AREsp 1946449 - DECISAO
Não conhecer do recurso porque foi interposto meio processual manifestamente incabível (erro grosseiro na escolha do agravo de instrumento em vez do agravo do art. 1.042 do CPC) e, adicionalmente, porque o recurso foi intempestivo, ter sido interposto fora do prazo de 15 dias aplicável, razão pela qual não se aplica...
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- Parties
- Agravante: LEONARDO APARECIDO DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interposto (art. 522 Do Cpc/73) Contra Decisão Que Inadmitiu Processamento De Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento/inadmissão Do Recurso
- Outcome
- Não conheço do recurso.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Prazo Recursal, Princípio Da Fungibilidade, Agravo De Instrumento, Agravo Previsto No Art. 1.042 Do CPC, Inadmissão De Recurso Especial, Recesso Judiciário E Prorrogação De Prazos
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Parties
LEONARDO APARECIDO DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interposto (art. 522 Do Cpc/73) Contra Decisão Que Inadmitiu Processamento De Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento/inadmissão Do Recurso
Legal Issues
- 1 cabimento do agravo de instrumento (art. 1.015 NCPC / art. 522 CPC/73)
- 2 recurso cabível contra inadmissão de recurso especial (art. 1.042 CPC)
- 3 aplicabilidade do princípio da fungibilidade e seus requisitos
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso porque foi interposto meio processual manifestamente incabível (erro grosseiro na escolha do agravo de instrumento em vez do agravo do art. 1.042 do CPC) e, adicionalmente, porque o recurso foi intempestivo, ter sido interposto fora do prazo de 15 dias aplicável, razão pela qual não se aplica a fungibilidade e o recurso não pode ser conhecido (art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do STJ).
Court Disposition
Não conheço do recurso.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se deagravo interposto por LEONARDO APARECIDO DOS SANTOS, com fundamento no art. 522 do CPC/73, contra decisão que inadmitiu o processamento de recurso especial. É, no essencial, o relatório. Decido. Inicialmente, de acordo com os Enunciados Administrativos do STJ n.os 02 e 03, os requisitos de admissibilidade a serem observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. O recurso é manifestamente incabível. De início, registre-se que o agravo de instrumento (art. 1.015 do NCPC, correspondente ao art. 522 do CPC/73) destina-se, primordialmente, a atacar decisões interlocutórias proferidas por juízes de primeiro grau de jurisdição. Para atacar decisão que inadmite apelo especial, o recurso cabível é o agravo previsto no art. 1.042 do Código de Processo Civil, que deve ser dirigido à presidência do tribunal de origem e processado nos próprios autos, e não por instrumento, como ocorreu na espécie. A interposição equivocada de recurso quando há expressa disposição legal e inexiste dúvida objetiva constitui manifesto erro grosseiro. E, segundo a jurisprudência do STJ, o princípio da fungibilidade aplica-se à área penal "desde que presentes os requisitos .. que são: a) interposição do recurso dentro do prazo previsto para o manejo do recurso correto; e b) ausência de erro grosseiro", o que não ocorre na espécie.(EDcl nos EREsp n. 1.274.472/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 2/12/2015) Mesmo que se aceitasse a remota possibilidade da aplicação do princípio da fungibilidade, ainda não seria possível conhecer do recurso, porquanto intempestivo. Observa-se quea parte recorrente foi intimada do v. acórdão recorrido em 10/12/2020, sendo o recurso especial somente interposto em 04/01/2021. O recurso é, pois, manifestamente intempestivo, porquanto interposto fora do prazo de 15 (quinze) dias corridos, nos termos do art. 994, VI, c/c os arts. 1.003, § 5º, e 1.029, todos do Código de Processo Civil, bem como do art. 798 do Código de Processo Penal. Cumpre observar que, "de acordo com a jurisprudência desta Corte, não se aplica o disposto no art. 220 do CPC, regulamentado pela Resolução CNJ n. 244, de 19/9/2016, nos feitos com tramitação perante a justiça criminal, ante a especialidade das disposições previstas no art. 798, caput, e § 3º, do CPP, motivo pelo qual não há falar em suspensão dos prazos entre os dias 20 de dezembro a 20 de janeiro". (AgRg no AREsp 1698961/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 13/08/2020.) Além disso, em consonância com o regramento do art. 798, caput e § 3º, do Código de Processo Penal, de que os prazos processuais penais são contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado, o "recesso judiciário e o período de férias coletivas, em matéria processual penal, têm como efeito, em relação aos prazos vencidos no seu curso, a mera prorrogação do vencimento para o primeiro dia útil subsequente ao seu término, não havendo interrupção ou suspensão". (AgRg no AREsp 1612424/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 18/6/2020.) Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso. Publique-se. Intimem-se.