AREsp 1914413 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque as razões do recurso especial não indicaram com precisão os dispositivos de lei federal objeto de dissídio (Súmula 284/STF) e, por analogia, o recurso é inviável quando tem por objeto decisão sobre tutela provisória (Súmula 735/STF).
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- Parties
- Agravante: MOSTEIRO DE SAO BENTO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Tutela Provisória, Locação De Imóvel Comercial, Redução De Aluguel, Súmula 284/stf, Súmula 735/stf
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Parties
MOSTEIRO DE SAO BENTO DE SÃO PAULO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF)
- 2 inadmissibilidade do recurso especial que objetiva reexame de tutela provisória (analogia à Súmula 735/STF)
- 3 discussão sobre redução de aluguel por dificuldades subjetivas do locatário
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque as razões do recurso especial não indicaram com precisão os dispositivos de lei federal objeto de dissídio (Súmula 284/STF) e, por analogia, o recurso é inviável quando tem por objeto decisão sobre tutela provisória (Súmula 735/STF).
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial (art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ).
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MOSTEIRO DE SAO BENTO DE SÃO PAULO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - CONSELHEIRO FURTADO - PÁTIO DO COLÉGIO, assim resumido: RECURSO AGRAVO DE INSTRUMENTO LOCAÇÃO DE IMÓVEL COMERCIAL TUTELA PROVISÓRIA EM CARÁTER ANTECEDENTE REVOGAÇÃO DESCABIMENTO Quanto à controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, aduz a ausência de comprovação das dificuldades suportadas pelo recorrido a justificar a redução do valor dos aluguéis, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Temos então que, o E. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, ao julgar Agravo de Instrumento (ACÓRDÃO PARADIGMA 1), apreciando a mesma matéria presente no v. acórdão recorrido, consignou acerca da impossibilidade de se impor ao locador a redução do aluguel, por dificuldade subjetivas do locatário. Vejamos o quadro comparativo: .. (fls. 74). Ocorre que, enquanto o v. Acórdão recorrido impõe ao Recorrente a redução em 50% dos locatícios, em razão de dificuldade enfrentadas pelo Recorrido, as quais, diga-se de passagem, sequer foram efetivamente comprovadas, o Acórdão Paradigma 1 é expresso ao estabelecer a impossibilidade de se impor ao locador a redução do aluguel, em razão de dificuldades subjetivas do locatário, principalmente se considerado a ausência de provas da redução de ganhos. (fls. 76). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, incide, por analogia, o óbice da Súmula n. 735/STF, pois, conforme a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, é inviável, em regra, a interposição de recurso especial que tenha por objeto o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela provisória, cuja natureza precária permite sua reversão a qualquer momento pela instância a quo. Nesse sentido: "É sabido que as medidas liminares de natureza cautelar ou antecipatória são conferidas mediante cognição sumária e avaliação de verossimilhança. Logo, por não representarem pronunciamento definitivo a respeito do direito reclamado na demanda, são medidas suscetíveis de modificação a qualquer tempo, devendo ser confirmadas ou revogadas pela sentença final. Em razão da natureza instável de decisão desse jaez, o STF sumulou entendimento segundo o qual "não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar" (Súmula 735/STF). O juízo de valor precário, emitido na concessão de medida liminar, não tem o condão de ensejar a violação da legislação federal, o que implica o não cabimento do Recurso Especial, nos termos da referida Súmula 735/STF"". (AgInt no AREsp 1.598.838/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 21/8/2020.) Confira-se ainda o seguinte precedente: AgInt no AREsp 1.571.882/BA, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 01/07/2020; AgInt no REsp 1.830.644/RO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26/06/2020; AREsp 1.610.726/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/06/2020; AgInt no AREsp 1.621.446/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27/04/2020; AgInt no AREsp 1.571.937/PA, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/04/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.