AREsp 2527851 - DECISAO
Conhecido o agravo, negou‑se provimento porque o Tribunal de origem aplicou corretamente o art. 85, § 2º, do CPC/2015 ao identificar proveito econômico mensurável (a desobrigação de pagar R$ 11.900,00) em ação de adjudicação compulsória sem condenação, sendo legítima a fixação dos honorários sobre esse proveito, em...
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- Parties
- Agravante/recorrente: CARLOS EDUARDO LIMA GAZZOLA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial / Decisão De Mérito No Superior Tribunal De Justiça (agravo)
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Adjudicação Compulsória, Honorários Advocatícios Sucumbenciais, Proveito Econômico, Valor Da Causa, Regularização De Condomínio, ITBI, Admissibilidade De Recurso Especial (súmula 7)
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Parties
CARLOS EDUARDO LIMA GAZZOLA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial / Decisão De Mérito No Superior Tribunal De Justiça (agravo)
Legal Issues
- 1 base de cálculo dos honorários sucumbenciais em ação de adjudicação compulsória
- 2 possibilidade de condicionar outorga da escritura ao pagamento prévio de custos de regularização
- 3 aplicação do art. 85, § 2º e § 8º do CPC/2015
Ratio Decidendi
Conhecido o agravo, negou‑se provimento porque o Tribunal de origem aplicou corretamente o art. 85, § 2º, do CPC/2015 ao identificar proveito econômico mensurável (a desobrigação de pagar R$ 11.900,00) em ação de adjudicação compulsória sem condenação, sendo legítima a fixação dos honorários sobre esse proveito, em conformidade com a jurisprudência do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Intimem‑se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CARLOS EDUARDO LIMA GAZZOLA e outra contra decisão que negou seguimento a recurso especial manejado em face de acórdão assim ementado (fls. 715/717): APELAÇÃO CÍVEL. ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA. CONDOMÍNIO BELVEDERE GREEN. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE DIREITOS. REQUISITOS. OBSERVÂNCIA. IMPOSIÇÃO DE CONDIÇÃO. PAGAMENTO PRÉVIO DE CUSTOS DE REGULARIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL OU CONTRATUAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PROVEITO ECONÔMICO. 1. Em promessa de compra e venda de unidade imobiliária em condomínio irregular, uma vez regularizado o loteamento, os requisitos e despesas necessários para a obtenção da escritura pública de compra e venda não se confundem com os requisitos e despesas para regularização do empreendimento. 2. No caso concreto, a promitente vendedora comprometeu-se a outorgar a escritura após a quitação do preço do imóvel e a regularização do loteamento, que permitiria a individualização da matrícula imobiliária. Não restou estabelecido que a outorga da escritura estaria condicionada ao pagamento prévio, pelos compradores, dos custos da regularização. 3. Não pode a empreendedora - que figura como proprietária registral do imóvel, e que cedeu seus direitos e obrigações aos adquirentes previstos nos contratos -, condicionar a outorga da escritura pública a condição suspensiva não prevista nos contratos validamente celebrados nem na legislação. 4. Não se discute que a regularização do condomínio implica custos elevados, e devem ser ressarcidos em favor de quem os assumiu. Todavia, eventual direito ao ressarcimento dos custos de regularização é independente da obrigação de outorga de escritura pública para cada unidade imobiliária, devendo ser exigido, se o caso, na via adequada, contra quem efetivamente tiver a obrigação de ressarcir. 5. Se a matrícula do imóvel objeto da lide já foi individualizada no registro imobiliário, conclui-se que, uma vez quitado o preço do lote, assiste ao adquirente o direito à escritura de compra e venda hábil a ser levada a registro. 6. Conforme restou definido pelo STF em recurso extraordinário julgado com repercussão geral (Tema 1.124), a exigência do ITBI somente ocorre em momento posterior, após a transferência da propriedade. 7. Ante a comprovação, pelos compradores, do preenchimento dos requisitos legais e contratuais para obtenção da escritura pública, e havendo recusa da proprietária registral, a procedência do pedido de adjudicação compulsória é medida que se impõe. 8. A lei processual civil elencou, nessa ordem, o valor da condenação, o valor do proveito econômico e o valor da causa como bases de cálculo para fixação dos honorários de sucumbência. Em se tratando de ação de adjudicação compulsória julgada procedente, não há condenação, restando configurado, no entanto, que os autores obtiveram proveito econômico, consistente na desobrigação de pagar o valor exigido a título de custos de regularização como condição para outorga da escritura, devendo ser esta a base de cálculo dos honorários. 9. Ante a comprovação do preenchimento dos requisitos legais e contratuais para tanto, a manutenção da sentença que condenou a empreendedora à outorga da escritura, sob pena de adjudicação compulsória, merece ser mantida incólume. 10. Apelação conhecida e parcialmente provida. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, os recorrentes apontam a violação do art. 85, § 2º, do Código de Processo Civil/2015, sustentando que o proveito econômico na ação de adjudicação compulsória, no caso, a fixação dos honorários de sucumbência, deve recair sobre o valor da causa, que corresponde, in casu, ao valor da unidade imobiliária. Aduzem que o Tribunal de origem fixou os honorários advocatícios sobre o valor relativo à taxa cobrada pela recorrida, no total de R$ 11.900,00 (onze mil e novecentos reais), sendo forçoso reconhecer que o objeto da demanda foi a adjudicação do imóvel e não o pagamento da taxa cobrada pela recorrida. Contrarrazões apresentadas. O recurso especial não foi admitido em virtude do óbice da Súmula 7 do STJ. Neste agravo, os agravantes impugnam o óbice sumular apontado. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. O recurso não merece provimento. Nos termos da jurisprudência desta Corte, os critérios de fixação da verba honorária dispostos no Código de Processo Civil são, em ordem de preferência, o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, do valor atualizado da causa (art. 85, § 2º, do CPC/2015). Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXTINÇÃO DE CONDOMÍNIO E ARBITRAMENTO DE ALUGUEL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS ARBITRADOS POR EQUIDADE. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MENSURAR O PROVEITO ECONÔMICO. VALOR DA CAUSA QUE NÃO REFLETE O BENEFÍCIO DEVIDO. PRECEDENTES. .. 3. Nos termos do art. 85, § 2º, do CPC, os honorários advocatícios "serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa". 4. Também estabelece o art. 85, § 8º, do CPC que, "nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º". 5. Embora pré-determinados os critérios do art. 85, § 2º e 8º, do CPC, a base de cálculo adequada para o arbitramento dos honorários não dispensa a análise casuística da demanda, observando-se, sobretudo, a existência de proveito econômico mensurável e a pertinência do valor da causa em relação ao benefício auferido com a demanda. 6. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, diante da ausência de proveito econômico auferível ou mensurável, e quando o valor da causa não refletir o benefício devido, deverá ser aplicado o critério subsidiário da equidade. 7. No recurso sob julgamento, deve ser mantido o acórdão estadual que arbitrou a verba honorária pelo critério da equidade, com fundamento na ausência de condenação, na impossibilidade de mensurar o proveito econômico por necessidade de produção probatória e diante da ausência de relação entre o valor atribuído à causa (valor venal do imóvel) e o benefício pretendido. 8. Recurso especial conhecido e desprovido. (REsp n. 2.084.038/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 14/5/2024, DJe de 17/5/2024.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. PRESCRIÇÃO EXTINTIVA. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. INÉRCIA DO EXEQUENTE QUANTO À PROPOSITURA DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. BASE DE CÁLCULO. REGRA GERAL. ART. 85, § 2º, DO CPC/2015. DECISÃO MANTIDA. .. 3. A Corte Especial do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (Tema n. 1.076), fixou as seguintes teses quanto ao arbitramento de honorários advocatícios sucumbenciais: "i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo." 4. Referido entendimento coincide com precedente julgado pela Segunda Seção desta Corte, no qual se estabeleceu "(5.1) que o § 2º do referido art. 85 veicula a regra geral, de aplicação o brigatória, de que os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados no patamar de dez a vinte por cento, subsequentemente calculados sobre o valor: (I) da condenação; ou (II) do proveito econômico obtido; ou (III) do valor atualizado da causa; (5.2) que o § 8º do art. 85 transmite regra excepcional, de aplicação subsidiária, em que se permite a fixação dos honorários sucumbenciais por equidade, para as hipóteses em que, havendo ou não condenação: (I) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (II) o valor da causa for muito baixo" (REsp 1746072/PR, Rel. p/ Acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/02/2019, DJe 29/03/2019). 5. Não se constatando nenhuma das hipóteses excepcionais, deve ser aplicado o art. 85, § 2º, do CPC/2015. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.313.683/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.) O Tribunal de origem ao fixar os honorários advocatícios considerou que (i) em se tratando de ação de adjudicação compulsória, não há condenação; e (ii) os recorrentes obtiveram proveito econômico, consistente na desobrigação de pagar R$ 11.900,00 como condição para outorga da escritura, motivo pelo qual os honorários deveriam ser fixados sobre tal valor. Confira-se: Como se observa, a lei processual civil elencou o valor da condenação, o valor do proveito econômico ou o valor da causa, nessa ordem, como bases de cálculo para fixação dos honorários. No caso concreto, em se tratando de ação de adjudicação compulsória, não há condenação. Destaca-se, no entanto, que os autores obtiveram proveito econômico, consistente na desobrigação de pagar R$ 11.900,00 como condição para outorga da escritura. Assim, os honorários de sucumbência devem ser calculados com base em tal proveito econômico .. (fl.728). No caso em análise verifico que a discussão dos autos se referiu apenas à necessidade ou não de pagamento do valor exigido e, não na outorga da escritura pública, propriamente dita. Forçoso reconhecer, portanto, que os valores exigidos para efeito de regularização do imóvel refletem, no caso dos autos, o proveito econômico objeto da demanda. Em face do exposto, conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial. Intimem-se. EMENTA