AREsp 1819329 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão agravada por entender que houve impugnação específica quanto à alegada ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial; entretanto, conhecido o agravo, negou-se seu provimento porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a decisão sobre justiça gratuita e a matéria fática não...
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- Parties
- Agravante: Pedro Luiz Sobreiro Cabreira
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado
- Outcome
- Agravo conhecido e negado provimento; majoração de honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica, Justiça Gratuita, Honorários Advocatícios, Súmula 7/stj
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Parties
Pedro Luiz Sobreiro Cabreira
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado
Legal Issues
- 1 impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmite recurso especial
- 2 comprovação de dissídio jurisprudencial
- 3 possibilidade de reexame de matéria fática e prova (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão agravada por entender que houve impugnação específica quanto à alegada ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial; entretanto, conhecido o agravo, negou-se seu provimento porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a decisão sobre justiça gratuita e a matéria fática não comporta reexame na via especial (incidência da Súmula 7/STJ). Por fim, majoraram-se os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo conhecido e negado provimento; majoração de honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado.
Orders
- Conhecer do agravo interno
- Negar provimento ao agravo
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por Pedro Luiz Sobreiro Cabreira em face da seguinte decisão: Cuida-se de agravo em recurso especial apresentado por PEDRO LUIZ SOBREIRO CABREIRA contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal. É, no essencial, o relatório. Decido. Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: ausência de afronta ao artigo 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal, Súmula 7/STJ e divergência não comprovada. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: divergência não comprovada. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. A propósito: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30/11/2018.) Ressalte-se que, em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. Afirma que, contrariamente ao que asseverado na decisão agravada, houve efetiva impugnação ao fundamento da decisão agravada, haja vista ter asseverado que, quanto à ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial, que o recurso especial fora interposto apenas pela alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. Pede o provimento do recurso, que, embora intimada a parte contrária, não foi respondido. Tem razão o recorrente quando afirma que houve a impugnação da decisão que negou seguimento ao recurso especial em relação à ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial, na medida em que afirmou que o "Recurso Especial se funda exclusivamente na alínea "a" do inc. III do art. 105 da Constituição Federal, não fazendo qualquer menção à alínea "c". A inclusão de jurisprudência na petição tem o condão somente de comprovar as alegações feitas pelo Agravante" (e-STJ, fl. 60). Merece, pois, reconsideração a decisão agravada para o conhecimento do agravo em recurso especial, o qual se passa a examinar. O recorrente manifestou agravo contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: JUSTIÇA GRATUITA. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO SUFICIENTES PARA INFIRMAR A PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA ALEGAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA FINANCEIRA PARA CUSTEAR O PROCESSO. BENEFÍCIO INDEFERIDO. AGRAVO DESPROVIDO. Alegou, na ocasião, violação dos artigos 1.022, 489 e 98 do Código de Processo Civil sob o argumento de que o acórdão local é omisso e que preenche os requisitos para a concessão da gratuidade de justiça. Não é omisso, nem carece de fundamentação a decisão judicial que, embora decida em sentido contrário aos interesses da parte, examina suficientemente as questões que lhe foram propostas, adotando entendimento que ao órgão julgador parecia adequado à solução da controvérsia. Assim: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REGULAR PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INÉPCIA DA INICIAL. HONORÁRIOS. COMPENSAÇÃO. 1. Ausência de violação dos artigos 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, pois, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada. 2. Inviabilidade de acolher a alegação de inépcia da inicial, pois a convicção formada pela Corte local decorreu dos elementos existentes nos autos, os quais não são possíveis de ser reexaminados nesta via especial. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. Fixada a compensação de honorários na vigência do CPC/1973, deve ser mantida já que acolhida até então pelo ordenamento jurídico, conforme elucidado no enunciado da Súmula n. 306/STJ, tendo em vista que a sucumbência é regida pela lei vigente à data da deliberação que a impõe ou modifica. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1131853/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 8/2/2018, DJe 16/2/2018) Quanto ao mais, o Tribunal local concluiu "que o agravante aufere renda líquida superior a R$ 9.000,00 e, a despeito da alegação de alegar sic estar endividado, declarou ter pequena reserva de dinheiro em espécie no seu imposto de renda no exercício fiscal de 2019 (fl. 135 dos autos de origem), indicando condição absolutamente incompatível com o perfil dos beneficiários da justiça gratuita" (e-STJ, fl. 19). Inequívoco, pois, que o reexame da causa esbarra nas disposições do verbete n. 7 da Súmula desta Casa. Diante do exposto, reconsidero a decisão agravada para conhecer do agravo e, porém, a ele negarprovimento.Nos termos do artigo 85, § 11, do CPC/15 e substituição à fixação na decisão agravada, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo. Intimem-se.