AREsp 2626920 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade: a agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, razão pela qual incidem a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC/2015; ademais, a alteração do julgado demandaria reexame de matéria fático-probatória, vedado pela...
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- Parties
- Agravante: HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc/2015) / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- não conhecer do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Súmula 284/stf, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Princípio Da Dialeticidade, Honorários Sucumbenciais
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Parties
HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc/2015) / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 se o agravo deve ser conhecido diante da alegação genérica de inadequação dos óbices de admissibilidade
- 2 incidência da Súmula 284/STF quanto à dissociação das razões do recurso especial e do acórdão recorrido
- 3 aplicação da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC/2015 por falta de impugnação específica
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade: a agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, razão pela qual incidem a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC/2015; ademais, a alteração do julgado demandaria reexame de matéria fático-probatória, vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
não conhecer do agravo em recurso especial
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Deixa-se de majorar os honorários sucumbenciais.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC/2015) interposto por HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA S.A. contra decisão (fls. 369-371 e-STJ) do Tribunal de origem, que deixou de admitir o recurso especial, fundamentado nas alíneas "a" e "c", do permissivo constitucional, sob fundamento da incidência do óbice da Súmula 284/STF, eis que as razões do recurso especial, referente à licitude no cumprimento de cláusula contratual que prevê prazo de carência contratual, se encontram dissociadas da fundamentação do acórdão recorrido, relativa à ilegalidade de negativa de disponibilização de leito de UTI à beneficiária, e o consequente dever de indenizar. Daí o presente agravo (fls. 372-377 e-STJ), buscando destrancar o processamento daquela insurgência. Contraminuta às fls. 380-386 e-STJ. É o relatório. Decide-se. O recurso não merece conhecimento, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Com efeito, a parte agravante limita-se a renegar, genericamente, o juízo de admissibilidade realizado na origem, sem, contudo, efetivamente demonstrar a inadequação dos óbices invocados. Da leitura das razões do agravo, verifica-se que a parte recorrente não impugnou, especificamente, o fundamento da decisão agravada, limitando-se a impugnar genericamente a aplicação do óbice da Súmula 284/STF, sob a alegação que especificou os dispositivos legais apontados como violados no recurso especial. Nada tratou, contudo, do fundamento sobre as razões dissociadas entre recurso especial e acórdão recorrido. Convém destacar, ainda, que a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da desnecessidade do reexame de matéria de prova para que se chegue a conclusão diversa daquela em que se firmou o acórdão recorrido. A propósito, cita-se o seguinte julgado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 7/STJ. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182. INCIDÊNCIA 1. Ação de obrigação de fazer c/c compensação por danos morais. 2. O agravo interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial que não impugna, especificamente, todos os fundamentos por ela utilizados, não deve ser conhecido. 3. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7/STJ, não basta a simples assertiva genérica de que se cuida de revaloração da prova, ainda que feita breve menção à tese sustentada. Precedentes. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1775476/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/03/2021, DJe 18/03/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS 7 E 182 DO STJ. 1. A insurgente não impugnou, de forma precisa, os fundamentos da decisão impugnada em relação à aplicação da Súmula 7/STJ, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula 182 desta Corte: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 2. Não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 3. Ainda que assim não fosse, decidir de forma contrária ao acórdão recorrido demandaria necessariamente o reexame de matéria fática, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte Superior. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1067725/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2017, DJe 20/10/2017) Como é cediço, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada encontra óbice na Súmula 182/STJ e no artigo 932, III, do CPC/15: Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifos acrescidos) Conforme já decidiu o STJ, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.11.2008 - grifos nossos). Nesse sentido: AgInt no AREsp 960.836/PA, Rel. Ministro LUÍS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/12/2016, DJe 09/12/2016; AgInt no AREsp 862.831/MS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 17/11/2016, DJe 28/11/2016; AgInt no AREsp 236.698/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/11/2016, DJe 17/11/2016. 2. Do exposto, com amparo no artigo 932, III, do NCPC e na Súmula 182/STJ, não se conhece do agravo em recurso especial. Por fim, tendo em vista a fixação dos honorários sucumbenciais no percentual máximo estabelecido no § 2º do art. 85 do CPC, deixa-se de majorá-los nesta oportunidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA