AREsp 1888854 - DECISAO
O Agravo em Recurso Especial não foi conhecido por ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, o que impede o conhecimento do recurso nos termos da Súmula 182/STJ e da jurisprudência citada; além disso, houve ausência de prequestionamento regular do art. 927 do CPC/2015 (tema...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Município de Pompéu; Agravados: Autores
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do Agravo em Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica De Fundamentos, Prequestionamento, Fundamentação Judicial (art. 489 Cpc/2015), Súmulas Vinculantes E De Orientação (súmula 182/stj, Súmula 282/stf, Súmula 283/stf, Súmula 7/stj), Adicional De Insalubridade, Décimo Terceiro Salário, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Município de Pompéu
Agravante
Autores
Agravados
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 489 do CPC/2015 (fundamentação da decisão)
- 2 prequestionamento insuficiente do art. 927 do CPC/2015
- 3 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos para admissão do recurso especial (Súmula 182/STJ)
Ratio Decidendi
O Agravo em Recurso Especial não foi conhecido por ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, o que impede o conhecimento do recurso nos termos da Súmula 182/STJ e da jurisprudência citada; além disso, houve ausência de prequestionamento regular do art. 927 do CPC/2015 (tema suscitada apenas em embargos de declaração, configurando pós-questionamento vedado pela Súmula 282/STF), e a matéria de mérito demandaria revisão de fato e prova, vedada nesta instância pela Súmula 7/STJ. Por tais razões o agravo não merece conhecimento, sendo aplicado também o entendimento sobre condenação em honorários advocatícios fixados em 10% conforme o Enunciado...
Court Disposition
Não conheço do Agravo em Recurso Especial.
Orders
- Condeno o recorrente ao pagamento de honorários advocatícios em 10% sobre o valor total da verba sucumbencial fixada nas instâncias ordinárias, com base no § 11 do art. 85 do CPC/2015.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo de decisão que inadmitiu Recurso Especial interposto (art. 105, III, "a", da Constituição) contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Geraisassim ementado (fl. 432, e-STJ): APELAÇÃO - AÇÃO DE COBRANÇA - MUNICÍPIO DE POMPÉU - AGRAVO RETIDO - IMPUGNAÇÃO À NOMEAÇÃO DO PERITO - PRECLUSÃO - AGRAVO RETIDO CONHECIDO E DESPROVIDO - ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - LEIS Nº1.608/08 E Nº1.785/411 EXERCÍCIO DE FUNÇÕES EM CONTATO HABITUAL COM AGENTES INSALUBRES ACIMA DO NÍVEL DE TOLERÂNCIA - COMPROVAÇÃO - DIREITO AO BENEFÍCIO EM GRAU MÉDIO - PERCEPÇÃO DE ADICIONAL COMPROVAÇÃO DO TRABALHO NOTURNO NOTURNO INADIMPLEMENTO DEMONSTRADO - VERBA DEVIDA - GRATIFICAÇÕES NATALINAS - PAGAMENTOS A MENOR - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO - CONSECTÁRIOS LEGAIS. 1. No âmbito do Município de Pompeu, o servidor público que exerça atividades em ambiente insalubre, assim definido pelas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, e desde que acima dos limites de tolerância, fará jus a adicional calculado com base em percentual incidente sobre o vencimento mínimo do Município, variável segundo a intensidade do contato com agentes nocivos, conforme previsto na Lei 1.608/08, na redação dada pela Lei 1.785/11. 2. No caso em que a parte autora se desincumbe do ônus de comprovar o fato constitutivo do seu direito (art. 373, I, CPC), consistente na realização de serviço em horário noturno, sem que o Município réu demonstre a existência de qualquer fato impeditivo, extintivo ou modificativo (II), tal como o pagamento, relativamente aos anos de 2009 e 2010, deve o pedido ser julgado procedente no tocante a este período, a fim de reconhecer à servidora o direito ao recebimento do respectivo adicional. 3. O Município deve ser condenados a pagar aos autores as diferenças devidas em relação ao décimo terceiro salário uma vez demonstrado que a citada gratificação não foi calculada com base na remuneração integral, em ofensa ao artigo 7º, VII e artigo 39, § 3º da CR/88. 4. Negar provimento ao agravo retido, dar parcial provimento ao recurso de apelação e, de oficio, reformar a sentença no tocante aos consectários legais. Os Embargos de Declaração foram acolhidos, in verbis(fl. 497, e-STJ): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - HIPOTESES DO ART. 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA - ACOLHER OS EMBARGOS COM EFEITOS INFRINGENTES. 1. Nos termos do art. 1.022 do Novo Código de Processo Civil, os embargos declaratórios devem ser acolhidos quando houver obscuridade, contradição ou omissão, o que se verifica na hipótese. 