EREsp 2062245 - DECISAO
Os embargos de divergência são inadmissíveis porque o acórdão embargado não analisou o mérito do recurso especial, incidindo o óbice da Súmula 315/STJ, e o embargante não comprovou dissídio jurisprudencial mediante o cotejo analítico exigido; por tais razões os embargos foram indeferidos liminarmente e foram...
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- Parties
- Embargante: Telmo Ricardo Abrahao Schorr e Outros; Embargado: Superior Tribunal de Justiça - Segunda Turma
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 March 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade; Indeferidos Liminarmente
- Outcome
- Embargos de divergência indeferidos liminarmente.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Embargos De Divergência, Dissídio Jurisprudencial, Cotejo Analítico, Súmula 315/stj, Honorários Recursais, Prequestionamento
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Parties
Telmo Ricardo Abrahao Schorr e Outros
Embargante
Superior Tribunal de Justiça - Segunda Turma
Embargado
Procedural Posture
Embargos De Divergência Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade; Indeferidos Liminarmente
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de embargos de divergência quando o recurso especial não teve o mérito analisado
- 2 Obrigatoriedade de cotejo analítico para demonstração de dissídio jurisprudencial
- 3 Incidência da Súmula 315/STJ
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência são inadmissíveis porque o acórdão embargado não analisou o mérito do recurso especial, incidindo o óbice da Súmula 315/STJ, e o embargante não comprovou dissídio jurisprudencial mediante o cotejo analítico exigido; por tais razões os embargos foram indeferidos liminarmente e foram majorados os honorários recursais para 15% com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Embargos de divergência indeferidos liminarmente.
Orders
- Indeferir liminarmente os embargos de divergência
- Majorar os honorários recursais para 15% sobre o valor arbitrado na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo e eventual concessão de gratuidade de justiça
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência opostos por Telmo Ricardo Abrahao Schorr e Outros contra o acórdão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, relatado pelo Ministro Francisco Falcão, assim ementado (fls. 1.121/1.131): PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PREVIDÊNCIA PÚBLICA ESTADUAL. INTEGRALIDADE DE PENSÃO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento contra decisão proferida em ação movida contra o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul. No Tribunal a quo, o agravo foi improvido. II - Em relação à alegada omissão, contrariedade ou contradição suscitada no presente recurso especial, o recorrente limitou-se a afirmar, em linhas gerais, que o acórdão recorrido incorreu em nulidade ao deixar de se pronunciar adequadamente acerca das questões apresentadas nos embargos de declaração, fazendo-o de forma genérica, sem desenvolver argumentos para demonstrar especificamente a suposta mácula. Nesse panorama, a arguição genérica de nulidade pelo recorrente atrai o comando do Enunciado Sumular n. 284/STF, inviabilizando o conhecimento dessa parcela recursal. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 962.465/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 19/4/2017; AgRg no AREsp n. 446.627/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 17/4/2017. III - Por outro lado, a competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, impõe-se não apenas a correta indicação dos dispositivos legais federais supostamente contrariados pelo Tribunal a quo, mas também a delimitação clara da violação da matéria insculpida nos regramentos indicados, para que, assim, seja viabilizando o necessário confronto interpretativo e, consequentemente, o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. Dessa forma, verificado que o recorrente não logrou êxito em fundamentar adequadamente a ocorrência de suposta incorreção da interpretação jurídica realizada pelo Tribunal de origem acerca do comando normativo dos dispositivos legais indicados como violados, apresenta-se evidente a deficiência do pleito recursal, atraindo o teor da Súmula n. 284 do STF. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 983.543/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 5/5/2017; AgInt no REsp n. 1.597.355/CE, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 10/3/2017. IV - O Tribunal de origem, ao analisar o conteúdo probatório colacionado aos autos, consignou expressamente que a insurgência defendida pelo recorrente é contrária às evidências fáticas sobre as quais se fundamentou o julgador a quo para solucionar a controvérsia apresentada na presente demanda judicial. Dessa forma, verifica-se que a irresignação do recorrente vai de encontro às convicções do julgador a quo, que tiveram como lastro o conjunto fático-probatório constante dos autos. Nesse diapasão, para rever tal posição seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese a Súmula n. 7/STJ. V - Ademais, o reexame do acórdão recorrido, em confronto com as razões do recurso especial, revela que os fundamentos apresentados naquele julgado, e que fundamentaram a construção da sólida ratio decidendi alcançada pelo Tribunal de origem, foram utilizados de forma suficiente para manter a decisão proferida no Tribunal a quo e não foram suficientemente rebatidos no apelo nobre, fator capaz de atrair