AREsp 1905165 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a agravante limitou-se a alegações genéricas e não impugnou especificamente o fundamento de inadmissibilidade (art. 932, III, CPC/15), configurando hipótese de aplicação da Súmula 182/STJ; além disso, a mera afirmação de que se trata de...
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- Parties
- Agravante: CASAS GUANABARA COMESTÍVEIS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (art. 1042 Do Cpc/15) / Decisão De Não Conhecimento (admissibilidade)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Artigo 932, III, Cpc/15, Impugnação Específica Dos Fundamentos
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Parties
CASAS GUANABARA COMESTÍVEIS LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (art. 1042 Do Cpc/15) / Decisão De Não Conhecimento (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 violação do princípio da dialeticidade pela falta de impugnação específica
- 2 incidência da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de matéria fática
- 3 aplicação do artigo 932, III, do CPC/15 e da Súmula 182/STJ
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a agravante limitou-se a alegações genéricas e não impugnou especificamente o fundamento de inadmissibilidade (art. 932, III, CPC/15), configurando hipótese de aplicação da Súmula 182/STJ; além disso, a mera afirmação de que se trata de matéria de direito não afasta a necessidade de demonstrar a desnecessidade de reexame de provas, impedindo o conhecimento do recurso perante o STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (artigo 1042 do CPC/15), interposto por CASAS GUANABARA COMESTÍVEIS LTDA, em face da decisão que deixou de admitir recurso especial, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, pelos seguintes fundamentos: (i) não houve ofensa aos artigos 489 e 1022 do CPC/15; e (ii) incidência da Súmula 7/STJ (fls. 667/672, e-STJ). Daí o presente agravo (fls. 695/705, e-STJ), buscando destrancar o processamento daquela insurgência. Contraminuta às fls. 762/764, e-STJ. É o relatório. Decido. O recurso não merece conhecimento, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Com efeito, a agravante limitou-se a renegar, genericamente, o juízo de admissibilidade realizado na origem, sem, contudo, efetivamente demonstrar a inadequação do óbice invocado. Da leitura das razões do agravo, verifica-se que a recorrente insistiu na apontada ofensa ao artigo 1022 do CPC/15; quanto à incidência da Súmula 7 do STJ, apenas alegou "que a matéria de recurso especial se trata de violação ao correto arbitramento de honorários sucumbenciais, o que configura matéria de Direito, que não demanda produção de provas" (e-STJ, fl. 697); e, no mais, repisou os mesmos fundamentos de mérito do recurso especial. Convém destacar que a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da desnecessidade do reexame de matéria de prova para que se chegue a conclusão diversa daquela em que se firmou o acórdão recorrido. A propósito, cita-se o seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS 7 E 182 DO STJ. 1. A insurgente não impugnou, de forma precisa, os fundamentos da decisão impugnada em relação à aplicação da Súmula 7/STJ, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula 182 desta Corte: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 2. Não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 3. Ainda que assim não fosse, decidir de forma contrária ao acórdão recorrido demandaria necessariamente o reexame de matéria fática, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte Superior. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1067725/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2017, DJe 20/10/2017) Como é cediço, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada encontra óbice na Súmula 182/STJ e no artigo 932, III, do CPC/15: Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifos acrescidos) Conforme já decidiu o STJ, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.11.2008 - grifos nossos). Nesse sentido: AgInt no AREsp 960.836/PA, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/12/2016, DJe 09/12/2016; AgInt no AREsp 862.831/MS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 17/11/2016, DJe 28/11/2016; AgInt no AREsp 236.698/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/11/2016, DJe 17/11/2016. 2. Do exposto, com amparo no artigo 932, III, do CPC/15 e na Súmula 182/STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se.