AREsp 1937572 - DECISAO
Mantém-se o acórdão do Tribunal de origem: o valor efetivamente adiantado em ACC é extraconcursal e deve ser objeto de pedido de restituição na recuperação judicial, enquanto os encargos incidentes sobre esse montante devem ser habilitados no quadro geral de credores e submetem-se aos efeitos da recuperação...
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- Parties
- Agravante: BANCO BRADESCO S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Adiantamento a Contrato De Câmbio (acc), Extraconcursalidade, Habilitação De Crédito, Honorários Advocatícios, Encargos Contratuais (juros E Multa)
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Parties
BANCO BRADESCO S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se os encargos (juros e multa) incidentes sobre adiantamento a contrato de câmbio (ACC) estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial
- 2 Se são devidos honorários advocatícios na hipótese de impugnação de crédito em processo de recuperação judicial, em razão da litigiosidade conferida pela impugnação
Ratio Decidendi
Mantém-se o acórdão do Tribunal de origem: o valor efetivamente adiantado em ACC é extraconcursal e deve ser objeto de pedido de restituição na recuperação judicial, enquanto os encargos incidentes sobre esse montante devem ser habilitados no quadro geral de credores e submetem-se aos efeitos da recuperação judicial; além disso, são devidos honorários advocatícios na impugnação de crédito que confere litigiosidade, nos termos do art. 85, § 2º do CPC, sendo possível a majoração na instância superior nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais dos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC
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DECISÃO 1. Cuida-se de agravo interposto por BANCO BRADESCO S/A contra decisão que não admitiu o seu recurso especial, por sua vez manejado em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO AO CRÉDITO. CONTRATO DE ADIANTAMENTO DE CRÉDITO. ENCARGOS CONTRATUAIS. SUBMISSÃO AOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO. PREVISÃO LEGAL DE RESTITUIÇÃO APENAS DO VALOR EFETIVAMENTE ADIANTADO AO DEVEDOR, DEVIDAMENTE CORRIGIDO. OMISSÃO LEGAL QUANTO AOS CONSECTÁRIOS DA MORA. VALOR REMANESCENTE QUE TEM NATUREZA DE CRÉDITO QUIROGRAFÁRIO E DEVE SER PERSEGUIDO NO BOJO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DE QUE O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL. PRECEDENTES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ARBITRAMENTO EQUITATIVO. INCIDÊNCIA, , DO ART. CONTRARIO SENSU 85, § 8º, DO CPC. PRECEDENTES. APLICAÇÃO LITERAL DA NORMA QUE IMPORTARIA EM OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE (ART. 8º, DO CPC). RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, aponta a parte recorrente, ofensa ao disposto nos arts. 49, § 4º; 86, inciso II, da Lei n. 11.101/2005; e 233 do Código Civil, dispositivos sobre os quais também suscitou dissídio jurisprudencial, ao argumento de que os acessórios dos ACCs não estão sujeitos à Recuperação Judicial da Recorrida; art. 85 do CPC sob a alegação de que o acórdão reconhece que as Recuperandas concordaram com o pedido formulado na Impugnação de Crédito. Assim e ainda que isso não tenha levado à procedência da Impugnação de Crédito, certo é que não há que se falar em causalidade e litigiosidade a causar a condenação em honorários advocatícios. Contrarrazões às fls. 391-406. É o relatório. DECIDO. 2. Cinge-se a controvérsia acerca da exclusão ou não dos encargos decorrentes do crédito principal (juros e multa), no caso dos contratos de adiantamento de câmbio, se estão abrangidos pela exclusão de submissão à recuperação judicial, bem como à condenação ao pagamento de honorários advocatícios no julgamento de impugnação de crédito no processo de recuperação judicial. 3. Quanto à primeira tese, nos termos do § 4º do artigo 49 da Lei 11.101/2005, não se sujeita aos efeitos da recuperação judicial a importância entregue ao devedor, em moeda corrente nacional, decorrente de adiantamento a contrato de câmbio para exportação. De acordo com o inciso II do artigo 86 do mesmo diploma legal, tal importância deve ser objeto de pedido de restituição em dinheiro, o que também foi reconhecido pela Segunda Seção: RECONSIDERAÇÃO EM CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RECEPÇÃO COMO AGRAVO INTERNO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. ADIANTAMENTO DE CONTRATO DE CÂMBIO - ACC. NÃO SUJEIÇÃO. ARTS. 49, § 4º, e 86, INCISO II, DA LEI 11.101/2005. EXECUÇÃO. REDIRECIONAMENTO. COOBRIGADOS. SÚMULA 581/STJ. 1. Admite-se, mesmo após a vigência do atual Código de Processo Civil, o recebimento do pedido de reconsideração como agravo interno. Precedentes. 