a aplicação dos óbices das Súmulas n. 283 e 284, ambas do STF. VI - Por fim, mediante a simples leitura das razões recursais, percebe-se que parcela da insurgência apresentada pelo recorrente não foi suficientemente debatida no âmbito do Tribunal de origem, sendo que a mera citação ou menção superficial de dispositivos de lei federal não é condição capaz de preencher o fundamental requisito de prequestionamento da matéria ora controvertida, deficiência recursal que atrai a aplicação das Súmulas n. 211/STJ e 282 e 356 do STF. VII - Agravo interno improvido. Após o julgamento do agravo interno, foram opostos embargos de declaração. Em acórdão de fls. 1.205/1.213, a Segunda Turma do STJ rejeitou os aludidos embargos por ausência dos vícios previstos nos art. 1.022 do CPC. Nos presentes embargos de divergência, alega o embargante que o objeto originário do recurso é a discussão acerca da possibilidade de fixação dos honorários conforme disposto no Art. 85, § 7º, do CPC (fl. 1.221). Sustenta que, tendo como função precípua a uniformidade e segurança jurídica das decisões, há cabimento do recurso mesmo nas hipóteses de não julgamento do mérito do recurso especial. Ademais, assevera que é possível a apreciação da divergência se a controvérsia se relaciona com o direito processual. Aduz que ao não conhecer do recurso ante o reconhecimento do óbice da Súmula n. 7 do STJ a decisão recorrida divergiu do paradigma: AgInt no REsp n. 1.588.412/SC, Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 26/4/2018. Afirma que a decisão paradigma sedimentou que o exame do recurso especial não demanda análise de provas, sendo suficiente à compreensão da controvérsia os fatos consignados nas instâncias ordinárias. Eis a ementa do aresto paradigma: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE BENS PENHORÁVEIS. ARQUIVAMENTO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO. ART. 791, III, DO CPC/1973. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. DECISÃO MANTIDA. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte, não flui o prazo da prescrição intercorrente no período em que o processo de execução fica suspenso por ausência de bens penhoráveis. Ademais, a prescrição intercorrente pressupõe desídia do credor que, intimado a diligenciar, se mantém inerte. 2. No caso concreto, não poderia ser decretada a prescrição intercorrente sem prévia intimação do credor. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Diz que o que se pleiteia não é a análise probatória, mas a revaloração das premissas fáticas assentadas pelas instâncias ordinárias. Assim, requer o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Os embargos de divergência não ultrapassam o juízo de admissibilidade. Mediante exame dos autos, verifica-se que o acórdão embargado concluiu pela impossibilidade de se analisar o mérito do recurso especial em razão da incidência das Súmulas 282, 283, 284 e 356 do STF e 7 e 211 do STJ. Tal situação impede, por si só, o conhecimento desta via de impugnação, pois não se admite a interposição de embargos de divergência na hipótese de não ter sido analisado o mérito do recurso especial, a teor da Súmula n. 315 desta Corte Superior: Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial. Consoante se observa do acórdão embargado, mostra-se inequívoca a incidência do óbice da Súmula 315/STJ, na medida em que a decisão atacada não examinou o mérito do recurso especial no ponto recorrido, a obstar a admissibilidade dos embargos de divergência, porquanto não evidenciada divergência de teses jurídicas, nos termos do art. 266, § 1º, do RISTJ, e do art. 1.043 do Código de Processo Civil. Nesse diapasão: AgInt nos EAREsp n. 1.441.916/SC, Ministro Og Fernandes, Corte Especial, DJe 26/8/2020; AgRg nos EREsp n. 1.803.437/SC, Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe 17/6/2020; e AgInt nos EAREsp n. 1.022.112/SP, Ministro Humberto Martins, Corte Especial, DJe 4/4/2018. Ademais, o embargante não se desincumbiu do ônus de demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial por meio do indispensável cotejo analítico, nos moldes legais e regimentais, vício insanável. A mera referência genérica a julgados não atende aos requisitos elementares de admissibilidade dos embargos de divergência, que pressupõe a demonstração da identidade fático-processual entre os casos confrontados, a fim de viabilizar a arguição de aplicação de solução jurídica diversa. Não se pode admitir embargos de divergência quando não há a demonstração de controvérsia entre órgãos distintos do STJ (Turmas, Seções, Corte Especial). Ora, a aferição dessa divergência pressupõe efetivo cotejo analítico não resumido a simples transcrição de ementas e capaz de mostrar as similitudes fáticas e jurídicas entre os paradigmas e o acórdão recorrido (AgInt nos EDcl nos EAREsp n. 438.748/BA, Ministro Mauro Campbell Marques, Corte Especial, DJe 11/11/2021). Ante o exposto, indefiro liminarmente os embargos de divergência. Caso tenham sido anteriormente fixados, majoro os honorários recursais em desfavor da embargante para 15% (quinze por cento) sobre o valor arbitrado na origem, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se for o caso, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, bem como eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. EMENTA EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 315/STJ. MERA REFERÊNCIA GENÉRICA A PARADIGMAS NAS RAZÕES RECURSAIS. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Embargos de divergência indeferidos liminarmente.