AREsp 2939429 - DECISAO
Conheceu‑se do agravo interposto por MARCOS ANTONIO GOMES DE SOUZA e não se conheceu do recurso especial porque: (i) a alegação relativa ao art. 489, § 1º, do CPC não foi prequestionada pelo Tribunal a quo (Súmula 211/STJ); (ii) as questões constitucionais invocadas são matéria própria do STF (art. 102, III, CF) e...
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- Parties
- Agravante: MARCOS ANTONIO GOMES DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 211/stj, Súmula 7/stj, Cerceamento De Defesa, Nulidade De Processo Administrativo, Direito De Propriedade, Notificação
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Parties
MARCOS ANTONIO GOMES DE SOUZA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento quanto à alegada violação ao art. 489, § 1º, do CPC
- 2 alegada nulidade por cerceamento de defesa (art. 5º, LIV e LV, CF/88)
- 3 alegada violação ao direito de propriedade (art. 5º, XXII e XXIII, CF/88)
Ratio Decidendi
Conheceu‑se do agravo interposto por MARCOS ANTONIO GOMES DE SOUZA e não se conheceu do recurso especial porque: (i) a alegação relativa ao art. 489, § 1º, do CPC não foi prequestionada pelo Tribunal a quo (Súmula 211/STJ); (ii) as questões constitucionais invocadas são matéria própria do STF (art. 102, III, CF) e não competem ao STJ; e (iii) a alegação de nulidade por ausência de notificação exigiria reexame do acervo fático‑probatório (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Publique-se.
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DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MARCOS ANTONIO GOMES DE SOUZA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA. OCUPAÇÃO IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA. MERA DETENÇÃO DE NATUREZA PRECÁRIA. 1. Constatada a ocupação indevida de área pública para fins comerciais, é dever dos entes públicos a promoção de medidas destinadas a saná-la, de modo a dar efetividade ao princípio da indisponibilidade do interesse público. 2. Não se descurando o impetrante do seu ônus probatório, presume-se legítima a atuação administração, procedendo a desobstrução compulsória da área (prescindindo, até mesmo, de provimento jurisdicional, dada a autoexecutoriedade do ato), certo inexistir, sequer, proteção possessória ao particular invasor de bem público. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO (fl. 260). Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 489, § 1º, do CPC, sustentando que a decisão judicial contrariou a realidade dos fatos e as provas acostadas. Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 5º, LIV e LV, da CF/88, no que concerne à nulidade da decisão recorrida ante o cerceamento de defesa, sustentando que "desde o processo administrativo foi prejudicial à parte recorrente e tornou o processo nulo, pois no contexto atual, o juiz não pode mais ser mero expectador da lide, porquanto incumbe-lhe o dever de conduzir o processo de modo a extrair a melhor solução possível dentro dos limites fixados pela lei" (fl. 305). Quanto à terceira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 5º, XXII e XXIII, da CF/88, no que concerne à garantia do direito de propriedade e sua função social. Quanto à quarta controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 145 do CC, no que concerne à nulidade do processo administrativo em razão da inobservância à forma, ante a ausência de comprovação da notificação da parte recorrente. Traz a seguinte argumentação: Cabe, aqui, destacar que a inobservância à forma é vício formal que torna nulo o processo administrativo para a imposição das penalidades, nos exatos termos do Código Civil: .. Frisa-se que tal situação viola formalidades legais do processo administrativo e vai de encontro aos preceitos de legalidade que regem as relações entre cidadão e o estado. Posto isto, conclui-se que em todo processo administrativo, e neste não se encontra qualquer comprovante válido com assinatura do Requerente, não se pode confirmar que recebeu qualquer notificação. .. Sendo necessário que se declare a nulidade dos atos processuais, eis que, não realizada a notificação nos padrões legais e, ato contínuo, a cassação da sentença combatida (fls. 306- 307). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "A ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo Tribunal a quo, não obstante oposição de embargos declaratórios, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 211/STJ" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.738.596/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, ;DJEN de 26/3/2025). Na mesma linha: "A alegada violação ao art. 489, § 1º, I, II, III e IV, do CPC não foi examinada pelo Tribunal de origem, nada obstante a oposição de embargos de declaração. Logo, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto ausente o indispensável prequestionamento" (AgInt no AREsp n. 2.100.337/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp n. 2.545.573/ES, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.466.924/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AREsp n. 2.832.933/GO, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/3/2025; AREsp n. 2.802.139/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AREsp n. 1.354.597/PR, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.073.535/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.623.773/GO, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgRg no REsp n. 2.100.417/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 10/3/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.569.581/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.503.989/MG, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 27/2/2025. Quanto à segunda e à terceira controvérsia, é incabível o Recurso Especial quando visa discutir violação ou interpretação divergente de norma constitucional porque, consoante o disposto no art. 102, III, da Constituição Federal, é matéria própria do apelo extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: "Não cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal". (AgInt nos EREsp 1.544.786/RS, relator ;Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AREsp n. 2.747.891/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 24/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.074.834/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgRg no REsp n. 2.163.206/RS, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJEN de 23/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.675.455/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; EDcl no AgRg no AREsp n. 2.688.436/MS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 20/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.552.030/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 18/11/2024; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.546.602/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 21/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.494.803/MG, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 18/9/2024; AgInt nos EDcl no REsp n. 2.110.844/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 22/8/2024; AgInt no REsp n. 2.119.106/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 22/8/2024. Quanto à quarta controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Cumpre salientar que resta demonstrado neste caderno processual que ele foi por duas vezes notificado, porém permaneceu inerte. No dia 01/10/2019, foi expedida a Notificação nº 101416 (fl. 04 do PA), que foi recebida pelo filho do notificado. No dia 19/11/2019 foi realizada nova vistoria, sendo ali lavrada notificação (n. 05626, fl. 13 do PA) para que fosse apresentada documentação, devidamente recebida e assinada. Ainda assim, após duas notificações e a inércia do impetrante, tal fato deu ensejo à desobstrução da área pública, agendada para 03/03/2020, conforme documento de fl. 17 do PA (mov. 21, doc. "4282981 p 80547938..pdf"). Porém esta somente foi efetivada no dia 30/08/2023, nos termos do documento de fl. 24 do PA e comprovada por registro fotográfico (Relatório Circunstanciado anexado ao SEI n. 23.28.000004283-4) - mov. 21 (fl. 256). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA