AREsp 1770041 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e decidiu-se por não conhecer do recurso especial com fundamento no art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ e na Súmula n. 7 do STJ, porquanto a revisão do valor da indenização por danos morais implicaria reexame de prova e não se demonstrou que o valor arbitrado na origem era irrisório ou...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE MANAUS; Recorrida: AUTORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 January 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Admissão Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Admissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Danos Morais, Quantificação De Indenização, Competência Da Vara Da Fazenda Pública Municipal, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE MANAUS
Agravante
AUTORA
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Admissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Possibilidade de revisão pelo STJ do valor arbitrado a título de danos morais diante da alegação de excesso
- 2 Incidência da Súmula n. 7 do STJ sobre reexame de prova e limites do recurso especial
- 3 Competência da Vara da Fazenda Pública Municipal em ações envolvendo o Município e seus órgãos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se por não conhecer do recurso especial com fundamento no art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ e na Súmula n. 7 do STJ, porquanto a revisão do valor da indenização por danos morais implicaria reexame de prova e não se demonstrou que o valor arbitrado na origem era irrisório ou exorbitante; determinou-se ainda a majoração dos honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MUNICÍPIO DE MANAUS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS, assim resumido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DAS VARAS CÍVEIS MANAUSMED INTEGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA LEI MUNICIPAL N 197515 COMPETÊNCIA DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA MUNICIPAL ART 153 DA LEI COMPLEMENTAR N 1797 RECURSO PROVIDO 1 AS VARAS DA FAZENDA PÚBLICA MUNICIPAL SÃO COMPETENTE PARA PROCESSAR E JULGAR AS CAUSAS EM QUE O MUNICÍPIO E SEUS RESPECTIVOS ÓRGÃO FOREM INTERESSADOS ART 157 INCISO I DA LEI COMPLEMENTAR 1797 2 A LEI MUNICIPAL 197515 TRANSFERIU A MANAUSMED PARA SEMAD ÓRGÃO DE DIREITO PÚBLICO DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA DO MUNICÍPIO 3MINISTÉRIO PÚBLICO OPINOU PELO CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO RECURSO 4 RECURSO PROVIDO. Quanto à controvérsia trazida aos autos, alega violação dos arts. 944 e 945 do Código Civil, no que concerne à necessidade de redução do valor fixado na indenização por dano moral em razão de sua excessividade, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): A sentença reconheceu o direito à indenização por danos morais no montante de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Ocorre que o valor atribuído na sentença a titulo de danos morais e mantido no acórdão é exorbitante, pois extrapola os valores arbitrados em outras condenações em casos semelhantes (fls. 515). A autora, ora recorrida, se recusou a realizar o procedimento por meio dos profissionais da rede credenciada e em detrimento ao procedimento de igual valor e resultado, pleiteava ao procedimento não coberto, e por isso o impasse quanto a solução da realização do procedimento (fls. 518). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: No mais, quanto ao dano moral deferido pelo juízo a quo, tem - se que a vida da Apelada estava em risco, de modo que a demora e a negativa da Assistência Médica dos Servidores Públicos Municipais - MANAUSMED é ato ilícito que gera a usuária preocupação que não se confunde com mero dissabor, pois pressupõe ofensa aos direitos da personalidade - a usuária viu sua saúde/vida em risco, ensejando o pagamento de indenização, cujo valor reputo condizente com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade (fls. 503/504). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que, muito embora possa o STJ atuar na revisão das verbas fixadas a título de danos morais, esta restringe-se aos casos em que arbitrados na origem em valores irrisórios ou excessivos, o que não se verifica no caso concreto. Nesse sentido: "Somente em hipóteses excepcionais, quando irrisório ou exorbitante o valor da indenização por danos morais arbitrado na origem, a jurisprudência desta Corte permite o afastamento do óbice da Súmula n. 7 do STJ para possibilitar sua revisão. No caso, a quantia arbitrada na origem é razoável, não ensejando a intervenção desta Corte". (AgInt no AREsp 1.214.839/SC, relator inistro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 8/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.672.112/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 27/8/2020; AgInt no AREsp 1.533.714/RN, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/8/2020; e AgInt no AREsp 1.533.913/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 31/8/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.