AREsp 2845330 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque as razões do recurso não atacaram, de forma específica, os fundamentos do acórdão recorrido (ausência de dialeticidade), ficando dissociadas as razões recursais dos fundamentos do aresto, e, ainda, porque as questões apontadas não foram...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DE RORAIMA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Princípio Da Dialeticidade Recursal, Ordem Pública, Exigibilidade Do Título Executivo, Prequestionamento, Súmulas Do STF
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Parties
ESTADO DE RORAIMA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 803, I, parágrafo único, do CPC (arguição de matéria de ordem pública)
- 2 ausência de dialeticidade recursal (não impugnação específica dos fundamentos do acórdão)
- 3 requisito do prequestionamento (Súmulas 282 e 356 do STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial porque as razões do recurso não atacaram, de forma específica, os fundamentos do acórdão recorrido (ausência de dialeticidade), ficando dissociadas as razões recursais dos fundamentos do aresto, e, ainda, porque as questões apontadas não foram prequestionadas, incidindo óbice das Súmulas 284, 282 e 356 do STF; aplicação do art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ para decidir sobre o agravo.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado pelo ESTADO DE RORAIMA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA, assim resumido: AGRAVO INTERNO - DECISÃO MONOCRÁTICA - OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE - RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO CONTRAPÕEM, ESPECIFICAMENTE, OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA - DESPROVIMENTO - DECISÃO MANTIDA. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 803, I, parágrafo único, do Código de Processo Civil, no que concerne à possibilidade de análise de matéria de ordem pública em qualquer fase do processo, trazendo a seguinte argumentação: A Exma. relatora entendeu haver ausência de dialeticidade nos autos do Recurso de Apelação, sendo a decisão mantida no acórdão que analisou o Agravo Interno, sob o fundamento de que a matéria não se apresenta como de ordem pública. In verbis: Aliás, a matéria não se apresenta como de ordem pública, como menciona o recorrente haja vista que a despesa ser, ou não, de exercício anterior, diz respeito apenas ao procedimento interno de pagamento da dívida pelo agravante, o que nada interfere na adequada formação e desenvolvimento válido da ação de cobrança para reconhecimento do débito. Ocorre que, conforme será visto a seguir, não há que se falar em inovação recursal. Conforme demonstrado em sede de agravo interno, a inscrição em despesas de exercícios anteriores, exclui a alegação de inadimplemento do Estado, isso porque o trâmite para o pagamento estaria de acordo com previsto na Lei nº 4.320/64. Maxima venia, embora o r. acórdão entenda que o fundamento do recurso de apelação em "nada interfere na adequada formação e desenvolvimento válido da ação de cobrança para reconhecimento do débito", o Estado de Roraima buscou demonstrar que o regular cumprimento dos arts. 36 e 37 da Lei nº 4.320/64, afasta a exigibilidade do título por meio de ação de cobrança, devendo o título ser pago na forma da lei. In verbis: .. A doutrina de Marina Mesquita é bastante específica ao tratar do tema, esclarecendo a possibilidade de análise de matéria de ordem pública em qualquer momento do processo: .. Não havendo razão, assim, para o Acórdão deixar de apreciar a tese suscitada no recurso de apelação. Máxima vênia, resta evidente que o acórdão merece reparos, tendo em vista que, conforme o disposto no art. 803 do CPC, o título executivo inexigível é considerado nulo. Nesses termos, trata-se de matéria de ordem pública, o que impõe a atuação do juiz, independentemente de provocação das partes, nos termos do parágrafo único do referido artigo: .. Portanto, diante do exposto, não há que se falar em ausência de dialeticidade no recurso de apelação (fls. 48-49). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Vislumbra-se nos autos que a agravante tenta a desconstituição da decisão monocrática ao argumento de que houve a impugnação específica aos fundamentos da sentença da qual apelou, sendo imperioso o conhecimento do recurso. Todavia, analisando novamente a peça recursal, denota-se que a ora agravante, mais uma vez, se restringe a repetir os argumentos lançados nas razões de apelação, insistindo na tese de que em se tratando de despesa de exercício anterior, a seguir o rito da Lei n.º 4.320/64, o pedido deve ser julgado improcedente, quando a sentença impugnada reconheceu a existência da dívida em razão da comprovação da contratação e entrega dos equipamentos de informática adquiridos pelo recorrente. Assim, constata-se, claramente, que a sentença julgou procedente a ação de cobrança em virtude da entrega do objeto contratual, enquanto os argumentos recursais se restringem a mencionar que o pedido deve ser julgado improcedente por ser a dívida de exercício anterior, descumprindo o princípio da dialeticidade recursal a inviabilizar o exame do apelo interposto (fl. 35). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24.8.2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19.11.2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27.8.2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2.5.2018. Ainda que assim não fosse, incidem as Súmulas n. 282/STF e 356/STF, porquanto a questão, a teor dos dispositivos tidos por violados, não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4.2.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28.4.2011; REsp n. 1.730.826/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12.2.2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15.2.2019; AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23.6.2020; AgRg no AREsp n. 2.022.133/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15.8.2022. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA