AREsp 1943943 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não demonstrou objetivamente as omissões ou violações apontadas, ficando a fundamentação do recurso deficiente nos termos da Súmula 284/STF, e porque não houve o indispensável prequestionamento de matéria relativa ao art. 489 do CPC e...
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- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DE RIO DE JANEIRO; Agravado: parte Ré; Autora: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecido Do Agravo E Decidido Por Não Conhecer Do Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Taxatividade Do Art. 1.015 Do CPC, Fundamentação Das Decisões Judiciais (art. 489 Do CPC E Art. 93 IX Da Cf), Incidência De Súmulas Do STF (282, 284, 356)
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Parties
MUNICIPIO DE RIO DE JANEIRO
Agravante
parte Ré
Agravado
parte autora
Autora
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecido Do Agravo E Decidido Por Não Conhecer Do Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 deficiência de fundamentação do recurso especial (Súmula 284/STF)
- 2 ausência de prequestionamento de matéria (Súmulas 282 e 356/STF)
- 3 alcance do art. 1.015 do CPC e teoria da taxatividade mitigada (Tema 988)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não demonstrou objetivamente as omissões ou violações apontadas, ficando a fundamentação do recurso deficiente nos termos da Súmula 284/STF, e porque não houve o indispensável prequestionamento de matéria relativa ao art. 489 do CPC e demais dispositivos invocados, atraindo as Súmulas 282 e 356 do STF; assim, não se verificou hipótese de ultrapassagem dos óbices regimentais e sumulares que autorizasse o conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo MUNICIPIO DE RIO DE JANEIRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO RECURSO CONTRA DECISÃO QUE EM AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM COBRANÇA DEU PROVIMENTO A RECURSO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTO PELA PARTE RÉ NO SENTIDO DE INDEFERIR A JUNTADA PELA AUTORA RECORRENTE DE DECLARAÇÕES ESCRITAS POR TESTEMUNHAS PREFACIAL DE NÃO CONHECIMENTO POR VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE DAS DECISÕES SUJEITAS A IMPUGNAÇÃO POR MEIO DESTA MODALIDADE RECURSAL REJEIÇÃO TAXATIVIDADE MITIGADA URGÊNCIA DECORRENTE DA INUTILIDADE DO JULGAMENTO DA QUESTÃO EM SEDE DE RECURSO DE APELAÇÃO ANULAÇÃO DO DECISUM INVOCAÇÃO DE MOTIVOS QUE SE PRESTARIAM A JUSTIFICAR QUALQUER OUTRA DECISÃO APLICAÇÃO DO ART 489 § 1 III DO CPC2015 AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO OFENSA À EXIGÊNCIA CONSTITUCIONAL DE FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS (ART 93 IX DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA) PROVIMENTO AO RECURSO. Quanto à primeira controvérsia, alega violação dos arts. 489, II, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC, no que concerne à negativa de prestação jurisdicional, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): A decisão ora impugnada deixou de considerar os argumentos trazidos pela parte Ré em suas contrarrazões ao Agravo de Instrumento complementado pelos Embargos de Declaração, o qual seja, a violação ao artigo 1.015 do CPC (fls. 80). Quanto à segunda controvérsia, alega violação do art. 1.015 do CPC, com o argumento de que a decisão recorrida não se insere no rol taxativo que desafia agravo de instrumento, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Primeiramente, registra-se que a decisão reformou a decisão que havia inadmitido juntada de documento intempestivo. Entretanto, conforme será abaixo demonstrado, o decisum, merece reforma, vez encontra-se eivado de vícios. .. Ainda que seja considerada a taxatividade mitigada, fato é que a mitigação pretendida não pode servir para considerar o rol meramente exemplificativo, com o intuito de viabilidade a interposição de agravo em contra qualquer decisão interlocutória, especialmente a decisão prolatada pelo juízo a quo (fl. 81). Quanto à terceira controvérsia, sustenta que os documentos de fls. 800-807 envolvem mera manifestação unilateral, não sujeita ao crivo do contraditório, cabendo ao interessado em sua veracidade o ônus de prová-la. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"), uma vez que a parte recorrente alega, genericamente, a existência de violação do art. 1.022 do CPC de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem, contudo, demonstrar especificamente quais os vícios do aresto vergastado e/ou a sua relevância para a solução da controvérsia. Nesse sentido, este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "é deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF". (REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.466.877/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 12/5/2020; AgInt no REsp n. 1.829.871/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 20/2/2020; REsp n. 1.838.279/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 28/10/2019; e REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018. Já quanto ao art. 489 do CPC, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no Resp 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: Cumpre, desde logo, registrar que, embora a decisão impugnada não encontre tipicidade no rol do art. 1.015 do Código de Processo Civil, certo é que a Corte Cidadã, no julgamento do REsp 1.696.396 e do REsp 1.704.520, ambos submetidos ao rito dos recursos repetitivos (Tema 988), entendeu que "o rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por isso admite a interposição de agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de apelação". Na hipótese sob análise, as declarações de testemunhas que a parte autora pretende juntar aos autos se destinam a constituir prova, ou seja, se mostra evidente que não se pode aguardar a sentença final para análise da questão, eis que a instrução probatória dependeria da juntada de tais documentos, revelando-se, portanto, evidente a urgência a autorizar a interposição desta modalidade recursal (fls. 45-46). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Quanto à terceira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.