AREsp 1885475 - ACORDAO
Por aplicação do Enunciado Administrativo nº 3 e do art. 932, III, do NCPC, o agravo em recurso especial não pode ser conhecido quando não impugna especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso (no caso, a incidência da Súmula nº 7 do STJ); como o agravante apenas reiterou as razões do recurso...
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- Parties
- Exequente: CONDOMÍNIO EDIFÍCIO CONDE ANADRÉA MATARAZZO (CONDOMÍNIO); Executado: PAULITRADE LTDA EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO (PAULITRADE)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (terceira Turma)
- Outcome
- Agravo interno não provido; negado provimento ao recurso
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Súmula Nº 7 Do STJ, Art. 932, III, NCPC, Execução De Título Extrajudicial, Penhora, Desconsideração Da Personalidade Jurídica
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Parties
CONDOMÍNIO EDIFÍCIO CONDE ANADRÉA MATARAZZO (CONDOMÍNIO)
Exequente
PAULITRADE LTDA EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO (PAULITRADE)
Executado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (terceira Turma)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial
- 2 aplicação do NCPC a recursos interpostos sob o CPC/2015
- 3 incidência da Súmula nº 7 do STJ
Ratio Decidendi
Por aplicação do Enunciado Administrativo nº 3 e do art. 932, III, do NCPC, o agravo em recurso especial não pode ser conhecido quando não impugna especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso (no caso, a incidência da Súmula nº 7 do STJ); como o agravante apenas reiterou as razões do recurso especial sem demonstrar que a questão independe de reexame de provas, o agravo interno não merece provimento e deve ser mantida a decisão agravada.
Court Disposition
Agravo interno não provido; negado provimento ao recurso
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que não conheceu o agravo em recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 7 do STJ). 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Da leitura da minuta de agravo de instrumento, extrai-se que o CONDOMÍNIO EDIFÍCIO CONDE ANADRÉA MATARAZZO (CONDOMÍNIO) propôs ação de execução de título extrajudicial contra PAULITRADE LTDA EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO (PAULITRADE). O d. Juízo de primeira instância indeferiu a indicação do bem imóvel à penhora e determinou a remessa dos autos ao arquivo até o julgamento do incidente de desconsideração da personalidade jurídica. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou provimento ao agravo de instrumento interposto por PAULISTRADE em acórdão da relatoria do Desembargador HUGO CREPALDI assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO EXECUÇÃO DETÍTULO EXTRAJUDICIAL Execução suspensa em virtude de Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica O fato de a dívida condominial ter natureza "propter rem" não vincula o exequente a aceitar a penhora do bem imóvel gerador da dívida Eventual existência de ônus reais e outras circunstâncias que diminuam a liquidez do bem que devem ser levadas em consideração Ponderação entre o princípio da menor onerosidade ao devedor e efetiva satisfação da pretensão autoral Após o período de suspensão do feito, poderá a parte agravante colacionar aos autos matrícula do imóvel para que seja possível aferir sua situação registral, o que não obriga o credor a aceitá-lo Recurso parcialmente provido. (e-STJ, fl. 38). Os embargos de declaração opostos por PAULISTRADE foram rejeitados (e-STJ, fls. 49/54). PAULISTRADE, então, manejou recurso especial calcado no art. 105, III, a, da CF, alegando ofensa ao art. 804 do NCPC, sob o fundamento, em síntese, de que, (1) em se tratando de execução de taxas condominiais, a responsabilidade é propter rem, devendo a penhora recair sobre o próprio imóvel objeto da dívida (e-STJ, fls. 57/79). O recurso foi inadmitido pelo TJSP por (i) ausência de demonstração da ofensa aos dispositivos tidos por violados; e (ii) incidência da Súmula nº 7 do STJ (e-STJ, fls. 87/89). Sobreveio agravo reiterando as razões do recurso especial (e-STJ, fls. 92/102). Referido agravo não foi conhecido por decisão monocrática da lavra do em. Ministro Presidente por ausência de impugnação específica ao óbice da Súmula nº 7 do STJ (e-STJ, fls. 119/120). No presente agravo interno, PAULISTRADE afirmou que, ao contrário do que consignado, as razões do agravo em recurso especial teriam impugnado adequadamente a incidência da Súmula nº 7 do STJ indicada na origem para obstar o seguimento do apelo nobre (e-STJ, fls. 123/135). A impugnação não foi apresentada (e-STJ, fl . 139). É o relatório EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 7 do STJ). 3. Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as conclusões externadas na decisão recorrida. Da análise do presente inconformismo se verifica que, conforme consignado na decisão impugnada, o agravo em recurso especial não se dirigiu especificamente contra todos os fundamentos da decisão que negou seguimento ao apelo nobre, pois PAULISTRADE, na ocasião, não refutou, de forma arrazoada, o óbice da Súmula nº 7 do STJ. E isso não fez porque, nas razões do seu agravo em recurso especial, somente reiterou as razões do recurso especial. Assim, não houve a demonstração do adequado enfrentamento do fundamento da decisão agravada no que tange a incidência da Súmula nº 7 do STJ. Cumpre registrar que, na hipótese em que se pretende impugnar, em agravo no recurso especial, a incidência da Súmula nº 7 do STJ, deve o agravante não apenas mencionar que o referido enunciado deve ser afastado, mas também demonstrar que a solução da controvérsia independe do reexame dos elementos de convicção dos autos soberanamente avaliados pelas instâncias ordinárias, não sendo suficiente a impugnação genérica ou a reiteração das razões expostas no recurso especial. Desse modo, observa-se que o agravo em recurso especial não impugnou adequadamente o óbice anteriormente mencionado, e nada trazido neste agravo interno é capaz de contrariar tal entendimento. Conforme já decidiu o STJ: .. à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge. (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJe 26/11/2008 - sem destaque no original) Por isso, o agravo em recurso especial não se mostrou viável, uma vez que apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/1973), devendo ser mantida a decisão agravada. Nesse sentido, seguem os precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS EM CONFORMIDADE COM O DISPOSTO NO ART. 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade recursal proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015. 2. Consoante o entendimento da Segunda Seção do STJ, nas hipóteses de não conhecimento ou de improvimento dos recursos interpostos na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é cabível o arbitramento dos honorários advocatícios recursais, ante a incidência da norma do art. 85, § 11, do referido diploma processual. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.620.321/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 30/3/2020, DJe 6/4/2020) AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANO VERÃO (JANEIRO DE 1989). NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS REMUNERATÓRIOS. COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. .. 4. Nos termos dos artigos 932, inciso III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015, do artigo 259 do Regimento Interno do STJ e da Súmula 182/STJ, é inviável o agravo interno que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. 5. Tese mencionada no agravo interno, mas não ventilada no recurso especial, não merece conhecimento por configurar inovação argumentativa. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.643.618/DF, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, j. 23/3/2020, DJe 26/3/2020) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DUPLICIDADE DE RECURSOS. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. AGRAVO NÃO CONHECIDO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. ARTIGO 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. .. 3. Não pode ser conhecido o agravo em recurso especial que não infirma especificamente os fundamentos da decisão agravada, atraindo o disposto no artigo 932, inciso III, do CPC/2015. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.578.985/BA, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, j. 23/3/2020, DJe 26/3/2020) Assim, como PAULISTRADE não demonstrou o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o não conhecimento do agravo em recurso especial, já que não é admissível a impugnação de seus fundamentos somente no âmbito do agravo interno, em virtude da preclusão. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.