2. De fato o período de adicional de insalubridade pleiteado pelos autores se refere à período anterior à modificação da base de calculo feita pela Lei Municipal nº1.785/2011, ou seja, de janeiro de 2009 a março de 2011, motivo pelo qual, é medida de mister acolher os embargos, com efeitos infringentes. Sustenta a parte agravante, em Recurso Especial, violaçãoem preliminardo art. 489 do CPC/2015, sob o argumento de que os vícios apontados nos Embargos de Declaração não foram supridos; e, no mérito, dos arts. 373, 479e 927 do CPC/2015. Requer, em síntese (fls. 528-529, e-STJ): 4.1- Preliminarmente, por violação aos artigos 489 e 927 do CPC/2015, decretar a nulidade do r. Acórdão de fls. 428/430 e 448/451 , por negativa de prestação jurisdicional, para que o eg. TJMG prolate novo julgamento, mediante o enfrentamento da jurisprudência deste Tribunal Superior. 4.3- No mérito, verificada a infringência aos artigos 373 e 479, ambos do Código de Processo Civil, requer a reforma do acórdão regional, julgando- se improcedentes os pedidos autorais. 4.2. Ainda no mérito tendo em vista o permissivo processual disposto no art. 282, § 2º, do Código de Processo Civil, a partir do qual o Tribunal que pronunciar a nulidade poderá decidir o mérito a favor da parte que a aproveite, requer seja reformado o r. Acórdão recorrido, também por violação aos artigos 489 e 927 do CPC/2015, a fim de que seja reconhecido o direito ao adicional de insalubridade apenas a partir da data de realização do laudo pericial, em conformidade com o precedente de uniformização de jurisprudência mencionado (PUL 413/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/04/2018, DJe 18/04/2018). Não apresentadas as contrarrazões, sobreveio o juízo de admissibilidade negativo da instância de origem (fls. 533-536, e-STJ), o que deu ensejo à interposição do presente Agravo. É o relatório. Decido. Os autos ingressaram neste Gabinete em 23/7/2021. Esta Corte perfilha o entendimento de que é necessária a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o Recurso Especial, sob pena de não conhecimento pela aplicação da Súmula 182/STJ. A Corte Especial reafirmou recentemente tal posição no julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial 746.775, DJe 30/11/2018. Nessa linha de raciocínio: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO INCAPAZ DE ALTERAR O JULGADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 544, § 4º, INCISO I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. SÚMULA Nº 182/STJ. EXECUÇÃO. ERRO DE CÁLCULO E ERRO DE DIREITO. COISA JULGADA. CRITÉRIOS UTILIZADOS NA LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO NO MOMENTO OPORTUNO. PRECLUSÃO. SÚMULA Nº 83/STJ. SÚMULA Nº 283/STF. AGRAVO IMPROVIDO. (..) 2. Incumbe ao agravante infirmar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, demonstrando o seu desacerto, de modo a justificar o cabimento do recurso especial interposto, sob pena de não ser conhecido o agravo (art. 544, § 4º, inciso I, do CPC). 3. Para prevalecer a pretensão em sentido contrário à conclusão do tribunal de origem, que reconheceu a preclusão decorrente da coisa julgada, mister se faz a revisão do conjunto fático-probatório dos autos, o que, como já decidido, é inviabilizado, nesta instância superior, pela Súmula nº 7/STJ. (..) 6. A ausência de impugnação dos fundamentos do acórdão recorrido, mormente quanto à juntada de substabelecimento pela advogada, conferindo-lhe poderes, e à procrastinação do feito, suficiente para a aplicação da multa, enseja o não conhecimento do recurso, incidindo o enunciado da Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal. 7. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp 16.627/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe 11/9/2012) PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. PISO SALARIAL. HORAS EXTRAS. DIFERENÇAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTO SUFICIENTE PARA MANTER O ACÓRDÃO. SÚMULA 283/STF. 1. A análise da controvérsia esbarra no óbice da Súmula 7/STJ, pois o Tribunal de origem, com base na análise de fatos e provas dos autos, concluiu pela inexistência de comprovação de horas extras trabalhadas. 2. A não impugnação de fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido atrai a aplicação do óbice da Súmula 283/STF, inviabilizando o conhecimento do apelo extremo. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 925.488/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 14/6/2017) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. VIOLAÇÃO AO ART. 1021, § 1º, DO CPC/2015. SÚMULA 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. (..) 3. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, cabe à agravante, na petição do seu Agravo Interno, impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada. Era indispensável que a agravante, analiticamente, contrastasse todas as conclusões da decisão combatida, especificamente. 4. A falta de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do Agravo Interno, nos termos do art. 1021, § 1º, do CPC/2015. Incidência da Súmula 182/STJ. 5. No mesmo sentido: AgInt no AREsp 1.070.028/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 17/10/2017, DJe 20/10/2017; AgRg no AREsp 807.252/RJ, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 17/10/2017, DJe 23/10/2017; AgInt no AREsp 1.003.118/SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 17/10/2017, DJe 24/10/2017; AgInt no PUIL 318/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 11/10/2017, DJe 18/10/2017; AgInt no AREsp 973.101/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 10/10/2017, DJe 17/10/2017; AgInt no REsp 1.685.023/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 10/10/2017, DJe 16/10/2017; AgInt no AREsp 1.077.966/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 10/10/2017, DJe 17/10/2017. 6. Agravo Interno não conhecido. (AgInt na Pet 10.274/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 19/12/2017) No caso, o Tribunal de origem, ao analisar admissibilidade do Recurso Especial, consignou o seguinte (fls. 534-535, e-STJ): Mostra-se destituída de razoabilidade a alegação de ofensa aos dispositivos do Código de Processo Civil referentes à fundamentação das decisões judiciais, visto que a Turma Julgadora deliberou sobre as questões que lhe foram apresentadas, encontrando-se o acórdão fundamentado de forma a não ensejar dúvidas a respeito das razoes de ordem jurídica que lhe deram sustentação. Se a decisão não favoreceu o recorrente, a situação não justifica a admissão do recurso por ofensa aos indigitados preceitos. Segundo o entendimento do Tribunal ad quem: (..) Quanto às alegadas violações ao disposto nos artigos 373 e 479 do Código de Processo Civil, encontram-se desacompanhadas de maiores razões, havendo o vencido se limitado apenas a invocá-las, não se alcançando inferir do recurso em que ponto da decisão recorrida as aventadas ofensas residiriam. O referido recurso é, portanto, inviável, sob enfoque do Verbete no 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. A propósito, confiram-se: (..) A aventada ofensa ao artigo 927 do Código de Processo Civil também não confere trânsito ao recurso, pois não cumpre o requisito do prequestionamento, sendo evidente que as razoes apresentadas pelo recorrente, na tentativa de demonstrar o desacerto produzido pelo Tribunal a quo, ultrapassam oâmbito do acórdão recorrido, em que são refletidas as questões suscitadas no recurso especial, não tendo havido, nesta Instância ordinária, o necessário cotejo da matéria que se pretende alçar à Instância superior. É certo ainda que não se supre essa necessidade com a invocação inaugural da matéria em embargos declaratórios, pois, conforme entendimento do Tribunal ad quem, "a oposição de embargos de declaração, com a finalidade de prequestionar tema não arguido anteriormente, configura indevido pós-questionamento, incidindo, na hipótese, o óbice da Súmula n. 282 do STF" (Aglnt no AREsp no 774,766/MS, Rel.ªMin.ªMaria Isabel Gallotti, DJe de 08/09/2016). Observa-se das razões do Agravo em Recurso Especial que a parte agravante não impugnou especificamente todos os pontos que envolvem a aplicação da Súmula 282/STF, pois o Tribunal a quofoi específico ao apontar que a tese de violação do art. 927 do CPC/2015 foi apresentada pela primeira vez em Embargos de Declaração, o que configura inovação recursal. Sobre esse aspecto, o agravante nada argumentou no Agravo em Recurso Especial. Logo, a pretensão recursal não merece conhecimento ante a incidência, por analogia, da Súmula 182/STJ. Consubstanciado o que previsto no Enunciado Administrativo 7/STJ, condeno o recorrente ao pagamento de honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor total da verba sucumbencial fixada nas instâncias ordinárias, com base no § 11 do art. 85 do CPC/2015. Saliento que os §§ 3º e 11 do art. 85 do CPC/2015 estabelecem teto de pagamento de honorários advocatícios quando a Fazenda Pública for sucumbente, o que deve ser observado quando a verba sucumbencial é acrescida na fase recursal. Por tudo isso, não conheço do Agravo em Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se.