AREsp 1893568 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial ante a deficiência de fundamentação prevista na Súmula 284/STF e pela ausência de comprovação da divergência jurisprudencial nos termos legais, não se decretando nulidade dos atos apesar da falta de intimação por ausência de demonstração de prejuízo;...
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- Parties
- Agravante: AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Nulidade Por Falta De Intimação, Súmula 284/stf, Divergência Jurisprudencial, Honorários Advocatícios
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Parties
AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF
- 2 nulidade de atos por ausência de intimação dos patronos
- 3 não comprovação da divergência jurisprudencial nos termos dos arts. 1.029, §1º do CPC e 255 do RISTJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial ante a deficiência de fundamentação prevista na Súmula 284/STF e pela ausência de comprovação da divergência jurisprudencial nos termos legais, não se decretando nulidade dos atos apesar da falta de intimação por ausência de demonstração de prejuízo; majoraram-se os honorários advocatícios em 15% com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Orders
- Conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial.
- Majorar os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: Em face da causa de pedir constante da inicial e da ausência de apontamento restritivo, mantém-se a rejeição da pretendida indenização moral. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, sustenta tese atinente à nulidade dos atos praticados sem a consequente intimação dos patronos do recorrente, trazendo os seguintes argumentos: De acordo com o artigo 278 do CPC, a nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade, sob pena de preclusão. A Recorrente teve conhecimento de que desde a apresentação de sua contestação, todos os atos seguintes do processo foram realizados sem a devida intimação de seus patronos. Com efeito, houve apresentação de contestação pela Aymoré às fls. 114/146, com juntada do respectivo instrumento de mandato, bem como solicitando que as futuras intimações ocorressem em nome dos patronos designados, sob pena de nulidade. .. A demanda seguiu à revelia da Financeira na prolação da sentença de fls. 274/278, havendo alteração apenas e tão somente quando da publicação do V. Acórdão, que ratificou a r. sentença atacada, a qual impôs obrigação de fazer à embargante. No entanto, considerando que todos atos processuais após a apresentação da contestação pelo Banco não houve intimação dos patronos da Aymoré, estes devem ser considerados nulos. (fls. 371/373). Quanto à segunda controvérsia, o apelo foi interposto pela alínea "c" do permissivo constitucional (fl. 367). É, no essencial, o relatório. Decido. No que concerne à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ademais, decidiu o Tribunal de origem: À exceção do acórdão (fl. 311), a terceira ré e ora embargante, Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S/A., não foi intimada dos atos desde sua contestação (fls. 148, 155/156, 171, 183, 194, 198, 205, 267, 280, e 297). Isso implicaria nulidade da respeitável sentença e do processo, que, porém, não se decreta. Não se decreta, porque, apesar do vício, essa ré, como as demais rés, saíram-se vencedoras na demanda e pas de nullité sans grief (Código de Processo Civil de 2015, art. 282 e §§). (fls. 331). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no Resp 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp 1637445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1647046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Quanto à segunda controvérsia, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, porquanto, não foi cumprido nenhum dos requisitos previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nessa linha: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020.) Em consonância: REsp 1.575.943/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; AgInt no REsp 1.763.014/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.