2. O art. 49, § 4º, da Lei 11.101/2005, estabelece que o crédito advindo de adiantamento de contrato de câmbio não está sujeito aos efeitos da recuperação judicial, ou seja, tem preferência sobre os demais, não sendo novado, nem sofrendo rateio. Para obter sua devolução, cabe, todavia, ao credor efetuar o pedido de restituição, conforme previsto no art. 86, inciso II, da mesma norma, ao qual faz referência o mencionado art. 49. (..) 5. Agravo interno a que se nega provimento. (RCD no CC 156.717/PR, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 26.09.2018, DJe 05.10.2018) Diante desse contexto normativo, recente julgado da Terceira Turma, após destacar o caráter extraconcursal do referido crédito - correspondente ao valor efetivamente entregue ao devedor a título de adiantamento a contrato de câmbio para exportação -, preconizou que, por força do vetor interpretativo encartado no princípio da preservação da empresa, os encargos incidentes sobre tal importância se submetem aos efeitos da recuperação judicial da devedora. Confira-se: RECURSO ESPECIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. ADIANTAMENTO DE CONTRATOS DE CÂMBIO (ACCs). ENCARGOS. SUJEIÇÃO AO PROCESSO DE SOERGUIMENTO. AUSÊNCIA DE REGRA ESPECÍFICA. PRINCÍPIO DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. RISCO DE DECISÕES CONFLITANTES. INEXISTÊNCIA. 1. Impugnação de crédito apresentada em 16/10/2014. Recurso especial interposto em 21/6/2018. Autos conclusos à Relatora em 21/2/2019. 2. O propósito recursal, além de verificar se houve negativa de prestação jurisdicional, é definir se os encargos derivados de adiantamento de contratos de câmbio se submetem aos efeitos da recuperação judicial da devedora. 3. Muito embora os arts. 49, § 4º, e 86, II, da Lei 11.101/05 estabeleçam a extraconcursalidade dos créditos referentes a adiantamento de contratos de câmbio, há de se notar que tais normas não dispõem, especificamente, quanto à destinação que deva ser conferida aos encargos incidentes sobre o montante adiantado ao exportador pela instituição financeira. 4. Inexistindo regra expressa a tratar da questão, a hermenêutica aconselha ao julgador que resolva a controvérsia de modo a garantir efetividade aos valores que o legislador privilegiou ao editar o diploma normativo. 5. Como é cediço, o objetivo primordial da recuperação judicial, estampado no art. 47 da Lei 11.101/05, é viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores. 6. A sujeição dos valores impugnados aos efeitos do procedimento recuperacional é a medida que mais se coaduna à finalidade retro mencionada, pois permite que a empresa e seus credores, ao negociar as condições de pagamento, alcancem a melhor saída para a crise enfrentada. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (REsp 1.810.447/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 05.11.2019, DJe 22.11.2019) No mesmo sentido, há multifários precedentes no sentido de que a hermenêutica conferida à Lei 11.101/2005, no tocante à recuperação judicial, deve sempre se manter fiel aos propósitos do diploma, isto é, nenhuma interpretação pode ser aceita se dela resultar circunstância que, além de não fomentar, na verdade, inviabilize a superação da crise empresarial, com consequências perniciosas ao objetivo de preservação da empresa economicamente viável, à manutenção da fonte produtora e dos postos de trabalho, além de não atender a nenhum interesse legítimo dos credores, sob pena de tornar inviável toda e qualquer recuperação, sepultando o instituto (AgInt no REsp 1.674.289/SP, Rel. Ministro Antônio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 07.11.2019, DJe 12.11.2019; AgInt no AREsp 1.433.265/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 26.08.2019, DJe 30.08.2019; REsp 1.337.989/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 08.05.2018, DJe 04.06.2018; AREsp 309.867/ES, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 26.06.2018, DJe 08.08.2018; AgInt no REsp 1.592.455/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 21.09.2017, DJe 06.10.2017; e REsp 1.443.750/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Rel. p/ Acórdão Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 20.10.2016, DJe 06.12.2016). Assim, afigura-se impositiva a manutenção do acórdão estadual, que está em sintonia com a jurisprudência desta Corte, segundo a qual o crédito referente ao efetivo adiantamento do contrato de câmbio deve ser objeto de pedido de restituição nos autos da recuperação judicial e os respectivos encargos reclamam habilitação no Quadro Geral de Credores, por estarem sujeitos ao regime especial. 