucional considerados na solução do acórdão recorrido, motivo pelo qual se aplica a conclusão do STF no mencionado Tema n. 660. É o que se observa do seguinte trecho do julgado impugnado (fls. 317-321, grifos acrescidos): Com efeito, a Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp n. 1.296.673/MG, sob o rito dos recursos repetitivos, firmou o entendimento no sentido de que a acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a eclosão da lesão incapacitante, ensejadora do direito ao auxílio-acidente, e a concessão da aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, data de edição da Medida Provisória n. 1.596-14/97, posteriormente convertida na Lei n. 9.528/1997. Confira-se a ementa do referido julgado, in verbis: (..) Tal entendimento foi consolidado na Súmula n. 507 do STJ, que assim estabelece (sem grifos no original): A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a lesão incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, observado o critério do art. 23 da Lei n. 8.213/1991 para definição do momento da lesão nos casos de doença profissional ou do trabalho. No caso em análise, o auxílio-acidente foi concedido ao agravante em 05/06/1992 (fl. 124), sendo que a aposentadoria por tempo de contribuição tem termo inicial em 01/12/2008 (fls. 124 e 292), ou seja, após a edição da aludida medida provisória. Nesse contexto, há empecilho legal à concessão do auxílio-acidente de forma cumulada com a aposentadoria, pois isso só seria possível se ambos os benefícios tivessem fatos geradores ocorridos antes da vedação legal do art. 86 da Lei n. 8.213/91, com as alterações promovidas pela Lei n. 9.528/1997. Confiram-se, ainda, os seguintes julgados: (..) Por fim, não procede o pleito de sobrestamento do recurso especial sob a alegação de que foi reconhecida a repercussão geral da matéria pela Suprema Corte. Isso porque o tema de repercussão geral a que se refere o agravante (RE 687.813/RS - Tema n. 599) diz respeito à cumulação do auxílio-suplementar (que posteriormente foi incorporado ao auxílio-acidente) com o benefício de aposentado. Nesse sentido: (..) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Registre-se, de passagem, que o quadro fático destes autos não tem relação com o existente no Tema n. 599 do STF, porque aqui se discute sobre a cumulação do auxílio-acidente com aposentadoria por tempo de contribuição, conforme se vê dos trechos acima transcritos. 3. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, BEM COMO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E AOS LIMITES DA COISA JULGADA. EXAME DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. TEMA N. 660 DO STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. ART. 1.030, I, A, DO CPC.