AREsp 2764606 - DECISAO
Não houve prequestionamento da questão sobre a alegada excessividade da indenização sob o viés indicado pelo recorrente, razão pela qual incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ; ademais, o valor de R$ 2.000,00 foi considerado razoável e não irrisório nem exorbitante, impedindo a revisão pelo STJ, e impôs-se a majoração...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE CAMPO LIMPO PAULISTA; Agravado: servidor(a)-agravado(a)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Dano Moral, Súmula 7 Do STJ, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE CAMPO LIMPO PAULISTA
Agravante
servidor(a)-agravado(a)
Agravado
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 prequestionamento da matéria para admissibilidade do Recurso Especial
- 2 excessividade do valor da indenização por dano moral (R$ 2.000,00) e impacto na gestão municipal
- 3 possibilidade de revisão do valor da indenização apenas em hipóteses de quantia irrisória ou exorbitante
Ratio Decidendi
Não houve prequestionamento da questão sobre a alegada excessividade da indenização sob o viés indicado pelo recorrente, razão pela qual incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ; ademais, o valor de R$ 2.000,00 foi considerado razoável e não irrisório nem exorbitante, impedindo a revisão pelo STJ, e impôs-se a majoração dos honorários advocatícios em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Conhecer do Agravo e não conhecer do Recurso Especial
- Majorar os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE CAMPO LIMPO PAULISTA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: Agravo de Instrumento - Cumprimento de Sentença - Verbas estatutárias sonegadas pelo Município - Dano moral em prol de servidor(a)-agravado(a) - Arbitramento em R$ 2.000,00 - Recurso pelo Município de Campo Limpo Paulista - Desprovimento de rigor. Valor adequado e consentâneo ao já arbitrado em outras demandas idênticas - Binômio de que a indenização não pode ser nem excessiva sob pena de constituir o enriquecimento sem causa do lesado e tampouco ínfima sob pena de servir a um só tempo desmerecer o lesado e servir de estímulo a novas práticas indevidas. R. decisão mantida, com majoração dos ônus sucumbenciais (Tese fixada pelo E. STJ) - Recurso desprovido. Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 8º do CPC e ao art. 5º da LINDB, no que concerne à excessividade do valor fixado a título de indenização por dano moral, considerando o valor a ser pago a cada servidor do município, R$ 2.000,00 (dois mil reais), o que inviabilizará a gestão do município que é de pequeno porte e possui pouca arrecadação, comprometendo os atendimentos prestados à população, os investimentos sociais e as políticas públicas. É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada (excessividade do valor de R$ 2.000,00 a título de indenização, para a gestão do município) não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: " .. o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4.5.2018. Ademais, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Diversos casos semelhantes contra a Municipalidade de Campo Limpo Paulista foram e são distribuídos a este Relator. Em resumo, tratam de indenização por dano moral ao servidor que teve verbas estatutárias sonegadas pelo referido Município. O arbitramento, atual, está assentado em R$ 2.000,00, tal qual a decisão agravada. Em síntese, após debate noutros feitos, alcançou-se tal valor adequado e homogêneo, observado o binômio de que a indenização não pode ser nem excessiva sob pena de constituir o enriquecimento sem causa do lesado e tampouco ínfima sob pena de servir a um só tempo desmerecer o lesado e servir de estímulo a novas práticas indevidas, além da comprovação de que era servidor ativo durante a gestão do requerido Roberto Antônio no Município de Campo Limpo Paulista. (fls. 127). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), tendo em vista que, muito embora possa o STJ atuar na revisão das verbas fixadas a título de danos morais, esta restringe-se aos casos em que arbitrados na origem em valores irrisórios ou excessivos, o que não se verifica no caso concreto. Nesse sentido: "Somente em hipóteses excepcionais, quando irrisório ou exorbitante o valor da indenização por danos morais arbitrado na origem, a jurisprudência desta Corte permite o afastamento do óbice da Súmula n. 7 do STJ para possibilitar sua revisão. No caso, a quantia arbitrada na origem é razoável, não ensejando a intervenção desta Corte". (AgInt no AREsp 1.214.839/SC, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 8.3.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.672.112/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 27.8.2020; AgInt no AREsp 1.533.714/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28.8.2020; e AgInt no AREsp 1.533.913/RJ, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 31.8.2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA