AREsp 2625612 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem examinou adequadamente os fatos e provas, a Administração não comprovou prejuízo ou incompatibilidade decorrente da acumulação de cargos, o recurso exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ e havia ausência de prequestionamento...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Ação Anulatória De Ato Administrativo / Decisão Sobre Agravo E Recurso Especial (agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido)
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Acumulação De Cargos, Incompatibilidade De Jornada De Trabalho, Anulação De Ato Administrativo, Honorários Advocatícios, Prequestionamento
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Procedural Posture
Ação Anulatória De Ato Administrativo / Decisão Sobre Agravo E Recurso Especial (agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido)
Legal Issues
- 1 acumulação de cargos de professor entre Estados/municípios
- 2 necessidade de demonstração de prejuízo ou incompatibilidade pela Administração para manutenção de PAD
- 3 alcance do art. 1.022 do CPC/2015 quanto ao dever de enfrentamento de todas as questões
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem examinou adequadamente os fatos e provas, a Administração não comprovou prejuízo ou incompatibilidade decorrente da acumulação de cargos, o recurso exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ e havia ausência de prequestionamento sobre outras teses, além de a decisão local estar em consonância com a jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Caso exista prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, majoração em 1% sobre o valor já fixado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação anulatória de ato administrativo. Na sentença, julgou-se o pedido procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.000,00 (mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO ADMINISTRATIVO. PROFESSOR. CUMULAÇÃO DE ATIVIDADE EM JUAZEIRO E PETROLINA. MUNICÍPIOS FRONTEIRIÇOS. INCOMPATIBILIDADE DE JORNADA DE TRABALHO. ACÚMULO DE 80 HORAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZOS AO ENTE PÚBLICO. SENTENÇA MANTIDA. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Cinge-se a controvérsia em torno da acumulação de cargos de professor na Bahia e em Pernambuco, bem como da incompatibilidade dos horários entre as atividades. 2. A Constituição Federal dispõe em seu art 37, XVI, a não cumulatividade de cargos públicos e sua extensão, admitidas tão-somente nas situações expressamente previstas, e de aplicação e observância obrigatórias para os Estados e Municípios. Esta acumulação de cargos e proventos para professor prevista somente nas hipóteses legais, dar-se-á entre dois cargos de professor, ocorrido no caso em comento. 3. O apelado acumula dois cargos, ambos como professor, exercidos nas redes estaduais da Bahia, em Juazeiro e em Petrolina no Estado de Pernambuco, com carga horária de 40 e 30 semanais, respectivamente, sendo possível, em razão de tratar-se de cidades vizinhas, e de se observar a compatibilidade de horários, sem ter sofrido, até então, qualquer sanção disciplinar por isso. Portanto, correta a sentença a quo. Honorários majorados de 10% para 15 % sobre o valor da causa. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: (..) a Administração não comprovou se o apelado prejudicou o damento do serviço público, ou se incorreu ausência ou redução da qualidade da atividade prestada quando do seu exercício como docente, elementos justificadores para a manutenção da decisão existente no PAD. Ou seja, há necessidade de a Administração demonstrar qual incompatibilidade arguida no exercício das duas atividades públicas por parte do apelado, o que não ocorreu nos autos. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (art. 140 do CPC), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA