AREsp 3009273 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e manteve-se, quanto ao indeferimento da petição inicial da ação rescisória, o entendimento de que a rescisória configurava sucedâneo recursal e que não houve prequestionamento nem fundamentação suficiente quanto às alegadas violações de dispositivos federais; entretanto, afastou-se a multa...
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- Parties
- Recorrente/agravante: FABIO MEIRA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042 Do Cpc) / Decisão De Admissibilidade
- Outcome
- Agravo conhecido e provido em parte para afastar a multa prevista no art. 1.021, §4º do CPC/15; mantido o indeferimento da petição inicial da ação rescisória.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Ação Rescisória, Prequestionamento, Súmulas Do STF E Do STJ, Multa Por Agravo Interno (art. 1.021, §4º Cpc), Deficiência De Fundamentação (súmula 284/stf)
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Parties
FABIO MEIRA DOS SANTOS
Recorrente/agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042 Do Cpc) / Decisão De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 se a ação rescisória proposta constitui sucedâneo recursal e, portanto, é incabível
- 2 se houve prequestionamento dos dispositivos indicados (art. 1.021, §3º, CPC/15)
- 3 se a alegação de violação ao art. 141 do CPC/15 foi suficientemente fundamentada
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e manteve-se, quanto ao indeferimento da petição inicial da ação rescisória, o entendimento de que a rescisória configurava sucedâneo recursal e que não houve prequestionamento nem fundamentação suficiente quanto às alegadas violações de dispositivos federais; entretanto, afastou-se a multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC/15, por não restar comprovado caráter manifestamente abusivo ou protelatório do agravo.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido em parte para afastar a multa prevista no art. 1.021, §4º do CPC/15; mantido o indeferimento da petição inicial da ação rescisória.
Orders
- Conheço do agravo (Art. 1.042 do CPC/15) e dou parcial provimento ao recurso especial para afastar a multa aplicada com amparo no art. 1.021, §4º, do CPC/15
- Mantido o indeferimento da petição inicial da ação rescisória por tratar-se de sucedâneo recursal e por ausência de prequestionamento/deficiência de fundamentação
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DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por FABIO MEIRA DOS SANTOS, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado nas alíneas a do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, assim ementado (fl. 256, e-STJ): AGRAVO INTERNO EM AÇÃO RESCISÓRIA. DECISÃO UNIPESSOAL QUE INDEFERIU A PETIÇÃO INICIAL. INSURGÊNCIA. ALEGADA OFENSA AO ART. 966, V, DO CPC. OMISSÃO NO ACÓRDÃO RESCIDENDO REFERENTE À APLICAÇÃO DE CONSECTÁRIOS LEGAIS. TESE INACOLHIDA. ACÓRDÃO QUE DECIDIU SOBRE A TEMÁTICA ATACADA. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA RESCISÓRIA COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. INDEFERIMENTO DA INICIAL MANTIDO. AGRAVO DESPROVIDO À UNANIMIDADE. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DE MULTA DO ART. 1.021, §4º, DO CPC. Nas razões de recurso especial (fls. 259-266, e-STJ), o recorrente ofensa aos arts. 141, 1.021, §§ 3º e 4º, do CPC/15. Sustenta, em síntese: (i) nulidade do acórdão por afronta ao art. 1.021, § 3º, do CPC, por reprodução dos fundamentos da decisão agravada; (ii) cabimento da ação rescisória por violação ao art. 141 do CPC, por decisão infra petita quanto aos juros remuneratórios da poupança; (iii) afastamento da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC, por inexistência de caráter protelatório. Contrarrazões apresentadas às fls. 267-272, e-STJ. Em juízo de admissibilidade (fls. 273-274, e-STJ), negou-se o processamento do recurso especial, dando ensejo ao presente agravo (fls. 276-284, e-STJ). É o relatório. Decido. A irresignação merece prosperar, em parte. 1. Confirmando a decisão singular recorrida, consignou o Tribunal a quo a impossibilidade insuperável de processamento da ação rescisória, por ostentar nítido intuito de sucedâneo recursal, destacando que o acórdão rescindendo deliberou, de maneira expressa, sobre a temática dos consectários legais ao fixar a restituição do valor e a atualização pelos índices oficiais aplicáveis às contas poupanças, a ser apurada no cumprimento de sentença. É o que se extrai do seguinte excerto do aresto hostilizado (fl. 254, e-STJ): 2. Defende a parte Autora que o ajuizamento da presente Ação Rescisória encontra previsão no art. 966, V, do CPC, que dispõem, verbis: "Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: V - violar manifestamente norma jurídica". Tal qual decidido pela via monocrática, vislumbro impossibilidade insuperável de processamento da rescisória ajuizada. Isso porque, na espécie, a actio rescindenda ajuizada possui nítido intuito de sucedâneo recursal. Tanto que, na certidão de julgamento (processo 0302088-90.2016.8.24. 0079/TJSC, evento 59, EXTRATOATA1 ), fez-se constar, expressamente, que a decisão da Câmara foi no sentido de "conhecer do recurso e dar-lhe provimento para condenar o réu a restituir o valor de CR$ 4.460,00 (quatro mil, quatrocentos e sessenta cruzeiros), quantia esta que deverá ser atualizada nos termos da fundamentação". E, da fundamentação do aresto, extrai-se (processo 0302088-90.2016.8.24. 0079/TJSC, evento 60, RELVOTO2): Os consectários legais de atualização deverão obedecer aos índices oficiais aplicáveis às contas poupanças na data de 16-11-1983 (data do depósito), os quais deverão ser apurados no cumprimento de sentença. Inviável, assim, diante do nítido viés de sucedâneo recursal, sequer o processamento da pretensão rescisória, devendo, portanto, ser indeferida a inicial, salientando-se que a parte Autora, notificada do teor do decisum, não interpôs qualquer recurso, mesmo que com o escopo de esclarecer o teor do julgado. grifou-se Neste contexto, verifica-se que o conteúdo normativo inserto no art. 1.021, § 3º, do CPC/15 não foi objeto de exame pela instância ordinária, tampouco foram opostos embargos de declaração a fim de suscitar a discussão dos temas neles veiculados, razão pela qual incide, na espécie, as Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal, de seguinte teor: Súmula 282 - "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Súmula 356 - "O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito de prequestionamento". Nestes termos: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ESCRITURA DE COMPRA E VENDA C/C REIVINDICATÓRIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL COMPLETA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA PARCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EXIGÊNCIA. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL EM NOME PRÓPRIO COM RECURSOS DESVIADOS DA PESSOA JURÍDICA. CONVERSÃO DE OFÍCIO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER EM PERDAS E DANOS. JULGAMENTO EXTRA ET ULTRA PETITA. NÃO OCORRÊNCIA. VALOR DA INDENIZAÇÃO. LUCROS CESSANTES E JUROS DE MORA. SUPOSTA INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. NECESSIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA E CONTRATUAL. SÚMULAS 282 E 356/STF E 5, 7 E 83/STJ. (..) 3. Não tendo havido o prequestionamento de parte dos temas postos em debate nas razões do recurso especial, requisito do qual não estão imunes nem mesmo as matérias de ordem pública, incidentes os enunciados 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. (..) 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 973.262/PB, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 30/11/2020, DJe 07/12/2020) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL - LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO APELO NOBRE. INSURGÊNCIA DA DEMANDADA. (..) 2. A ausência de enfrentamento da matéria objeto da controvérsia pelo Tribunal de origem impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência da Súmula 282 do STF. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp 1880012/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 27/10/2020, DJe 23/11/2020) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. ILEGITIMIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. NECESSIDADE DE AVISO PRÉVIO. MATÉRIA JÁ DECIDIDA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não enseja a interposição de recurso especial matéria que não tenha sido debatida no acórdão recorrido e sobre a qual não foram opostos embargos de declaração. A ausência do indispensável prequestionamento, requisito exigido inclusive para matéria de ordem pública, atrai, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. (..) 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1348366/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 24/08/2020, DJe 15/09/2020) Para que se configure o prequestionamento da matéria, há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre determinada questão de direito, definindo-se, por conseguinte, a correta aplicação da legislação federal, o que não é o caso dos autos. Importante consignar, nos termos da compreensão jurisprudencial consagrada por esta Colenda Corte, que "as questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do recurso especial, do requisito do prequestionamento" (AgInt no AREsp 1735990/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2021, DJe 13/08/2021) Neste sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA DEMANDADA. 1. A ausência de enfrentamento da matéria pelo Tribunal de origem impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência da Súmula 282 e 356 do STF. 1.1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que as matérias de ordem pública também devem atender ao pressuposto constitucional do prequestionamento. (..) 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1893136/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 09/08/2021, DJe 17/08/2021) 2. Por outro lado, como é cediço, o recurso especial é um meio impugnativo processual de fundamentação vinculada, no qual o efeito devolutivo se opera nos termos do que foi impugnado. Segundo o entendimento jurisprudencial adotado por esta Colenda Corte ausência de indicação clara e expressa da forma como o aresto recorrido teria vulnerado os referidos dispositivos de lei atrai a incidência, por analogia, do óbice contido na Súmula 284/STF, por deficiência de fundamentação. Vale dizer, a simples alusão a dispositivos, desacompanhada da necessária argumentação que sustente a alegada ofensa à lei federal, não se mostra suficiente para o conhecimento do recurso especial. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. DESCABIMENTO DE RECURSO ESPECIAL CONTRA ACÓRDÃO PROFERIDO EM IRDR QUE FIXA TESES JURIDICAS DE CARATER ABSTRATO E VINCULANTE. AUSÊNCIA DE APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (..) 3. A arguição genérica de violação de dispositivo infraconstitucional, sem demonstração efetiva de contrariedade, atrai, por analogia, a aplicação da Súmula n. 284 do STF. 4. Recurso especial não conhecido. (REsp n. 2.119.053/RN, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 23/4/2024, DJe de 25/4/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO. SUSPENSÃO DA AÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. INOCORRÊNCIA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. APRECIAÇÃO DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. VEDAÇÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO RECORRIDA NO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO. AUSÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. (..) 2. A alegação genérica de violação de dispositivos da legislação federal violados caracteriza deficiência na fundamentação recursal, a teor da Súmula 284 do STF. Sem demonstrar, concreta e analiticamente, em que medida cada um dos dispositivos legais teria sido violado pela decisão recorrida, não é cabível o recurso especial. (..) 6. Agravo desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.589.574/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. PENHORA. ALEGAÇÃO DE AFASTAMENTO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA A DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. VERBETES SUMULARES N. 7 E 83 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. APLICAÇÃO. NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. Precedentes. (..) 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.931.592/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 12/9/2022, DJe de 19/9/2022.) TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. URV. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. COISA JULGADA. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. SÚMULAS N. 284 DO STF E 7 DO STJ. (..) 3. A admissibilidade do recurso especial reclama a indicação clara dos dispositivos tidos por violados, bem como a exposição das razões pelas quais o acórdão teria afrontado cada um deles, não sendo suficiente a mera alegação genérica. Dessa forma, o inconformismo se apresenta deficiente quanto à fundamentação, o que impede a exata compreensão da controvérsia (Súmula n. 284/STF). (..) 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.498.301/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 16/8/2022, DJe de 31/8/2022.) Com efeito, a alegação de ofensa à lei federal pressupõe a realização do cotejo entre o conteúdo preceituado na norma jurídica e os argumentos aduzidos nas razões recursais, de maneira a demonstrar a devida correlação jurídica entre o fato e o mandamento legal. No caso dos autos, apesar de apontar ofensa ao art. 141, do CPC/15, verifica-se das razões de apelo nobre que o recorrente alega genericamente violação a tal dispositivo sem demonstrar, de forma clara e precisa, de que modo o acórdão recorrido o teria contrariado. Nesse sentido, a simples alusão a dispositivos de lei tidos como vulnerados, desacompanhada da necessária argumentação que sustente a propalada ofensa, não se mostra suficiente para o conhecimento do recurso especial. Incide, na espécie, o óbice contido na Súmula 284/STF. 3. Por fim, nos termos da orientação jurisprudencial adotada por este Superior Tribunal de Justiça, a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/15 não decorre automaticamente do mero desprovimento ou não conhecimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessário, para tanto, a constatação do intuito abusivo ou procrastinatório da parte. Neste sentido: CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. PLANO DE SAÚDE. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME PET-CT PRESCRITO PELO MÉDICO. NEGATIVA DE COBERTURA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 3. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do NCPC não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A condenação ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória (AgInt no AREsp 1.658.454/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 31/8/2020, DJe 8/9/2020). 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.153.601/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/10/2022, DJe de 26/10/2022.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. INCIDÊNCIA APENAS NA HIPÓTESE DE AGRAVO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS SEM EFEITOS INFRINGENTES. 1. Consoante entendimento desta Corte Superior, "a aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese examinada" (AgInt nos EREsp 1.120.356/RS, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, DJe de 29/8/2016). 2. Embargos de declaração acolhidos para sanar omissão, sem efeitos infringentes. (EDcl no AgInt no AREsp n. 2.041.816/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 19/9/2022, DJe de 4/10/2022.) No caso em tela, assim se pronunciou a Corte de origem quanto à fixação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/15 (fls. 255, e-STJ): Desta forma, não há como dar guarida à pretenção inicial, sendo a manutenção do indeferimento da petição inicial medida adequada. Por ser manifestamente improcedente o recurso e desprovido à unanimidade, aplicavável a multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC, para o qual "§ 4º Quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em votação unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar ao agravado multa fixada entre um e cinco por cento do valor atualizado da causa", que fixo em 1% sobre o valor atualizado da causa. Assim, porquanto não evidenciado o caráter manifestamente abusivo ou procrastinatório do recurso, pressuposto para aplicação da sanção ventilada, deve ser acolhida a pretensão recursal, apenas para afastar a multa aplicada com amparo no art. 1.021, § 4º, do CPC/15. 4. Do exposto, com amparo no artigo 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conheço do agravo (Art. 1.042, do CPC/15) para, de pronto, dar parcial provimento ao recurso especial, tão-somente para afastar a multa aplicada com amparo no art. 1.021, § 4º, do CPC/15, nos termos da fundamentação supracitada. Publique-se. Intimem-se. EMENTA