AREsp 2551206 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recorrente deixou de impugnar de forma específica e individualizada os fundamentos da decisão da Corte de origem que inadmitiu o recurso especial (ausência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e incidência da Súmula 83/STJ), além de não ter colacionado julgados atuais...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Em Sessão Virtual
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento).
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Impugnação Específica, Súmula 83/stj, Art. 1.022 Do Cpc/2015
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Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Em Sessão Virtual
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica à decisão de inadmissão do recurso especial
- 2 exigência dos requisitos de admissibilidade segundo o CPC/2015
- 3 aplicabilidade da Súmula 83/STJ e necessidade de preconstituição de precedentes contrários
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o recorrente deixou de impugnar de forma específica e individualizada os fundamentos da decisão da Corte de origem que inadmitiu o recurso especial (ausência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e incidência da Súmula 83/STJ), além de não ter colacionado julgados atuais do STJ em sentido contrário que fossem aptos a afastar a Súmula 83/STJ, conforme os dispositivos e enunciados aplicáveis.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento).
Orders
- Negou provimento ao agravo interno, por unanimidade.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 24/09/2024 a 30/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL NA CORTE DE ORIGEM. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso impede o conhecimento do agravo, nos termos do que dispunha o art. 544, § 4º, I, do CPC/1973, normativo esse que também faz parte do contido no art. 932, III, do CPC/2015 e no art. 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (redação dada pela Emenda Regimental n. 22, 2016). 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto contra decisão assim ementada (fl. 306e): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO(S). AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO NÃO CONHECIDO. O agravante sustenta, em síntese, que, nas razões do agravo em recurso especial, procedeu à impugnação específica quanto aos fundamentos adotados pelo Tribunal de origem, referentes à ausência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e à aplicação da Súmula 83/STJ, o que, a seu ver, deveria ensejar a admissão do recurso especial interposto. Com impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL NA CORTE DE ORIGEM. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso impede o conhecimento do agravo, nos termos do que dispunha o art. 544, § 4º, I, do CPC/1973, normativo esse que também faz parte do contido no art. 932, III, do CPC/2015 e no art. 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (redação dada pela Emenda Regimental n. 22, 2016). 3. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. A decisão ora agravada não conheceu do agravo em recurso especial, uma vez que não foram impugnados os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso na Corte de origem. Neste agravo interno, o recorrente não demonstrou ter se insurgido, na minuta do agravo, contra a decisão que obstou o recurso especial, que se fundamentou em: (a) ausência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015; e (b) incidência da Súmula 83/STJ. Ao agravante impõe-se o ônus de observar o contexto em que os fundamentos da decisão da Corte de origem foram lançados e impugná-los, de forma individualizada e específica, o que não ocorreu no caso dos autos. Com efeito, quanto à assertiva de ausência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015, é necessário que a parte demonstre efetivamente que as questões trazidas pelo recorrente não foram apreciadas pelo venerando acórdão atacado, esclarecendo os pontos não fundamentados, omitidos, contraditórios ou obscuros e a importância do seu esclarecimento na solução da controvérsia. Ademais, quanto ao óbice da Súmula 83/STJ, para que seja considerado combatido a contento, é preciso que a parte desenvolva uma argumentação que demonstre sua inaplicabilidade e, concomitantemente, colacione julgados atuais do Superior Tribunal de Justiça em sentido contrário ao do acórdão recorrido, ou seja, no mesmo sentido da tese defendida no recurso especial cuja ascensão é buscada. Na espécie, embora a parte tenha defendido a inaplicabilidade da Súmula 83/STJ em seu agravo em recurso especial, deixou de colacionar os necessários julgados desta Corte Superior. Outrossim, cabe ressaltar que o enunciado de súmula em discussão foi aplicado sob o argumento de que o acórdão recorrido estaria em consonância com o entendimento desta Corte Superior, no que tange à necessária apresentação do contrato celebrado com cada um dos filiados para a retenção dos honorários. Não obstante, ao sustentar em seu agravo em recurso especial a inaplicabilidade do óbice, a parte apenas alegou que o precedente invocado na decisão então agravada não se aplicaria ao caso e que, em sentido contrário à decisão da Corte de origem, a tese defendida no recurso especial coincide com a jurisprudência deste Tribunal Superior. Nesse contexto, evide ncia-se que a parte deixou de observar o contexto em que o fundamento da decisão da Corte de origem foi lançado, como já esclarecido. Assim, a falta ou a insurgência genérica contra a decisão que não admitiu o recurso especial, no tempo e modo oportunos, obsta o conhecimento do agravo. Essa é a determinação contida nos artigos 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (Redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 2016). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.