AREsp 2273244 - DECISAO
O agravo foi conhecido; o Tribunal entendeu que não houve omissão ou negativa de prestação jurisdicional, pois o TJDFT examinou e fundamentou a questão da inovação recursal (ausência de questionamento sobre a responsabilidade pelo pagamento dos encargos para outorga da escritura), e que o art. 490 do CPC não foi...
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- Parties
- Agravante/recorrente: MARKIMOB MARKETING IMOBILIARIO LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
- Legal Topics
- Adjudicação Compulsória, Interesse De Agir, Inovação Recursal, Prequestionamento, Negativa De Prestação Jurisdicional, Honorários Sucumbenciais
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Parties
MARKIMOB MARKETING IMOBILIARIO LTDA.
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 omissão/contradição nos termos do art. 1.022 do CPC
- 2 inovação recursal e impossibilidade de conhecimento de matéria não ventilada na petição inicial
- 3 prequestionamento de matéria relativa ao art. 490 do CPC
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido; o Tribunal entendeu que não houve omissão ou negativa de prestação jurisdicional, pois o TJDFT examinou e fundamentou a questão da inovação recursal (ausência de questionamento sobre a responsabilidade pelo pagamento dos encargos para outorga da escritura), e que o art. 490 do CPC não foi prequestionado nas instâncias ordinárias, atraindo o óbice da Súmula 282/STF; assim, conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se-lhe provimento, majorando os honorários sucumbenciais para 15% conforme art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido parcialmente e negado provimento.
Orders
- Conhecer do agravo interposto.
- Conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MARKIMOB MARKETING IMOBILIARIO LTDA. contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafia acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios assim ementado: "APELAÇÕES CÍVEIS. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DIREITO CIVIL. AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RECUSA À OUTORGA DE ESCRITURA DO IMÓVEL. CONTESTAÇÃO APRESENTADA RESISTINDO À PRETENSÃO. PRELIMINAR REJEITADA. VALOR DA CAUSA. PREÇO ATRIBUÍDO AO IMÓVEL NO CONTRATO. ACOLHIMENTO IMPUGNAÇÃO VALOR DA CAUSA. INOVAÇÃO RECURSAL. 1. O interesse de agir exige o preenchimento do binômio: necessidade e adequação. É preciso que a pretensão só possa ser alcançada por meio do ajuizamento da demanda e que esta seja adequada para a postulação formulada. 2. Nos termos dos artigos 15 e 16, ambos do Decreto-Lei nº 58/1937, e nos termos dos artigos 1.417 e 1.418, ambos do Código Civil, os requisitos indispensáveis para a propositura da adjudicação compulsória são: a) a existência de um compromisso de compra e venda, b) o pagamento integral do preço, c) a inexistência de cláusula de arrependimento, e d) a recusa do promitente vendedor em efetuar a transferência do bem. 3. Conquanto indispensável a comprovação da injusta recusa dos vendedores em outorgar a escritura definitiva, a apresentação de contestações resistindo à pretensão afasta o argumento de que os requerentes não possuem interesse de agir. 4. O valor da causa na adjudicação compulsória deve corresponder ao valor do contrato, cujo cumprimento se pretende. Precedentes. 5. Tratando-se de matéria não ventilada na petição inicial, impede a apreciação em grau recursal, eis que se trata de inovação recursal, vedado pelo ordenamento jurídico. 6. Apelações Cíveis conhecidas e providas em parte" (e-STJ fls. 331/332). Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (e-STJ fls. 392/407). Nas razões do especial (e-STJ fls. 417/431), a recorrente aponta violação dos arts. 490 e 1.022 do CPC. Sustenta ausência de inovação recursal, pois no caso em apreço a matéria foi veiculada nos autos desde a contestação. Aduz que estando demonstrado que não houve inovação recursal, tem-se que o acórdão fere gravemente o art. 1022 do CPC. Apresentadas as contrarrazões, o recurso não foi admitido na origem. Daí o presente agravo, o qual se busca o processamento do apelo nobre. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A pretensão recursal não merece ser acolhida. No tocante à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Sustenta a recorrente que o acórdão é omisso no tocante ao não conhecimento em parte do recurso em razão da inovação recursal. Com efeito, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territóriosesclareceu que "É necessário ressaltar, que, ao contrário das alegações trazidas pela parte embargante, constata- se que o acórdão recorrido não padece do vício da omissão ou da contradição, uma vez que a questão controvertida (inovação recursal) foi examinada, à exaustão, no acórdão embargado, vejamos: "(..) No caso em apreço, em nenhum momento houve o questionamento por parte dos requerentes/apelados acerca da responsabilidade quanto ao pagamento dos custos necessários à outorga da escritura definitiva. Nas palavras do magistrado sentenciante: "Ademais, nesse ponto, os réus não apontam qualquer descumprimento contratual que obstasse a lavratura da escritura, sendo certo que os autores não questionaram a sua responsabilidade quanto ao pagamento dos encargos necessários para efetivar o devido registro na matrícula do imóvel." Sendo assim, caracterizada a inovação recursal, deixo de conhecer o recurso de apelação cível nessa parte." (negritei) É bem verdade que a parte embargante apresentou a matéria posta à apreciação na contestação e na apelação. No entanto, conforme bem ressaltado no acórdão recorrido, não houve, em nenhum momento, o questionamento acerca da responsabilidade quanto ao pagamento dos custos necessários à outorga da escritura definitiva. Observo que o meio utilizado para a formulação do pedido não obedeceu a via processual adequada, na medida em que a parte embargante não se utilizou das vias corretas, tais como, reconvenção ou pedido contraposto" (e-STJ fls. 396/397). Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) No tocante ao art. 490 do CPC verifica-se que a matéria não foi objeto de debate pelas instâncias ordinárias, sequer de modo implícito, apesar da oposição de embargos declaratórios. Nessa circunstância, ausente o requisito do prequestionamento, incide o disposto na Súmula nº 282 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 10% sobre o valor da causa, os quais devem ser majorados para o patamar de 15% em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA