AREsp 1938592 - DECISAO
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial porque a peça recursal apresenta deficiência de fundamentação que impede a exata compreensão da controvérsia, nos termos da Súmula 284/STF, e porque o acolhimento da pretensão exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ, sendo adotado o...
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- Parties
- Agravante: LUIS CLAUDIO DA SILVA; Autor: MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Reexame De Prova, Atos De Improbidade
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Parties
LUIS CLAUDIO DA SILVA
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
Autor
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF)
- 2 impossibilidade de reforma que demande reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ)
- 3 reconhecimento da prática de ato de improbidade administrativa pelo não repasse de contribuições ao FAPS e atraso no repasse ao INSS
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial porque a peça recursal apresenta deficiência de fundamentação que impede a exata compreensão da controvérsia, nos termos da Súmula 284/STF, e porque o acolhimento da pretensão exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ, sendo adotado o art. 21-E, V do Regimento Interno do STJ para a decisão.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ida-se de agravo apresentado por LUIS CLAUDIO DA SILVA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA PROPOSTA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL RECONHECIMENTO DO RÉU COMO INCURSO NAS PENAS PREVISTAS NO ARTIGO 12 INCISOS I E III DA LEI N 842992 EM RAZÃO DA CONDUTA TIPIFICADA NOS ARTIGOS 9 E 11 DO MESMO DIPLOMA LEGAL PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE VOLTA REDONDA QUE NÃO EFETUOU DELIBERADAMENTE OS REPASSES DOS VALORES REFERENTES ÀS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS AO FUNDO DE ASSISTÊNCIA E PREVIDÊNCIA SOCIAL DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DE VOLTA REDONDA FAPS NOS TERMOS DO ARTIGO 40 DA CRFB88 ART 1 DA LEI N 971798 E LEI MUNICIPAL N 422806 BEM COMO ATRASOU INTENCIONALMENTE O REPASSE DAS VERBAS DEVIDAS AO INSS CAUSANDO DANO AOS COFRES PÚBLICOS DECORRENTE DO PAGAMENTO DE MULTA DE R 150729 (UM MIL QUINHENTOS E SETE REAIS E VINTE E NOVE CENTAVOS) ATOS QUE ATENTAM CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CAUSANDO PREJUÍZO AO ERÁRIO NOS TERMOS DO ART 10 DA LEI 842992 MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DESPROVIMENTO DO RECURSO. Quanto à primeira controvérsia trazida nos autos, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega a parte recorrente ausência elementos que caracterizem a prática de ato de improbidade administrativa. É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Tal conduta, constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da Administração Pública, pois retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, na forma do artigo 11, caput e inciso II da Lei 8.429/92, sendo certo que só não causou dano ao erário, pois, à época dos fatos, a legislação municipal não previa multa pelo atraso ou não repasse das verbas do FAPS. .. Diante dos fatos narrados, resta claro que houve dolo na conduta do réu, ora apelante, visto que tinha o pleno conhecimento de que estava burlando o ordenamento jurídico ao não efetuar os repasses dos valores referentes às contribuições patronais ao FAPS, bem como ao atrasar o repasse das verbas devidas ao INSS, causando dano ao erário. .. Entretanto, na fixação das penas deve-se observar a extensão do dano e o proveito patrimonial obtido pelo agente, a teor do disposto no parágrafo único do referido art. 12. No caso concreto, diante da alta reprovabilidade da conduta do réu, ora apelante, que insistiu na prática de ato de improbidade, mesmo exaustivamente advertido, e, da relevância do cargo eletivo ocupado à época dos fatos, deve ser aplicada, além da multa arbitrada com razoabilidade, a suspensão dos direitos políticos, que foi fixada em seu patamar mínimo, na forma do artigo 12, III da Lei nº. 8.429/92 (fls. 445/449) Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.