AREsp 1860901 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante limitou-se a alegações genéricas repetindo o recurso especial, sem impugnar especificamente o fundamento de inadmissibilidade (Súmula 7/STJ), violando o princípio da dialeticidade; com base no art. 932, III, do CPC/2015 e na aplicação por analogia da Súmula 182/STJ,...
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- Parties
- Agravante: GILMAR PIRES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042, Do Cpc/2015) / Não Conhecido (inadmissibilidade)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Honorários Sucumbenciais
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Parties
GILMAR PIRES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042, Do Cpc/2015) / Não Conhecido (inadmissibilidade)
Legal Issues
- 1 violação ao princípio da dialeticidade por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação da Súmula 7/STJ como óbice à admissão do recurso especial
- 3 incidência do art. 932, III, do CPC/2015 como fundamento para não conhecer do agravo
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante limitou-se a alegações genéricas repetindo o recurso especial, sem impugnar especificamente o fundamento de inadmissibilidade (Súmula 7/STJ), violando o princípio da dialeticidade; com base no art. 932, III, do CPC/2015 e na aplicação por analogia da Súmula 182/STJ, decidiu-se pelo não conhecimento do agravo e pela majoração em 10% dos honorários sucumbenciais previstos pelo tribunal de origem (art. 85, §11, CPC/2015).
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Majorar em 10% o valor dos honorários sucumbenciais fixados pelo Tribunal de origem em favor da parte ora recorrida, com fundamento no art. 85, §11, do CPC/2015, observado o disposto no art. 98, §§ 2º e 3º, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042, do CPC/15), interposto por GILMAR PIRES, contra decisão que, nos autos de ação declaratória de nulidade de negócio jurídico,negou seguimento a recurso especial interposto pela parte autora, ora corrente, com fulcro no enunciado contido na Súmula 7/STJ (fl. 861, e-STJ). Em suas razões de agravo em recurso especial (fls. 877/894, e-STJ), orecorrente reafirma as razões deduzidas no apelo nobre, notadamente quanto à existência de simulação de negócio jurídico por ato de interposta pessoa. Assevera, em suma, que "acompra e venda por interposta pessoa, serviu apenas para posteriormente beneficiar os agravados. Sendo, por exemplo, a matéria de direito, a impossibilidade fática e jurídica de um dos agravados de ter conseguido pagar pela aquisição, por consideração a sua idade à época. Pois, é por lógica jurídica, que uma pessoa que adquire uma propriedade que antes era do seu genitor, com pouca idade, laborando no mesmo trabalho e localidade, jamais conseguiria obter ganhos possíveis. Assim, deve ser reformada a decisão monocrática e ser dado o devido prosseguimento no RESP, haja vista, que a matéria aqui tratada tem cunho em previsão legal. Como dito, a simulação ocorrida é caso clássico de manipulação de benefício de herdeiro por intermédio de terceira pessoa, mediante venda a este e posteriormente ao herdeiro" (fl. 879,e-STJ). Sem contraminuta (certidão de fls. 905, e-STJ). É o relatório. Decido. O recurso não é admissível, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Com efeito, orecorrente limitou-se a renegar, genericamente, o juízo de admissibilidade realizado na origem, repisando os argumentos deduzidos no apelo nobre, sem, contudo, efetivamente demonstrar a inadequação do óbice invocado. No que se refere à aplicação da Súmula 07 do STJ, convém destacar que a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição articulada da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias. No particular, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, publicado no DJe de 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias." Necessário consignar, em um primeiro momento, que todo recurso especial, por pressuposto de cabimento, discute a aplicação da lei federal, pois essa a "competência" que lhe foi atribuída pelo texto constitucional. A circunstância de o reclamo discutir a aplicação de dispositivo de lei federal não exclui, por si só - para conferir amparo à tese da parte insurgente - eventual necessidade de revolvimento do acervo fático-probatório dos autos. Desta forma, cabia à parte insurgente apresentar fundamentos aptos a justificar, no caso, o porquê da aplicação do dispositivo não demandar - em contraste ao que concluiu a Corte local - a análise de fatos, obrigação processual da qual, a rigor, não se desincumbiu. Como é cediço, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada encontra óbice na Súmula 182/STJ e no artigo 932, III, do NCPC: Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifos acrescidos) Conforme já decidiu o STJ, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.11.2008 - grifos nossos). E, ainda, "Inexistindo impugnação específica ao decisum impugnado, restou desatendido o princípio da dialeticidade, motivo pelo qual incide, no caso em exame, por analogia, a Súmula n. 182/STJ: "É inviável o exame do agravo do artigo 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." (AgRg no AgRg nos EAREsp 557.525/PR, Rel. Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe 14/12/2015). 2. Do exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, e na aplicação, por analogia, do Enunciado n. 182 da Súmula deste STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Com base no art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 10% (dez por cento) o valor dos honorários sucumbenciais fixados pelo Tribunal de origem em favor da parte ora recorrida,observado o disposto no art. 98, §§ 2º e 3º, do CPC/15. Publique-se. Intimem-se.