AREsp 2502474 - DECISAO
Conhecer do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a aplicação da pena de perdimento com fundamento no art. 117, §2º do Decreto-lei nº 7.661/1945, não houve omissão apreciável nos termos do art. 1.022 do...
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- Parties
- Recorrente/agravante: GERSON LUIZ OLIVEIRA; Recorrente/agravante: PROTERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial (agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Admissão De Recurso Especial, Prequestionamento, Pena De Perdimento, Arrematação, Súmulas, Honorários Sucumbenciais
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Parties
GERSON LUIZ OLIVEIRA
Recorrente/agravante
PROTERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA.
Recorrente/agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial (agravo Interposto Contra Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 alegada violação aos arts. 903, caput e §4º, e 1.022 do CPC/2015
- 2 alegada violação ao art. 117, §2º, do Decreto-lei nº 7.661/1945
- 3 alegada violação ao art. 884 do Código Civil
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, porque o Tribunal de origem motivou adequadamente a aplicação da pena de perdimento com fundamento no art. 117, §2º do Decreto-lei nº 7.661/1945, não houve omissão apreciável nos termos do art. 1.022 do CPC/2015, as demais questões indicadas não foram prequestionadas e existe fundamento suficiente e não impugnado (indisponibilidade de bens) que sustenta o decidido, além de deficiências na fundamentação recursal que impedem a compreensão exata da controvérsia.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
Orders
- Publicar-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por GERSON LUIZ OLIVEIRA E PROTERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA. contra decisão que não admitiu o recurso especial. O apelo nobre, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafia acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "Agravo de instrumento. Arrematante remisso. Insurgência quanto à perda do sinal pago a título de lance em leilão. Decisão acertada nos termos do que dispõe o artigo 117, § 2º do Decreto-Lei nº 7.661/45. Levantamento dos valores depositados. Inviabilidade. Ante ao decidido no agravo de instrumento n.º 0026864-81.2014.8.26.000 que reconheceu a indisponibilidade dos bens. Recurso conhecido em parte e na parte conhecida desprovido." (fl. 257 e-STJ) Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 271/274 e-STJ). No especial, a recorrente aponta a violação dos arts. 903, caput e §4º, e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015; 117, §2º, do Decreto-lei nº 7.661/1945 e 884 do Código Civil. Sustenta, em síntese, que i) o acórdão recorrido foi omisso em relação ao argumento de que a pena de perdimento seria inaplicável na hipótese; ii) a pena de perdimento é inaplicável no caso concreto, pois, no momento em que houve a quitação do preço, a arrematação feita no segundo leilão estaria perfeita, acabada e irresolúvel, justificando a não realização do depósito do valor remanescente relativo à arrematação relativa ao primeiro leilão. Sem a apresentação das contrarrazões (fl. 323 e-STJ), o recurso não foi admitido na origem (fls. 333/335 e-STJ), ensejando a interposição do presente agravo. Instado, o Ministério Público Federal opina pelo conhecimento do agravo para o não conhecimento do recurso especial (fls. 377/382 e-STJ). É o relatório. DECIDO. A irresignação não merece prosperar. Inicialmente, no tocante à suposta negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. No caso, o Tribunal de Justiça manifestou-se expressamente quanto à adequação da aplicação da pena de perdimento na hipótese, consignando que: "(..) A alegação de impossibilidade jurídica do prosseguimento da arrematação do imóvel por Gerson Luiz De Oliveira não serve como desculpa para o cumprimento daquela obrigação, tendo em vista tratar-se de ato jurídico anterior ao da arrematação efetuada por Ivan Mesquita, de sorte que, caso tivesse honrado o pagamento do valor integral do lance, como lhe fora oportunizado pelo STJ, faria jus à obtenção da Carta de Arrematação, anulando-se a arrematação posterior levada a efeito por esse último." (fls. 258/259 e-STJ). Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) -- OU -- A par disso, exceção feita ao art. 117 do Decreto-lei nº 7.661/1945, verifica-se que as matérias versadas nos demais dispositivos apontados como violados no recurso especial não foram objeto de debate pelas instâncias ordinárias, embora opostos embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento, incide o disposto na Súmula nº 211/STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo". Como se sabe, não há impropriedade em afirmar a falta de prequestionamento e afastar a negativa de prestação jurisdicional, haja vista o julgado estar devidamente fundamentado sem, no entanto, ter decidido a causa à luz dos preceitos jurídicos suscitados pelo recorrente. Observe-se, ainda que, de acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal, a admissão de prequestionamento ficto em recurso especial, previsto no art. 1.025 do CPC, exige que no mesmo recurso seja reconhecida a existência de violação do art. 1.022 do CPC, o que não se verifica no caso. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL E CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ART. 1.021, § 1º, DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO NÃO CONFIGURADO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC QUE SEQUER FOI ARGUIDA. APLICAÇÃO DE MULTA COM FUNDAMENTO NO ART. 1.026, § 2º, DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME. SÚMULA 7/STJ. 1. Não pode ser conhecido o agravo interno na parte relativa ao dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de impugnação específica ao fundamento adotado na decisão agravada. Inteligência do art. 1.021, § 1º, do CPC. 2. Ausente o prequestionamento quando o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor acerca do dispositivo legal apontado como violado. Aplicação da Súmula 211/STJ. 3. Prequestionamento ficto que pressupõe não apenas a oposição de embargos de declaração na origem, mas também a alegação, perante este Superior Tribunal, da ocorrência de violação do art. 1.022 do CPC, o que não ocorreu no presente caso. 4. O exame do recurso especial, para afastar a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC, demandaria a incursão no acervo fático dos autos, o que não se mostra possível nesta instância especial. Aplicação da Súmula 7/STJ. 5. AGRAVO INTERNO CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO." (AgInt no REsp 1.839.004/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 13/12/2022 - grifou-se) Paralelamente, de acordo com o Tribunal de origem, "a questão já foi enfrentada no agravo de instrumento n.º 0026864-81.2014.8.26.0100 em que houve o reconhecimento da indisponibilidade de bens dos agravantes (fls. 3673/3676)". Todavia, extrai-se das razões recursais que os recorrentes não refutaram esse fundamento, suficiente para a manutenção do julgado, o que desafia o óbice constante da Súmula nº 283/STF, aplicada por analogia: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Confiram-se: "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RESCISÃO DO CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. ENVIO DA NOTIFICAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTOS NÃO IMPUGNADOS. SÚMULA Nº 283 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A ausência de combate aos fundamentos do acórdão recorrido, suficientes por si só, para a manutenção do decidido acarreta a incidência da Súmula n.º 283 do STF. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.157.654/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023 - grifou-se). Por fim, constata-se a manifesta deficiência na fundamentação recursal, pois o acolhimento da suposta violação do 117 do Decreto-lei nº 7.661/1945 depende do reconhecimento de premissa que não foi admitida pelo aresto impugnado, ou seja, de que não fariam jus à carta de arrematação "caso tivessem honrado o pagamento do valor integral do lance, como lhe fora oportunizado pelo STJ". Assim, também incide, por analogia, a Súmula nº 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. INICIAL. ANÁLISE. SÚMULA Nº 83/STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. ART. 1.021, § 4º, CPC/2015. MULTA NÃO AUTOMÁTICA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, as condições da ação, aí incluída a legitimidade, devem ser aferidas com base na teoria da asserção, isto é, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. Súmula nº 83/STJ. 3. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, dos dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 4. As questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do recurso especial, do requisito do prequestionamento. 5. Na hipótese, apesar de apontar o malferimento à legislação federal, o apelo extremo foi incapaz de evidenciar as ofensas aos dispositivos legais invocados. Nesse contexto, a fundamentação recursal é absolutamente deficiente, o que atrai a incidência dos óbices contidos nas Súmulas nºs 283 e 284/STF. 6. A Segunda Seção decidiu que a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, pois não se trata de mera decorrência lógica da rejeição do agravo interno. Precedente. 7. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.818.651/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 22/2/2022 - grifou-se) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. Publique-se. Intimem-se. EMENTA