4. Quanto à condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais no julgamento de impugnação de crédito no processo de recuperação judicial, também não assiste razão à parte recorrente, pois na espécie, houve impugnação ao pedido de habilitação de crédito em recuperação judicial, conferindo litigiosidade ao processo, atraindo a incidência do art. 85, § 2º do CPC/2015. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL. TRIBUNAL A QUO CONCLUIU PELA INVALIDADE DA GARANTIA FIDUCIÁRIA DADA ATRAVÉS DE DUPLICATA POR AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM O CONTRATO. REEXAME FÁTICO E PROBATÓRIO E DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VALOR DA CAUSA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. ART. 85, § 2º. REGRA GERAL OBRIGATÓRIA. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Agravo interno contra decisão da Presidência que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, por ausência de impugnação específica dos óbices contidos na decisão de admissibilidade do recurso especial. Reconsideração. 2. O eg. Tribunal a quo, soberano na análise do acervo fático-probatório carreado aos autos, concluiu pela invalidade da garantia fiduciária e, por conseguinte, submeteu o crédito à recuperação judicial. Pretensão de revisar tal entendimento, na forma pleiteada, demandaria revolvimento fáticoprobatório, inviável em sede de recurso especial. 3. A jurisprudência firmada na Segunda Seção desta eg. Corte é no sentido de que os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados, em regra, com observância dos limites percentuais e da ordem de gradação da base de cálculo estabelecida pelo art. 85, § 2º, do CPC/2015, inclusive nas demandas julgadas improcedentes ou extintas sem resolução do mérito, sendo subsidiária a aplicação do art. 85, § 8º, do CPC/2015, possível apenas quando ausente qualquer das hipóteses do § 2º do mesmo dispositivo (REsp 1746072/PR, Rel. p/ acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/02/2019, DJe de 29/03/2019). 4. Na hipótese, os honorários advocatícios foram fixados, pelo Tribunal de origem, com base no valor da causa, na forma do § 2º do art. 85 do CPC/2015, em conformidade com a orientação desta Corte. Incidência da Súmula 83/STJ. 5. Agravo interno provido para conhecer do agravo e negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp 1590234/PR, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 20/04/2020, DJe 04/05/2020) PROCESSO CIVIL. JULGAMENTO MONOCRÁTICO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA DECISÃO COLEGIADA. PRESENÇA DOS REQUISITOS DO ART. 557 DO CPC. POSSIBILIDADE. POSTERIOR RATIFICAÇÃO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. NULIDADE. SUPRIMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO DE CRÉDITO. IMPUGNAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. SUCUMBÊNCIA. DISTRIBUIÇÃO. PROPORÇÃO DE GANHO E PERDA DE CADA PARTE SOBRE A PARTE CONTROVERTIDA DO PEDIDO. 1. Admite-se o julgamento monocrático dos embargos de declaração opostos contra decisão colegiada, desde que presentes os requisitos do art. 557 do CPC. Ademais, eventual nulidade da decisão unipessoal ficará superada com a sua ratificação pelo órgão colegiado, na via do agravo interno. Precedentes. 2. São devidos honorários advocatícios nas hipóteses em que o pedido de habilitação de crédito em recuperação judicial for impugnado, conferindo litigiosidade ao processo. Precedentes. 3. Nos processos em que houver sucumbência recíproca, a distribuição dos ônus sucumbenciais deve ser pautada pelo exame da proporção de ganho e de perda sobre a parte controvertida do pedido, excluindo-se, portanto, aquilo que o réu eventualmente reconhecer como devido. 4. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1197177/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 12/09/2013 5. Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Havendo nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA