AREsp 1952218 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a recorrente fez alegação genérica de que a matéria seria de direito, sem impugnar especificamente os fundamentos que sustentaram o óbice da Súmula 7/STJ; além disso, a verificação do preenchimento dos requisitos para a inversão do ônus da...
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- Parties
- Agravante: MERCEDES-BENZ DO BRASIL LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042, Cpc/2015) / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial por violação ao princípio da dialeticidade (art. 932, III, CPC/2015 e Súmula 182/STJ, por analogia).
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Inversão Do Ônus Da Prova (art. 6º, VIII, Cdc), Reexame De Provas Em Recurso Especial, Multa Por Prática Processual Manifestamente Protelatória (art. 1.026, §2º, Cpc/2015)
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Parties
MERCEDES-BENZ DO BRASIL LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042, Cpc/2015) / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial é admissível diante de alegação genérica de que a matéria é de direito e não fático-probatória (obstáculo da Súmula 7/STJ)
- 2 Se há preenchimento dos requisitos para inversão do ônus da prova nos termos do art. 6º, VIII, do CDC sem reexame probatório
- 3 Aplicação do princípio da dialeticidade e da Súmula 182/STJ ao exame de admissibilidade
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a recorrente fez alegação genérica de que a matéria seria de direito, sem impugnar especificamente os fundamentos que sustentaram o óbice da Súmula 7/STJ; além disso, a verificação do preenchimento dos requisitos para a inversão do ônus da prova demandaria reexame probatório, vedado a esta Corte, justificando o não seguimento do recurso especial com fundamento na Súmula 7/STJ e no art. 932, III, do CPC/2015 (aplicação, por analogia, da Súmula 182/STJ).
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial por violação ao princípio da dialeticidade (art. 932, III, CPC/2015 e Súmula 182/STJ, por analogia).
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Deixa-se de aplicar a multa prevista no art. 1.026, §2º, do CPC/2015, conforme postulado pela parte recorrida.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042, do CPC/15), interposto por MERCEDES-BENZ DO BRASIL LTDA., contra decisão que negou seguimento a recurso especial, com fundamento no óbice contido na da Súmula 7/STJ(fls. 59/60, e-STJ). Em suas razões de agravo (art. 1.042, do CPC/15), a recorrente reafirma as razões deduzidas no apelo nobre, notadamente quanto ao não preenchimento, pela parte autora, dos requisitos necessários para o deferimento do pedido de inversão dos ônus da prova, nos termos do art. 6º, VIII, do CDC. Contraminuta às fls. 80/83 (e-STJ). É o breve relatório. Decido. O recurso não é admissível, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Com efeito, a recorrente limitou-se a renegar, genericamente, o juízo de admissibilidade realizado na origem, repisando os argumentos deduzidos no apelo nobre, sem, contudo, efetivamente demonstrar a inadequação do óbice invocado. No que se refere à aplicação da Súmula 07 do STJ, convém destacar que a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição articulada da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias. No particular, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, publicado no DJe de 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias." Necessário consignar, em um primeiro momento, que todo recurso especial, por pressuposto de cabimento, discute a aplicação da lei federal, pois essa a "competência" que lhe foi atribuída pelo texto constitucional. A circunstância de o reclamo discutir a aplicação de dispositivo de lei federal não exclui, por si só - para conferir amparo à tese da parte insurgente - eventual necessidade de revolvimento do acervo fático-probatório dos autos. Desta forma, cabia à parte insurgente apresentar fundamentos aptos a justificar, no caso, o porquê da aplicação do dispositivo não demandar - em contraste ao que concluiu a Corte local - a análise de fatos, obrigação processual da qual, a rigor, não se desincumbiu. Cumpre ressaltar, por oportuno, que apesar dos argumentos deduzidos pelarecorrente, a revaloração da prova consiste em atribuir o devido valor jurídico a fato incontroverso, sobejamente reconhecido nas instâncias ordinárias, prática francamente aceita em sede de recurso especial, como bem observou o E. Ministro Felix Fischer: "A revaloração da prova ou de dados explicitamente admitidos e delineados no decisório recorrido não implica no vedado reexame do material de conhecimento" (REsp 683702/RS, QUINTA TURMA, julgado em 01.03.2005). Entretanto, na hipótese dos autos, para aferir o efetivo preenchimento,pela parte autora, dos requisitos necessários para o deferimento do pedido de inversão dos ônus da prova, nos termos do art. 6º, VIII, do CDC, mister seria o reexame das provas colacionadas aos autos, prática que é vedada a esta Corte Superior. Como é cediço, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada encontra óbice na Súmula 182/STJ e no artigo 932, III, do NCPC: Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifos acrescidos) Conforme já decidiu o STJ, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.11.2008 - grifos nossos). E, ainda, "Inexistindo impugnação específica ao decisum impugnado, restou desatendido o princípio da dialeticidade, motivo pelo qual incide, no caso em exame, por analogia, a Súmula n. 182/STJ: "É inviável o exame do agravo do artigo 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." (AgRg no AgRg nos EAREsp 557.525/PR, Rel. Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe 14/12/2015). Deixa-se de se aplicar a multa prevista no artigo 1.026, § 2º, do CPC/2015, conforme postulado pela parte recorrida à fl. 83 (e-STJ) pois o presente recurso não ostentacaráter manifestamente protelatórios, pressuposto para aplicação da medida, descabida a sua incidência neste momento. No entanto, desde já se adverte que a interposição de embargos de declaração, com o mero intuito de rediscussão do julgado, poderá caracterizar o aludido caráter manifestamente protelatório, ensejando a aplicação da multa citada. 2. Do exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, e na aplicação, por analogia, do Enunciado n. 182 da Súmula deste STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se.