AREsp 2655842 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar concretamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, inclusive a questão relativa à ausência de indicação de dispositivos legais exigida pela Súmula n. 284 do STF, configurando também incumprimento da exigência da Súmula n. 182 do STJ de...
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- Parties
- Agravante: JOÃO VITOR FERREIRA LOPES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade Do Recurso Especial (juízo Prévio De Admissibilidade)
- Outcome
- agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Súmula N. 284 Do STF, Súmula N. 182 Do STJ, Interceptações Telefônicas, Nulidade De Prova, Dosimetria Da Pena E Regime
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Parties
JOÃO VITOR FERREIRA LOPES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade Do Recurso Especial (juízo Prévio De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 nulidade das interceptações telefônicas
- 2 ausência de provas para a condenação
- 3 desproporcionalidade na reprimenda e no regime
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar concretamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, inclusive a questão relativa à ausência de indicação de dispositivos legais exigida pela Súmula n. 284 do STF, configurando também incumprimento da exigência da Súmula n. 182 do STJ de ataque específico a todos os fundamentos da decisão agravada.
Court Disposition
agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JOÃO VITOR FERREIRA LOPES agrava da decisão que não admitiu o recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (Apelação Criminal n. 0032821-93.2020.8.09.0175). Nas razões do recurso especial, a defesa sustenta a nulidade das interceptações telefônicas, a ausência de provas para a condenação e a desproporcionalidade na reprimenda e no regime fixados. O recurso especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, em virtude da incidência da Súmula n. 284 do STF (ausência de indicação do dispositivo legal), o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso (fls. 5.792-5.793). Decido. O agravo em recurso especial tem como objetivo atacar todos os óbices apontados pelo Tribunal a quo ao inadmitir o recurso especial. Em obediência ao princípio da dialeticidade, a impugnação não pode ser genérica. Ademais, "a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, de modo que se o Agravante deixa de impugnar adequadamente qualquer um dos fundamentos de inadmissão, torna-se inviável o conhecimento do agravo em recurso especial em sua integralidade" (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.785.474/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 3/5/2021). Deveras: .. o entendimento pacífico desta Corte é o da imprescindibilidade da impugnação de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, sejam eles autônomos ou não, "pois não existe identidade entre a lógica da Súmula n. 182 do STJ e a da Súmula n. 283 do STF, uma vez que o conhecimento, ainda que parcial, do agravo em especial, obriga a Corte a conhecer de todos os fundamentos do especial, inclusive os não impugnados de modo específico" (AgRg no AREsp n. 68.639/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 2/2/2012). (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.413.506/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 27/6/2019) No caso, a Corte de origem inadmitiu a pretensão por incidir a Súmula n. 284 do STF (ausência de indicação do dispositivo legal ). Nas razões deste agravo, a parte deixou de refutar, de forma direta e objetiva, os motivos pelos quais o REsp não foi conhecido. Com efeito, a defesa apenas reiterou as teses de mérito e impugnou equivocadamente a aplicação da Súmula n. 7 do STJ, sem o adequado cotejo de elementos concretos, que demonstrassem o desacerto da decisão. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284 do STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que haveriam sido violados. Ressalto que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF" (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, 3ª T, DJe 26/8/2020.) Portanto, não vislumbro que o agravante rebateu, concretamente, os óbices da inadmissão do recurso especial. Assim, deve ser aplicada, na espécie, a Súmula n. 182 desta Corte Superior, segundo a qual "É inviável o agravo do art. 1.021, § 1º, do novo CPC que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido, menciono o seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADOS. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. É inviável o processamento de agravo regimental que deixa de impugnar, de modo específico, os fundamentos da decisão agravada, relacionados às Súmulas N. 7 e 83 do STJ. Aplicação do enunciado sumular n. 182 desta Corte. 2. Agravo regimental não conhecido. (AgRg Resp 1.300.642/RS, Relator. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 21/11/2016). À vista do exposto, não conheço do a gravo em recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA