AREsp 2900976 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque o acórdão recorrido possui fundamento constitucional autônomo não atacado por recurso extraordinário (aplicação do óbice da Súmula 126/STJ) e fundamento em legislação local impeditivo do exame do recurso especial (análoga à Súmula 280/STF); além...
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- Parties
- Agravante: CICERO CARDOSO SOBRINHO; Agravante: outros
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Adicional Por Tempo De Serviço (quinquênios), Direito Adquirido, Irredutibilidade Salarial, Congelamento De Vantagens, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 126/stj, Súmula 280/stf
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Parties
CICERO CARDOSO SOBRINHO
Agravante
outros
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 6º, § 2º da LINDB em razão do congelamento nominal dos quinquênios
- 2 existência ou não de direito adquirido a regime jurídico de remuneração
- 3 necessidade de interposição de recurso extraordinário quando o acórdão tem fundamento constitucional autônomo (Súmula 126/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque o acórdão recorrido possui fundamento constitucional autônomo não atacado por recurso extraordinário (aplicação do óbice da Súmula 126/STJ) e fundamento em legislação local impeditivo do exame do recurso especial (análoga à Súmula 280/STF); além disso, o acórdão considerou legal o pagamento dos quinquênios em valor nominal de abril de 2014, observada a irredutibilidade salarial.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Majorar os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por CICERO CARDOSO SOBRINHO e outros à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA, assim resumido: AÇÃO DE COBRANÇA. AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO (QUINQUÊNIOS) E GRATIFICAÇÕES. IMPLANTAÇÃO DE VERBAS PRETÉRITAS. VANTAGEM SUPRIMIDA PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 990/2014. CONGELAMENTO DA VANTAGEM. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO DE REMUNERAÇÃO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. DESPROVIMENTO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 6º, § 2º, da LINDB, no que concerne ao reconhecimento de perda de valor real de direito adquirido, diante do congelamento dos quinquênios em valor nominal fixo, sem previsão legal e sem atualização com base nos reajustes anuais, trazendo a seguinte argumentação: No caso em discussão houve violação ao art. 6º, § 2º, do Decreto-Lei nº 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), na medida em que se considerou a legalidade do congelamento dos quinquênios (gratificação por tempo de serviço) dos servidores públicos em valor nominal fixo, com base no salá- rio mínimo de 2014, sem que houvesse previsão legal (fl. 454). Deveras, ainda que não haja direito adquirido a regime jurídico, é certo que a mudança no critério de cálculo dos quinquênios, só pode dar-se por lei. O direito ao pagamento dessa gratificação deve corresponder ao percentual previsto (numérico), e não ao valor obtido de sua incidência sobre o último vencimento cor- respondente à data de revogação da verba. Assim, o descongelamento do adicional não significa a aquisição novos períodos, mas a incidência do percentual dos quinquênios sempre quando do rea- juste do vencimento como ocorre anualmente. Do contrário, logo, de nada valerá essa vantagem adquirida, ante a ocorrência dos efeitos da inflação ano a ano. A LINDB é reconhecida pela doutrina de norma sobre normas, uma vez que tem função essencial de dispor sobre o funcionamento das normas e dos atos no Direito brasileiro de maneira prévia e introdutória. Sabe-se que direito adquirido é quando o seu titular já teve o direito reconhecido por uma lei antiga, mesmo que venha a lei nova, esta não poderá atingi-lo. O entendimento fixado pelo STF é no sentido de que lei posterior não pode suprimir vantagens pessoais já definitivamente incorporadas ao patrimônio do servidor. Com efeito, "a vantagem pessoal, regularmente apostilidada pelo exercício do cargo em comissão incorpora-se ao patrimônio do servidor, não podendo o percentual agregado ser suprimido sob pena de ofensa ao direito adquirido" (AI 208.932 AgR/SC) (fl. 455). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Em que pesem os ponderáveis argumentos apresentados pelos recorrentes, compreendo que a decisão recorrida encontra-se em perfeita harmonia com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e desta e. Corte de Justiça, razão por que passo a transcrevê-la como fundamento da presente decisão: .. Neste contexto, compreendo que o pagamento do adicional por tempo de serviço, em seu valor nominal em relação ao que fora pago no mês de abril de 2014, é perfeitamente legal, sobretudo em razão das reiteradas decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que afirmam a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, desde que seja observado o princípio da irredutibilidade salarial (fls. 441-442). Da análise dos autos, percebe-se que há fundamento constitucional autônomo no acórdão recorrido e não houve interposição do devido recurso ao Supremo Tribunal Federal. Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 126/STJ, uma vez que é imprescindível a interposição de recurso extraordinário quando o acórdão recorrido possui, além de fundamento infraconstitucional, fundamento de natureza constitucional suficiente por si só para a manutenção do julgado. Nesse sentido: " .. firmado o acórdão recorrido em fundamentos constitucional e infraconstitucional, cada um suficiente, por si só, para manter inalterada a decisão, é ônus da parte recorrente a interposição tanto do Recurso Especial quanto do Recurso Extraordinário. A existência de fundamento constitucional autônomo não atacado por meio de Recurso Extraordinário enseja aplicação do óbice contido na Súmula 126/STJ". (AgInt no AREsp 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp n. 2.076.658/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.551.694/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, julgado em 19/2/2025, DJEN de 26/2/2025; AgInt no REsp n. 2.168.139/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 14/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.686.465/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 13/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.671.776/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.482.624/CE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 26/11/2024; AgInt no REsp n. 2.142.599/MS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 14/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.315.212/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJe de 25/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.625.934/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 25/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.272.275/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 9/10/2024; AgInt nos EDcl no REsp n. 2.113.575/MG, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 2/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.532.086/GO, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 30/8/2024; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.484.521/RJ, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 3/6/2024. Ademais, não é cabível o Recurso Especial porque interposto contra acórdão com fundamento em legislação local, ainda que se alegue violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Aplicável, por analogia, a Súmula n. 280 do STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". Nesse sentido: "A tutela jurisdicional prestada pela Corte de origem com fundamento em legislação local impede o exame do apelo extremo, mediante aplicação da Súmula 280/STF". (REsp 1.759.345/PI, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 17.10.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: ;AgInt no AREsp n. 2.593.766/RS, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 24/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.583.702/RS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 16/12/2024; AgInt no REsp n. 2.165.402/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJEN de 12/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.709.248/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt no REsp n. 2.149.165/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 3/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.507.694/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 25/9/2024; AgInt no AREsp n. 2.278.229/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 19/12/2023; AgInt no AREsp n. 2.277.943/RN, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 25/10/2023. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA